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20150914 ME PR Iran carross4Foto: Ministro Mauro Vieira é recebido pelo Presidente Hassan Rouhani em Teerã, em 13 de setembro de 2015
 
 

O melhor caminho para a paz (Folha de S.Paulo, 27/09/2015)

 

Ao intensificar o diálogo com o Irã e outros parceiros do Oriente Médio, o Brasil contribui para um mundo mais próspero, justo e seguro

 

Uma grande avenida de cooperação está sendo reaberta entre Brasil e Irã. Essa é a principal conclusão que trago de Teerã, aonde fui em missão oficial há dez dias.

O Irã vive uma fase de rápida reinserção internacional. O marco dessa nova etapa é o acordo nuclear que o país firmou em julho com o grupo composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas mais a Alemanha. O acordo motivou intensa atividade diplomática e uma sucessão de visitas de alto nível ao Irã. Pontes diplomáticas estão sendo construídas ou reconstruídas.

O Brasil celebra o acordo. O entendimento alcançado é uma vitória do diálogo sobre a confrontação. Essa é uma causa tradicional e uma vocação permanente da política externa brasileira. Há mais de meio século, ao defender o reatamento das relações entre o Brasil e a União Soviética, o chanceler San Tiago Dantas ensinava: "A paz não se manterá, se o preço que tivermos de pagar por ela for o isolamento".

Foi esse o espírito que motivou nossa parceria com a Turquia na negociação da Declaração de Teerã, em 2010, por meio da qual o Irã aceitava limitações a seu programa nuclear. A busca do entendimento foi um exercício complexo e difícil, mas os custos de um impasse eram –e mostraram-se– muito maiores.

Como o círculo vicioso de sanções, ameaças e ações militares no Iraque e na Líbia demonstrou de maneira contundente, a alternativa da confrontação pode ter consequências trágicas para a ordem internacional. A crise migratória, impulsionada pelas guerras civis, pelo sectarismo, pela fragilidade institucional e pela pobreza é apenas a face mais evidente da instabilidade que afeta diferentes partes do mundo.

A conclusão do acordo contribuirá para a construção de confiança entre as partes envolvidas e para a promoção da estabilidade no Oriente Médio. Foi nesse cenário favorável, que abre oportunidades para o Brasil, que realizei viagem a Teerã.

O Irã é o nosso maior parceiro comercial na região. São amplas as oportunidades que empresas brasileiras poderão explorar em áreas como agronegócio, energia, mineração e infraestrutura. Com o levantamento das sanções do Conselho de Segurança, essas perspectivas de comércio e investimento tornam-se ainda mais promissoras.

Em 2011, por exemplo, a corrente de comércio chegou a US$ 2,3 bilhões, antes de ser impactada pelo regime de sanções e cair para US$ 1,4 bilhão no ano passado.

Desejamos também reforçar o diálogo franco que sempre caracterizou nossa interlocução política com o Irã. Fui portador de firme mensagem de apoio e encorajamento do governo brasileiro à solução pacífica das controvérsias da região.

O Brasil respondeu positivamente à proposta iraniana de criação de um mecanismo estruturado de diálogo sobre direitos humanos. Permanecemos sempre fiéis à perspectiva brasileira de respeito pleno à universalidade, integralidade e indivisibilidade dos direitos humanos.

Minha visita a Teerã foi o ponto de partida para uma série de visitas bilaterais de alto nível, que vão estreitar a cooperação em diversos setores. A diversificação de parcerias e o fortalecimento de nossa presença no Oriente Médio são parte relevante da estratégia de política externa do governo Dilma Rousseff. A propósito, a presidenta encontrou-se com o presidente iraniano Hassan Rouhani, anteontem em Nova York, ocasião em que acertaram a realização de visitas bilaterais.

Nossos laços de solidariedade ganharam especial visibilidade há poucos dias, quando uma corveta da Marinha do Brasil a caminho do Líbano para integrar a missão das Nações Unidas naquele país desviou-se de seu caminho e resgatou 220 refugiados à deriva no mar Mediterrâneo, ação que honra nossa Marinha e nosso país.

Ao intensificar o diálogo e o engajamento com parceiros no Oriente Médio, o Brasil exerce a responsabilidade que lhe cabe na construção de soluções para a região e na construção de um mundo mais próspero, justo e seguro.

 

Mauro Vieira, 64, é Ministro das Relações Exteriores. Foi embaixador nos Estados Unidos (2010-2014) e na Argentina (2004-2010)

 

 


 

 

The best path to peace (Folha de S.Paulo, September 27 , 2015)

 

By conducting a closer dialogue with Iran and other partners in the Middle East, Brazil is contributing to a more prosperous, fairer and safer world.

 

A major avenue of cooperation is being reopened between Brazil and Iran. That is the main conclusion I bring back from Tehran, where I made an official visit ten days ago.

On the international stage, Iran is undergoing a phase of rapid reintegration. The main indicator of this is the nuclear agreement the country signed in July with the group composed of the five permanent members of the United Nations Security Council plus Germany. The agreement precipitated a period of intense diplomatic activity and a succession of high-level visits to Iran. Diplomatic bridges are being built or rebuilt.

Brazil celebrates the agreement. The understanding that has been reached is a victory for dialogue over confrontation – which is also a traditional principle and permanent vocation of Brazilian foreign policy. More than 50 years ago, when defending the resumption of relations between Brazil and the Soviet Union, the then foreign minister San Tiago Dantas said: “Peace can’t be maintained if the price we have to pay for it is isolation.”

This was the spirit that motivated our partnership with Turkey in the negotiations leading to the Tehran Declaration of 2010, by which Iran accepted limitations on its nuclear program. The pursuit of an agreement was a complex and difficult, but the cost of an impasse was – and has been shown to be – much higher.

As shown so starkly by the vicious cycle of sanctions, threats and military action in Iraq and Libya, the option of confrontation can have tragic consequences for the international order. The migration crisis – driven by civil wars, sectarianism, institutional weakness and poverty – is just the most visible face of the instability affecting various parts of the world.

The Iran agreement will contribute to building trust between the parties involved and to promoting stability in the Middle East. It was in this favorable context, one in which opportunities arose for Brazil, that I made the trip to Tehran.

Iran is our biggest trading partner in the region. There are great opportunities for Brazilian companies to exploit in areas such as agribusiness, energy, mining and infrastructure. With the lifting of Security Council sanctions, the prospects for trade and investment have become even more promising.

In 2011, for example, Brazil-Iran bilateral trade reached $ 2.3 billion, before being affected by the sanctions regime and falling to $ 1.4 billion last year.

We also want to strengthen the open dialogue that has always characterized our relations with Iran. I took with me a strong message of support and encouragement from the Brazilian government for the peaceful settlement of disputes in the region.

Brazil has responded positively to Iran’s proposal to create a mechanism for structured dialogue on human rights. We remain true to our position of fully respecting the universal, integral and indivisible nature of human rights.

My visit to Tehran was the starting point for a series of high-level bilateral visits, which will strengthen cooperation in various sectors. The diversification of partnerships and the strengthening of our presence in the Middle East are an important part of the foreign policy strategy of Dilma Rousseff’s government. The President herself met with the Iranian president, Hassan Rouhani, two days ago in New York – an occasion on which further bilateral visits were agreed.

Our ties of solidarity gained added visibility a few days ago when a Brazilian corvette on its way to join the United Nations mission in Lebanon diverted from its route to rescue 220 refugees adrift in the Mediterranean – an action that honors our navy and our nation.

By strengthening our dialogue and engagement with partners in the Middle East, Brazil fulfils its responsibility for building solutions in the region and for building a more prosperous, fairer and safer world.

 

Mauro Vieira, 64, is the Minister of Foreign Affairs of Brazil. He has been ambassador to the United States (2010-14) and Argentina (2004-10)

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