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É relativamente comum a crítica de que o Brasil tem embaixadas demais, que são caras demais. De acordo com essa visão, o aumento da presença diplomática brasileira na África, no Caribe, na Ásia e no Oriente Médio não teria trazido ganhos concretos para o país.

É saudável que uma sociedade como a brasileira, que, apesar dos avanços recentes, ainda tem significativos desafios sociais e econômicos a superar, acompanhe com atenção a forma como a política externa emprega os recursos de que dispõe.

O exame dos resultados da expansão da rede de embaixadas e consulados nos últimos anos é parte do debate necessário e bem-vindo sobre a inserção internacional do Brasil.

Ainda que possa surpreender os mais céticos, a análise dos números comprova o acerto da decisão de ampliar a rede diplomática e consular do país. A partir de 2003, o Brasil abriu novas representações em 44 países. Desde então, o valor das exportações para esses destinos cresceu 186%, índice superior ao do crescimento total das exportações no período, que foi de 133%.

Nos 18 países africanos em que o Itamaraty abriu novos postos, as exportações de bens saltaram de US$ 736 milhões para US$ 1,6 bilhão entre 2004 e 2014. Com o Caribe, o intercâmbio comercial passou de US$ 1,4 bilhão para US$ 6,6 bilhões entre 2003 e 2014.

O desempenho dos postos abertos em outras regiões também é expressivo. Após a abertura da Embaixada na Eslovênia, por exemplo, as exportações aumentaram 200%. No Cazaquistão esse percentual atingiu 322%, e no Catar, 790%.

Os números que atestam a ampliação do atendimento a brasileiros no exterior são igualmente significativos. Ao longo da década passada, 18 consulados-gerais do Brasil foram abertos na América do Norte, na Europa Ocidental, na África Subsaariana, na América Latina, no Oriente Médio e na Ásia.

Em 2014, esses novos consulados emitiram quase 104 mil vistos, 53 mil documentos de viagem e 122 mil atos notariais e de registro civil, o que reflete a grande demanda de comunidades brasileiras no exterior e de estrangeiros por serviços consulares.

Em situações de crise, como o recente terremoto no Nepal, o valor da existência de uma repartição diplomático-consular no país é inestimável. A atuação da embaixada em Katmandu, criada em 2010, permitiu assistir com presteza os mais de 300 nacionais afetados.

Cifras e números respaldam uma diplomacia de resultados. É sobre essa base que se constrói uma política externa de qualidade.

No mundo globalizado, é fundamental diversificar parcerias. O Brasil não pode virar as costas para regiões e continentes que têm experimentado notável dinamismo econômico, e com os quais é frequentemente convidado a cooperar.

Isso ocorre sem prejuízo de suas relações com o mundo desenvolvido, às quais o governo da presidenta Dilma Rousseff atribui igualmente grande prioridade. E não quer dizer que não possamos fazer adequações em nossa rede diplomática e consular, com uma visão abrangente dos interesses brasileiros.

O Brasil é um ator global. Mantém relações diplomáticas com todos os Estados-membros da ONU, possui uma capacidade única de interlocução no concerto das nações e tem assumido as responsabilidades que lhe cabem pela manutenção da paz mundial.

A presença diplomática ao redor do mundo habilita o país a obter informações em primeira mão e a atuar diretamente nos tabuleiros onde se tomam as decisões políticas, econômicas ou ambientais que causam impacto sobre a vida dos cidadãos brasileiros.

Respeitabilidade e influência nas relações internacionais nem sempre são mensuráveis, mas as perspectivas que uma diplomacia atuante abre para o desenvolvimento econômico e social são fáceis de identificar. Política externa exitosa pressupõe ação diplomática robusta.

A avaliação dos resultados da política de incremento da presença global da diplomacia brasileira aponta para uma maior capacidade de influência, mais comércio e brasileiros mais bem assistidos. A única ideologia que nos guia é a da defesa do interesse nacional.

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