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Neste ano, observa-se o 70º aniversário dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. É uma oportunidade para refletir, mais uma vez, sobre as consequências do uso de armas nucleares.

Não obstante a não adoção de um documento final consensual na IX Conferência de Exame do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, as discussões evidenciaram que a maioria dos países quer avançar, com senso de urgência, na proibição e eliminação das armas nucleares. Ações ainda podem ser tomadas neste ano nos foros multilaterais voltados ao desarmamento e na Assembleia Geral das Nações Unidas. O ano de 2015 poderá ser crucial para o desarmamento nuclear, e o 70º aniversário dos ataques a Hiroshima e Nagasaki deve servir como símbolo dessa luta.

Muitos empenham-se para que a memória dos ataques nucleares de 1945 permaneçam como testemunho do abominável poder destrutivo desenvolvido pelo homem. Isso fortalece a convicção de que temos a responsabilidade coletiva de trabalhar por um mundo livre de armas nucleares.

Todos reconhecem o afinco com que o Japão tem trabalhado a favor desse objetivo, não só por meio de ações de Governo, mas também com o empenho incansável da sociedade civil. A atuação dos "hibakusha" tem sido particularmente nesse sentido.

O Brasil, como país de maior população nipodescendente do mundo, se orgulha de ter acolhido mais de 120 "hibakusha", que fundaram a Associação Hibakusha-Brasil pela Paz, com sede em São Paulo, e têm desempenhando relevante papel na divulgação de suas experiências para a sociedade brasileira.

São pessoas como Yoshitaka Samejima, que nasceu no Brasil e, enviado ao Japão para completar seus estudos, presenciou o bombardeio atômico de Nagasaki. Hoje, “hibakusha” como Samejima continuam se dedicando a transmitir suas experiências.

A construção de um mundo livre de armas nucleares é um objetivo fundamental e permanente da política externa brasileira. A Constituição Federal de 1988, símbolo da reconquista da democracia pelo povo brasileiro depois da ditadura militar, explicita o uso da energia nuclear para fins exclusivamente pacíficos.

Na América Latina e Caribe, celebrou-se o Tratado de Tlatelolco, que criou uma Zona Livre de Armas Nucleares. Em 1991, estabelecemos, com a Argentina, a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC). Por meio deste modelo inovador de construção de confiança, assegura-se à comunidade internacional que todos os materiais e instalações nucleares existentes nos dois países são exclusivamente para fins pacíficos.

O Brasil vem sempre preconizando o desarmamento e a não proliferação nucleares, sendo membro do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares e do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares.

Entretanto, não se constata um avanço decisivo na abolição das armas nucleares. Ante o terrível poder destrutivo dessas armas e as catastróficas consequências humanitárias do seu uso, ilustrado de forma tão marcante pelos "hibakusha", o lento progresso dos últimos anos é tristemente insuficiente. Temos defendido que é preciso fazer mais e fazê-lo mais rápido, pois em se tratando de desarmamento nuclear, ser ambicioso é um imperativo moral.

O Brasil tem-se coordenado com os países que compartilham essa visão com vistas a promover a negociação de um instrumento juridicamente vinculante que proíba o desenvolvimento, produção, aquisição, teste, armazenamento, transferência, uso ou ameaça de uso de armas nucleares. Um instrumento que disponha, ainda, a eliminação transparente, verificável e irreversível de todos os arsenais nucleares existentes.

O Brasil e o Japão compartilham esse objetivo de alcançar um mundo livre de armas nucleares. Há espaço para aprofundarmos nossa cooperação nessa área no marco da Parceria Estratégica e Global acordada pela Presidenta Dilma Rousseff e pelo Primeiro-Ministro Shinzo Abe durante a visita deste último ao Brasil em agosto do ano passado.

Sem prejudicar seu desenvolvimento tecnológico, nossos países optaram por renunciar as armas nucleares. Devemos contribuir para a paz e estabilidade internacional pelos caminhos da diplomacia e da cooperação e não pelo poder de destruição.

O Brasil se empenhará por progressos concretos nesse sentido, pois acreditamos ser necessário garantir que, conforme as palavras do poeta Carlos Drummond de Andrade, "a bomba não destruirá a vida; o homem (tenho esperança) liquidará a bomba".

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