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Senhor Presidente,
Majestades,
Excelências,

Em nome do Presidente Lula e em meu próprio, agradeço o Presidente Abdelaziz Bouteflika pelo convite para me dirigir aos Chefes de Estado e de Governo da Liga Árabe. Trata-se, sem dúvida, de grande honra estar hoje aqui. Esta é a primeira vez que um Ministro brasileiro é convidado a participar de uma Cúpula Árabe.

Ao longo dos séculos, a contribuição do mundo árabe para a cultura, a arte, a filosofia e a ciência tem sido imensa. Tal contribuição desempenhou papel vital no desenvolvimento da nossa civilização global. No caso do Brasil e da América do Sul, essa influência enriquecedora remonta à presença árabe na Península Ibérica. A presença árabe também floresceu na América do Sul com o influxo de imigrantes. Somente no Brasil, há mais de dez milhões de pessoas de ascendência árabe, a maior comunidade fora do mundo árabe.

Estes laços profundos não se têm traduzido em relação igualmente intensa entre os países árabes e sul-americanos. Por esta razão, o Presidente Lula decidiu lançar iniciativa sem precedente envolvendo as nossas duas regiões. O Presidente Lula pediu-me que frisasse a grande importância por ele atribuída à participação de todos os líderes árabes na Cúpula de Brasília, em maio próximo, a ser co-presidida pelo Presidente Bouteflika.

É importante assinalar que a Cúpula terá lugar na América do Sul, em um momento em que a integração encontra-se muito acelerada. Em dezembro passado, os Presidentes da América do Sul reuniram-se em Cuzco, Peru, onde lançaram oficialmente a Comunidade Sul-Americana de Nações. Eles se reunirão novamente em agosto próximo, no Brasil, para decidir sobre os aspectos institucionais da Comunidade. É extremamente significativo que a Cúpula com a Liga Árabe será o primeiro evento do gênero envolvendo a recém-criada Comunidade e outra região.

A Cúpula de Brasília tem por objetivo intensificar o diálogo no mais alto nível político. Ao mesmo tempo, ajudará a ampliar os vínculos culturais, comerciais, bem como outros vínculos por meio de uma agenda positiva bi-regional, unindo os povos dessas duas vastas áreas do mundo. As palavras-chave para definir estes objetivos são, portanto, diálogo e cooperação. Ao fomentar os laços entre nossas regiões mediante projetos concretos, estaremos contribuindo, de forma pragmática, para fortalecer as relações Sul-Sul.

Compartilhamos valores e objetivos na esfera multilateral. Podemos fazer mais em áreas de interesse mútuo, como a reforma das instituições financeiras internacionais, o combate à fome e à pobreza, a reforma das Nações Unidas e a eliminação das distorções no sistema multilateral de comércio. Nossas vozes serão melhor ouvidas se falarmos juntos. Nesse sentido, é fundamental que países em desenvolvimento sejam incluídos como membros permanentes em um Conselho de Segurança ampliado. Se escolhido, o Brasil está preparado para fazer face a suas responsabilidades aumentadas. Concordamos também com a presença permanente do mundo árabe no Conselho, sem prejuízo de dois assentos para a África.

Senhor Presidente,
Majestades,
Excelências,

Desde o surgimento da idéia da Cúpula entre países árabes e a América do Sul, setores privados de nossos países começaram a buscar oportunidades mútuas de negócios. Apesar de este potencial estar longe de ser atingido, nos doze meses seguintes à visita do Presidente Lula a cinco países árabes, o comércio total entre o Brasil e o mundo árabe ampliou-se de 5,4 bilhões para 8,1 bilhões de dólares norte-americanos. Para explorar todo o potencial dessas relações, será realizado fórum de negócios, durante a Cúpula, com a participação de representantes de nossas duas regiões.

Mas há muito mais do que simplesmente relações comerciais e econômicas. Em ciência e tecnologia, poderemos conceber soluções comuns para nossos problemas. Poderemos ampliar nossa cooperação em saúde e educação. Deveríamos engajar nossas sociedades em iniciativas para melhorar o conhecimento mútuo por meio da promoção de atividades culturais.

Espero encontrar-me com meus colegas Ministros dos Negócios Estrangeiros esta semana em Marraquexe. Deveremos fazer os últimos acertos no projeto de declaração que será submetido aos líderes durante a Cúpula. O texto deverá refletir nossa visão comum sobre temas da nossa cooperação bilateral e da agenda internacional. Estou convencido de que ao dar início a esse Diálogo de Alto Nível entre duas importantes regiões do mundo em desenvolvimento, que reunirá 34 nações sinceramente devotadas à promoção do entendimento entre povos, a Cúpula de Brasília servirá à causa da Paz.

Este é um momento importante para muitos no Oriente Médio. Saudamos o Plano Árabe de 2002. Recentes desdobramentos no processo de paz despertaram esperança no coração daqueles que sinceramente desejam solução duradoura e pacífica para os problemas do Oriente Médio. O Brasil apóia plenamente o direito do povo palestino de ter um Estado próprio que seja economicamente viável e respeite a dignidade humana, assegurando, dessa forma, a coexistência pacífica de todos os países na região. Baseados em nossa própria experiência de tolerância e aceitação mútua, estamos preparados para oferecer nossa contribuição para esse processo. É a crença na força do diálogo e na capacidade dos seres humanos de compreender uns aos outros que inspirou muitas das iniciativas do Presidente Lula, inclusive a Cúpula América do Sul - Países Árabes. Essa mesma crença guiará qualquer participação que venhamos a ser chamados a ter no Processo de Paz.

Permitam-me reiterar a minha mais profunda honra de participar deste importante evento.

Muito obrigado.

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