Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

No próximo dia 1o,completaremos os dois primeiros anos da administração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já no discurso de posse, o Presidente anunciava que a ação diplomática de seu Governo seria, antes de tudo, um instrumento do desenvolvimento nacional. Assumíamos as metas de ampliação das oportunidades comerciais, de busca de investimentos produtivos e de captação de tecnologias avançadas como prioridades de nossa atuação externa, a fim de contribuir para melhorar as condições de vida da população, mediante a elevação da renda e a geração de empregos dignos.

O esforço diplomático do Governo na busca desses objetivos tem sido de uma intensidade sem paralelo na história do país. Nesses dois anos, o Presidente Lula visitou 35 países, de todos os continentes;em vários deles, realizou a primeira visita de um Chefe de Estado brasileiro. De maneira ainda mais relevante, recebemos em Brasília durante esse mesmo período a visita de Chefes de Estado e de Governo de 38 países.

Acumulamos um importante patrimônio negociador nesses anos. Celebramos acordos de livre comércio do Mercosul com o Peru e, meses após, com os outros membros da Comunidade Andina de Nações.

Demos um passo decisivo para a integração econômica do continente, nas suas dimensões tanto comercial como de infra-estrutura, por meio da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações na III Reunião de Presidentes da América do Sul, realizada no último dia 9 em Cusco.

Revitalizamos o Mercosul internamente, com o reconhecimento das assimetrias entre as economias de seus Estados Partes. Reforçamos sua unidade ao atuar em bloco, com uma única voz, nas negociações para a conformação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e para a celebração de acordo bi-regional de livre comércio com a União Européia. Fortalecemos a sua coesão interna, impulsionando
a integração das cadeias produtivas do Brasil e da Argentina, de modo a privilegiar a realização de investimentos em ambos os países e a capacitação de seus setores privados para exportar para terceiros mercados. A renovada capacidade de atração do Mercosul atesta sua solidez: neste mês, quando estaremos oficializando o ingresso da Venezuela, do Equador e da Colômbia como
membros associados ao bloco, juntando-se a Chile, Bolívia e Peru.

Estreitamos nossas relações econômicas com os principais países em desenvolvimento. A viagem do Presidente Lula a Pequim em maio de 2004 e a visita do Presidente Hu Jintao a Brasília em novembro geraram um impulso de grande importância ao fortalecimento dos laços empresariais com a China. Trocamos missões empresariais e mantivemos contatos no mais alto nível com o Governo da Rússia. Foi assinado um acordo do Mercosul com a Índia; por ocasião da Cúpula do Mercosul que se realizou em na cidade brasileira de Ouro Preto neste mês, concluímos as negociações de acordo semelhante com a União Aduaneira da África Meridional (Sacu), liderada pela África do Sul. Daremos início nos próximos meses às negociações para a celebração de acordos de livre comércio com o México e com os países centro-americanos; Coréia e Canadá já expressaram igual interesse; o mesmo ocorre com o Japão; iniciaremos também tratativas para acordo de preferências tarifárias fixas com Egito e Marrocos; estão em curso entendimentos com os países membros da Comunidade Caribenha (Caricom)para a abertura de negociações comerciais. Já manifestamos o interesse do Mercosul de celebrar acordo de livre comércio com os países em desenvolvimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Organizaremos uma Cúpula de Chefes de Estado e de Governo de Países Árabes e da América do Sul em maio de 2005, com vistas a intensificar a cooperação e o intercâmbio entre as regiões.

No âmbito multilateral, apoiamos a abertura, por ocasião da XI UNCTAD em São Paulo, em junho passado, da terceira rodada de negociações do Sistema Geral de Preferências Comerciais, que favorecerá a ampliação do comércio entre os países do Sul. Por outro lado, vimos como o G-20, sob a coordenação brasileira, foi capaz de valorizar o papel do mundo em desenvolvimento nas negociações comerciais da Organização Mundial do Comércio (OMC). A contribuição do G-20 foi decisiva para o desbloqueio da Rodada de Doha, quando da aprovação em Genebra, no passado mês de julho, das diretrizes para o seguimento das negociações, mantendo-se firme o objetivo de eliminar os subsídios a fim de incorporar a agricultura, de forma plena, ao sistema comercial internacional.

Os acordos que alcançamos, ainda que não estejam todos em vigor, estabelecem bases políticas e jurídicas seguras para a expansão das relações comerciais e vão ao encontro dos interesses dos agentes privados brasileiros.Os resultados alcançados até o momento atestam o êxito da estratégia do Governo em todas as frentes.

Expandimos nossos fluxos de comércio tanto com os países desenvolvidos como em desenvolvimento. Diversificamos o destino de nossas exportações. De janeiro a setembro deste ano, o total das exportações brasileiras a países em desenvolvimento alcançou US$ 34,3 bilhões, praticamente igualando-se aos US$ 35,9 bilhões exportados para países desenvolvidos.A participação da África,
do Oriente Médio e da América do Sul no total das exportações brasileiras aumentou de 20,57% para 24,52% na comparação do período de janeiro a setembro de 2003 e de 2004. Registramos índices notáveis de incremento das exportações para mercados não tradicionais: 506% para a Síria, 342% para a Polônia e 186% para a Venezuela, entre outros. Ampliamos nossas exportações para os EUA em US$ 2 bilhões e para a União Européia em US$ 4,2 bilhões, com aumentos de 15,9 e 31,6%,respectivamente.

Uma das regiões mais dinâmicas foi a América do Sul. As exportações para o continente aumentaram de US$ 6,93 bilhões para US$ 11,18 bilhões na comparação de janeiro a agosto de 2003 e de 2004 - um incremento de 61%. A recuperação do Mercosul permitiu ampliar as exportações a taxas de 31,9% para o Paraguai, 82,4% para o Uruguai e 78,4% para a Argentina. O valor absoluto do aumento de nossas exportações para a Argentina iguala o do incremento com os EUA. Com os países andinos, a Guiana e o Suriname, o aumento foi de 54%.

Um parceiro comercial da maior importância é a China. As exportações brasileiras saltaram de US$ 2,5 bilhões em 2002 para US$ 4,5 bilhões em 2003 (um aumento de 79%). Em agosto de 2004, as exportações já haviam chegado a US$ 3,8 bilhões. Segundo estimativas chinesas, o comércio bilateral poderá alcançar a cifra de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos.

Todos esses resultados dão razão para otimismo. Prosseguiremos empenhados nas três frentes negociadoras, ainda inconclusas, com maior potencial de ampliação de nossas oportunidades comerciais: a Rodada de Doha da OMC, as conversações entre o Mercosul e a União Européia e os trabalhos para a conformação da ALCA, de forma equilibrada, buscando abrir mercados sem perda de autonomia decisória.

Fim do conteúdo da página