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O Ministério das Relações Exteriores apresenta ao público o projeto Brasil em Concerto, desenvolvido para promover a música brasileira de concerto no exterior. O projeto, que vem sendo elaborado pelo Itamaraty desde o início de 2017, tem por objetivo suprir uma grande lacuna na difusão internacional do repertório brasileiro de música de concerto: a escassez de gravações de qualidade que permitam ao público conhecer as principais obras dos compositores brasileiros.

Nesta primeira fase, o projeto dedica-se à música orquestral: serão gravadas cerca de 100 obras do repertório sinfônico nacional, de compositores dos séculos XIX, XX e XXI. Para esse fim, foram convidadas a participar três renomadas orquestras do país: a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (OFMG) e a Orquestra Filarmônica de Goiás (OFG). A distribuição e comercialização internacional se farão em parceria com o selo Naxos, atualmente o maior selo independente de música clássica do mundo.

O projeto teve início em 2018 em Belo Horizonte, com a gravação, pela OFMG e o maestro Fabio Mechetti, de obras do cearense Alberto Nepomuceno (1864-1920). O CD foi lançado internacionalmente em fevereiro de 2019, e outros títulos deverão ser lançados também no próximo ano. A OFG, dirigida pelo maestro Neil Thomson, já gravou cinco das 14 sinfonias de Cláudio Santoro (1919-1989). Em março de 2019, é a vez de a OSESP iniciar sua participação, com a gravação do primeiro volume dos Choros de Camargo Guarnieri (1907-1993), com solistas da orquestra e regência do maestro convidado Isaac Karabtchevsky.

A seleção das obras a serem gravadas foi feita pelo Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores em conjunto com os diretores artísticos das três orquestras. Embora o projeto tenha sido concebido primariamente para difundir a música brasileira no exterior, buscou-se também, durante a sua elaboração, atender a uma necessidade crônica de resgate desse repertório no Brasil. Muitas obras de fundamental importância histórica para a música brasileira nunca receberam registro fonográfico e nem mesmo foram editadas até hoje, o que impede o seu conhecimento e execução até mesmo por orquestras brasileiras. Assim, foram priorizadas obras que nunca foram gravadas anteriormente ou que foram registradas apenas no Brasil, mas em condições nem sempre ideais. O projeto representará, dessa forma, um ganho também para o público brasileiro, que poderá finalmente apreciar criações que figuram entre as mais importantes da cultura nacional.

O projeto também promoverá, em outra vertente, a edição das partituras dessas mesmas obras, o que permitirá a orquestras do Brasil e do mundo executar essas mesmas obras. Nesse ponto, outras importantes instituições brasileiras fornecerão valioso apoio ao projeto. É o caso, por exemplo, do Museu Villa-Lobos, que tem atuado na pesquisa e fornecimento de material de obras do compositor. A Academia Brasileira de Música participará igualmente do projeto com a produção de textos musicológicos sobre as obras gravadas e preparando edições de importantes obras do repertório nacional que se encontravam até recentemente no manuscrito, como é o caso, atualmente, das obras de Almeida Prado que serão gravadas em maio de 2019 pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Algumas das obras a serem gravadas serão editadas também pela Editora da OSESP.

Resumo do projeto:

• Três orquestras sinfônicas, coros e solistas vocais e instrumentais
• Cerca de 30 álbuns a serem gravados até 2023
• Cerca de 100 obras sinfônicas brasileiras dos séculos XIX, XX e XXI, muitas delas em primeira gravação mundial
• Doze compositores representados: Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, Henrique Oswald, Villa-Lobos, Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez, Camargo Guarnieri, José Siqueira, Guerra-Peixe, Cláudio Santoro, Edino Krieger e Almeida Prado
• Todas as obras a serem gravadas passarão por edição e revisão musicológica, e ficarão disponíveis para execução por orquestras do Brasil e do mundo
Alguns destaques do projeto:
• A primeira gravação integral das 14 sinfonias de Cláudio Santoro (1919-1989), o mais importante conjunto de sinfonias de autoria de um compositor brasileiro, das quais até hoje apenas cinco haviam sido gravadas em disco
• A primeira gravação completa da série dos sete Choros para instrumento solista e orquestra de Camargo Guarnieri (1907-1993)
• As aberturas e prelúdios das óperas de Carlos Gomes (1836-1896), obras fundamentais do repertório das orquestras brasileiras, mas nunca lançadas em sua totalidade no mercado internacional
• O oratório Candomblé, de José Siqueira (1907-1985), para seis cantores solistas, dois coros mistos, coro infantil, conjunto de percussão e grande orquestra, em obra de mais de uma hora de duração
• Obras de Almeida Prado (1943-2010) para coro e orquestra, como Pequenos Funerais Cantantes, sobre poemas de Hilda Hilst, e para piano e orquestra, como Aurora, várias delas no manuscrito até hoje

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