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A Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico (CGPH) publica neste Espaço da Memória informações sobre as obras que podem ser apreciadas no percurso da visita cívica.

Duas Amigas


“Duas figuras femininas jovens, mas, de corpo inteiro, em posição frontal, uma ao lado da outra. Rostos idênticos, de feições clássicas, ovalados e levemente inclinados. Ambas têm cabelo lisos, presos no alto da cabeça, pescoços longos e corpos com inclinações nos quadris. Cada uma delas sustenta, com a mão direita, um véu que lhes cai em drapeados, na frente, abaixo do púbis e atrás, sob as nádegas. A figura à direita tem a perna direita flexionada e o calcanhar levantado, estando o pé esquerdo em ângulo. Base em bronze. Pedestal em granito apicoado. Na base, assinatura ‘CESCHIATTI’, na lateral, ‘FUNDIÇÃO ZANI RIO’ “

Técnica e precisa, a descrição do IPHAN da escultura feita por Alfredo Ceschiatti para o Salão Nobre (jardim superior) do Palácio Itamaraty, não menciona o gosto do artista pela figura feminina, presente em várias de suas obras. Realizada em 1966, o escultor tencionava fazê-la em bronze com polimento dourado. O Embaixador Wladimir Murtinho, que atuava como curador-chefe no projeto de ambientação do Palácio, no entanto, orientou a deixar capa de pátina mais sóbria, de maneira a não chocar com outra escultura polida no mesmo espaço.

Obra Duas Amigas, bronze fundido polido


Alfredo Ceschiatti (1 de setembro de 1918 – 25 de agosto de 1989)

Nascido em Belo Horizonte, filho de pais italianos, encontrou no país de seus ancestrais parte de sua inspiração. Da primeira viagem à Itália (1938-1940) trouxe a paixão pelo Renascimento, em especial por Michelangelo. Talvez daí tenha trazido as formas curvilíneas e arredondadas das mulheres em suas obras, bem como a preocupação com o panejamento.

Essa influência explica também o caráter quase sempre monumental de suas obras. Cada escultura lhe tomava de dois a três meses, do primeiro estudo até a fundição, feita por ajudantes especializados.


“Penso muito no local onde ela vai ficar, é meu ponto de partida e prefiro as grandes peças ao ar livre, onde se tem mais possibilidade de explorar planos, sombras, luzes. (...) Acho que escultura não deve ser um objetozinho de decoração. Tem que ter um sentido mais monumental.”

A prolífica colaboração com Oscar Niemeyer iniciou-se em 1943, no projeto do Complexo da Pampulha. Ceschiatti ficou responsável pelo baixo-relevo da Igreja de São Francisco de Assis, inspirando-se na Capela Sistina. Por essa obra recebeu o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro. Para o complexo, esculpiu também "O Abraço", trabalho que apenas foi exposto no jardim da Pampulha anos mais tarde.

O escultor permaneceu na Europa até 1948, em especial na França e na Itália. No seu retorno fez a primeira exibição individual no Instituto de Arquitetos do Brasil. Na década seguinte participou da Bienal de São Paulo em 1953 e 1955, e do II Salão Nacional de Arte Moderna.

Retoma a parceria com o amigo Niemeyer na construção de Brasília, tornando-se um de seus principais colaboradores. Escultor e arquiteto compartilhavam o apreço pelas curvas femininas:

“Como dois bons amigos, vamos caminhando pela vida. Eu, absorvido pela arquitetura, inventando formas, brincando com o concreto armado; ele, a fazer suas esculturas. Essas mulheres lindas, barrocas, cheias de curvas. Como gosto de vê-las.”


Ceschiatti lecionou como Professor na Universidade de Brasília, de 1963 a 1965.

Além da escultura em destaque, outra obra do artista integra o acervo do Ministério das Relações Exteriores, encontra-se também no Palácio, a escultura Eva, originalmente adquirida para a embaixada brasileira em Moscou.

Eva
Foto: Arthur Max / DCOM

 

Outras obras de Ceschiatti em Brasília:

o No Supremo Tribunal Federal: Cristo e a Justiça.
o No Teatro Nacional: a Contorcionista.
o Na Câmara dos Deputados: Fragmento de Anjo.
o No Senado Federal: a Banhista.
o No Palácio da Alvorada: Flora, Tanagra e Banhista.
o No Palácio do Jaburu: Leda e o Cisne.
o Na Catedral: Os anjos e Os Evangelistas
o Na UnB: Deusa Athena

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