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  • Cassação de direitos do governador de Miranda (Venezuela)

    O governo brasileiro lamenta a decisão da Controladoria-Geral da República Bolivariana da Venezuela de privar o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, do direito de exercer funções públicas por um período de 15 anos. Trata-se de mais uma grave violação pelas autoridades venezuelanas das garantias e liberdades fundamentais.

    O governo brasileiro reitera o chamado dos Estados Partes do Mercosul para que seja restaurada a plena vigência das instituições democráticas na Venezuela.

  • Modernización de la legislación laboral brasileña (El Observador, Uruguai, 22/08/2017) [Espanhol]

    Hadil da Rocha Vianna, Embajador de Brasil en Uruguay

    Para los brasileños, el interés uruguayo por los temas domésticos del Brasil siempre constituyó una evidencia de los sólidos lazos de amistad, económicos y culturales que unen nuestras naciones. En ese marco, parece natural que la reforma laboral actualmente en curso en Brasil despierte especial atención en este país.

    El gobierno brasileño ha hecho un esfuerzo especial para aprobar reformas que posibiliten la modernización de la economía, con creación de más y mejores empleos, al mismo tiempo que asegura los derechos de los trabajadores.

    El día 13 de julio de 2017 fue sancionada por el presidente de la República la Ley 13.467, que trata sobre la modernización de la legislación laboral brasileña. El proyecto, que nació de un amplio debate que involucró al Poder Ejecutivo y a entidades sindicales y patronales, fue perfeccionado y finalmente soberanamente aprobado por amplia mayoría en ambas cámaras del Congreso Nacional.

    La legislación anterior fue promulgada en los años 40, cuando Brasil era un país con una economía predominantemente rural. Las relaciones de trabajo se modificaron de forma significativa desde entonces, reflejando las transformaciones de la propia actividad económica de las últimas décadas. Normas obsoletas, principalmente en momentos de crisis, inhiben contrataciones y estimulan la informalidad, además de contribuir al estancamiento de la productividad. Actualmente, Brasil se encuentra en proceso de recuperación de la peor recesión de su historia, con 13,5 millones de desempleados y aproximadamente 45 millones de personas que trabajan informalmente.

    La nueva legislación confiere al sistema jurídico brasileño las herramientas necesarias para hacer frente a las demandas de la economía contemporánea, estableciendo regímenes compatibles y extendiendo la protección jurídica a situaciones propias de esa economía. Con eso, se estimula la contratación y la formalización. Al mismo tiempo, permanecen preservados los derechos laborales previstos en la Constitución Federal, tales como: seguro de desempleo, el Fondo de Garantía por Tiempo de Servicio, salario mínimo, decimotercer sueldo (aguinaldo), descanso semanal remunerado, licencia paga de 30 días, licencia por maternidad y paternidad, y el aviso previo proporcional al tiempo de trabajo.

    Uno de los avances de la ley 13.467 es la reglamentación de las modalidades de trabajo que no se encuadran en la jornada típica de 8 horas diarias y 44 semanales. El trabajo a distancia (o "home office"), el trabajo intermitente (relativo a sectores con demanda variable, como el de eventos), el trabajo en régimen parcial (utilizado por grupos que buscan complementación de ingresos, como adultos mayores y jóvenes) y el trabajo en jornada especial de 12x36 horas (ya utilizado por policías, bomberos, enfermeros y guardias de seguridad) pasan ahora a estar reglamentados, lo que garantiza a esos trabajadores mayor protección jurídica, incentiva la formalización y reduce los litigios en la justicia.

    Otro aspecto central de la modernización es la valorización de las convenciones y acuerdos colectivos entre sindicatos y empleadores, privilegiando lo negociado sobre lo legislado. Se busca, con esto, permitir que cada categoría negocie, de forma colectiva, términos que concilien calidad de empleo y aumento de la productividad.

    Incluye también importantes medidas para la disminución de la burocracia, que contribuyen a la reducción de costos y al aumento de la eficiencia, tales como: posibilidad de finalizar el contrato de trabajo por mutuo acuerdo; fin de la obligatoriedad de homologar la rescisión contractual por parte del sindicato o del Ministerio de Trabajo; creación del proceso de jurisdicción voluntaria para la homologación del acuerdo extrajudicial; y penalización de los litigios por mala fe.

    Se trata de una amplia reforma, necesaria y fundamental, que busca ajustar la legislación laboral brasileña a las relaciones de trabajo vigentes en la economía del siglo XXI, respetando y promoviendo los derechos del trabajador, y en estricto respeto a los compromisos asumidos bilateralmente o en el ámbito del Mercosur y de otros foros internacionales.

    En ese contexto, el gobierno brasileño tiene la seguridad de que el proceso de modernización en curso permitirá enfrentar adecuadamente los desafíos propios de la realidad brasileña, impuestos por la crisis que afecta al Brasil desde hace algunos años. Los resultados de este proceso contribuirán decisivamente al fortalecimiento de la estructura económica y social del país.

  • "Agrément" granted to the Ambassador of Brazil in Burundi

    The Brazilian Government has the satisfaction to announce that the Government of the Republic of Burundi has granted its agrément to Mrs. Marcela Maria Nicodemos as the Non-Resident Ambassador Extraordinary and Plenipotentiary of Brazil.

    Brazil and Burundi have held diplomatic relations since 1980.


    More on the bilateral relations Brazil-Burundi

  • 24ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU - Pronunciamento da Embaixadora do Brasil, Maria Nazareth Farani Azevêdo - Genebra, 20 de setembro de 2013

    Senhor Presidente,

    Minha delegação gostaria de agradecer à Alta Comissária por sua apresentação de hoje. O ano de 2013 tem sido desafiador para a comunidade internacional e para o Conselho de Direitos Humanos. Situações de violações de direitos humanos em larga escala têm requerido uma resposta comum de modo a proteger civis e promover a paz e o respeito ao Direito Internacional.

    É nossa responsabilidade lidar de modo eficaz com essas situações. Também é, porém, nossa responsabilidade comum fazê-lo de maneira que reforce a legitimidade e a credibilidade das Nações Unidas e deste Conselho.

    Isto significa que nossas estratégias e decisões precisam estar fortemente ancoradas no Direito Internacional, de modo imparcial, sem seletividade e livre de toda politização inadequada.

    Senhor Presidente,

    O Brasil continua a acompanhar atentamente e com grande preocupação a escalada trágica da violência na Síria. Concordamos com a Alta Comissária que as alegações de uso de armas químicas – fortemente condenado, pelo Brasil, como ato hediondo – são "excepcionalmente graves" e precisam ser investigadas "como questão da mais alta urgência".

    É necessário disponibilizar à missão investigativa das Nações Unidas o tempo necessário para apresentar suas conclusões.

    Apoiamos a Sra. Pillay em seu clamor "para todas as partes que interrompam imediatamente as hostilidades e permitam acesso à ajuda humanitária e a suprimentos médicos básicos, de modo a evitar novas mortes desnecessárias".

    Reiteramos, também, nossa firme convicção de que não há solução militar para o conflito. Qualquer militarização adicional – seja por suprimento externo de armamentos às partes ou pelo uso da força – intensificará a espiral de violência e causará mais sofrimento.

    Reiteramos, ademais, ser o uso da força medida de último recurso e, exceto para autodefesa, como constante na Carta das Nações Unidas, requer autorização do Conselho de Segurança.

    Qualquer intervenção militar externa dissonante da Carta somente resultará em maior instabilidade.

    O Brasil continua a apoiar firmemente a realização de uma segunda Conferência de Genebra como o modo mais eficaz para a comunidade internacional auxiliar o povo sírio na concretização de suas aspirações legítimas por paz, liberdade e prosperidade.

    Senhor Presidente,

    Os horrores da Síria não nos devem fazer desconsiderar outras situações que requerem nossa atenção constante. Nas últimas semanas observamos desenvolvimentos importantes no processo de paz israelo-palestino.

    Apoiamos os esforços de mediação liderados pelo Secretário de Estado norte-americano e esperamos que resulte na realização completa e aguardada da solução de dois Estados. Temos confiança de que as partes manterão seu compromisso com a construção da paz.

    Também observamos, com satisfação, a decisão de Israel de libertar prisioneiros palestinos, gesto que demonstra participação construtiva.

    Ao mesmo tempo, preocupamo-nos com a continuidade dos assentamentos, que são prejudiciais aos atuais esforços diplomáticos.

    Senhor Presidente,

    O Brasil também observa atentamente a situação no Egito.

    Defendemos o diálogo e a conciliação de modo a que as aspirações legítimas do povo egípcio por liberdade, democracia e prosperidade possam ser cumpridas sem violência, com respeito aos direitos humanos e com o pleno restabelecimento da ordem democrática.

    Por fim, gostaria de chamar a atenção deste Conselho para a importância da proteção e respeito ao direito à privacidade em todos os meios de comunicação.

    O Brasil está seriamente preocupado com o uso de programas secretos de monitoramento, cujos alcance e falta de salvaguardas apropriadas podem violar os direitos humanos.

    Trata-se de assunto que requer especial atenção e decisão. O Direito Internacional dos Direitos Humanos é claro nesse aspecto. O artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o artigo 17 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos estabelece de modo inequívoco que ninguém estará sujeito a interferências arbitrárias em sua vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência e que toda pessoa tem o direito à proteção da lei contra tais ingerências.

    Essas ingerências, quando ocorrem, afetam não somente o direito à privacidade. Como já assinalou a Alta Comissária (Navi Pillay), quando o direito à privacidade está em questão, tanto o direito ao acesso à informação, quanto a liberdade de expressão são igualmente colocados em risco.

    O Relator Especial das Nações Unidas sobre direito à liberdade de opinião e expressão ressalta, em seu último relatório, que "privacidade e liberdade de expressão estão interligadas e são mutuamente dependentes; uma violação de um pode ser tanto a causa quanto a consequência da violação do outro".

    Em suas conclusões, o relator assinala a "urgente necessidade de se estudar de modo detido as novas modalidades de monitoramento e rever as leis que regulamentam essas práticas, em consonância com os padrões de direitos humanos estabelecidos".

    São múltiplas as implicações dessa questão. Elas dizem respeito diretamente à essência do nosso mandato. O Conselho de Direitos Humanos deve assumir sua responsabilidade e encontrar uma resposta com credibilidade, ao amparo do Direito Internacional dos Direitos Humanos.

    Obrigada, Senhor Presidente.

  • Ação contra manifestantes em Hama, Síria

    O Governo brasileiro recebeu com indignação a notícia da repressão a manifestantes em Hama, Síria, nos últimos dois dias, responsável pela morte de mais de uma centena de pessoas.

    Ao lamentar profundamente as mortes ocorridas, o Governo brasileiro reitera o repúdio ao uso da força contra manifestantes civis.

    O Governo brasileiro manifesta preocupação com o não cumprimento pela Síria de compromissos assumidos publicamente no tocante ao direito de manifestação e expressão e insta o Governo sírio a dar seguimento ao processo de diálogo nacional e reforma política com sentido de urgência.

     

  • Adoção da Resolução sobre a Incompatibilidade entre Democracia e Racismo

    O Governo brasileiro registra, com satisfação, a adoção em 2 de julho, por consenso, pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH), em Genebra, de resolução de iniciativa do Brasil sobre a "Incompatibilidade entre democracia e racismo". A resolução reafirma que o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e intolerâncias correlatas violam os direitos humanos e são incompatíveis com a democracia, o Estado de Direito e uma governança transparente e confiável. A resolução também determina a realização, em março de 2016, de painel sobre o tema, visando à identificação dos desafios e das boas práticas existentes.

    A adoção do texto insere-se no contexto da implementação do programa de atividades da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) e dos esforços para conferir efetividade à Declaração e ao Plano de Ação de Durban, adotados durante a III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Intolerâncias Correlatas (2001); ao Documento Final da Conferência de Revisão de Durban (2009); e à Convenção das Nações Unidas para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.

    O Brasil, que possui grande diversidade étnica e racial, incluindo a maior população afrodescendente do mundo, reitera seu compromisso com a promoção da igualdade racial em todas as esferas da vida pública e privada.

  • Agressão policial contra manifestações pacíficas na Venezuela

    O governo brasileiro repudia as agressões da Guarda Nacional Bolivariana contra os parlamentares Juan Requesens e Miguel Pizarro em Caracas, no contexto das manifestações pacíficas realizadas em 4 de junho. Os deputados e outros manifestantes, incluindo menores de idade, foram golpeados com violência por forças públicas bolivarianas.

    O Brasil condena a escalada da repressão na Venezuela e faz apelo ao governo daquele país para que respeite a Constituição de 1999 e deixe de cercear liberdades civis e políticas. Solução definitiva para a crise por que passa o país vizinho somente resultará da observância estrita aos princípios do Estado Democrático de Direito.

  • Alocução do ministro Aloysio Nunes na reunião da Aliança Global para por fim ao comércio de bens utilizados para pena capital e tortura – Nova York, 18 de setembro de 2017 [Francês]

    C'est un honneur de pouvoir rejoindre tous les participants lors du lancement de l'Alliance mondiale pour un commerce sans torture.

    Je voudrais particulièrement féliciter l'Union européenne et les gouvernements de l'Argentine et de la Mongolie pour avoir convoqué cette réunion.

    C'est avec enthousiasme que le Brésil a décidé de participer à cette importante initiative.

    La peine de mort et la torture affrontent la conscience humaine.

    En plus d'être contraires à la dignité humaine, raison suffisante pour leur proscription, ces mesures sont également contre-productives et inefficaces en tant qu’instruments de la justice pénale.

    Ces pratiques, admises ou non par les législations nationales, ne sont jamais une garantie de stabilité et de paix sociale. Au contraire, elles génèrent plus d'injustice et attestent la faillite des normes de civilisation qui devraient guider les relations sociales.

    La torture, les traitements cruels, inhumains ou dégradants et la peine de mort sont des pratiques déshumanisantes. Ils sont des attaques contre l'individu et la société. Ils constituent des mesures anachroniques inacceptables à la lumière du cadre international des traités relatifs aux droits de l'homme actuellement en vigueur. Ce sont des pratiques qui doivent pour toujours se limiter aux livres d'histoire.

    L'abolition dans la pratique de la peine de mort et l'interdiction absolue de la torture sont des valeurs partagées par le peuple brésilien et inscrites dans notre Constitution Fédérale. Nous sommes donc partie à la Convention contre la torture et au deuxième Protocole facultatif se rapportant au Pacte international relatif aux droits civils et politiques.

    Si nous sommes déterminés à empêcher ces pratiques au niveau national - et défendons leur élimination à l'échelle mondiale -, il n’y a pas de raison de tolérer le libre échange international des biens utilisés spécifiquement pour leur réalisation.

    C'est un impératif éthique d'empêcher nos pays d'exporter des biens destinés à la pratique de la torture et de la peine de mort. Nous sommes couverts par les normes du système commercial international; spécifiquement l'article XX de l’Accord Général sur les Tarifs Douaniers et le Commerce (GATT).

    L’alliance que nous lançons aujourd’hui va propulser cet objectif par moyen du dialogue. Elle va promouvoir l’adoption de législations et de systèmes efficients en faveur de la restriction et de l’élimination du commerce de produits employés dans la peine de mort et la torture, par moyen de la coopération international et de l’échange de bonnes pratiques administratives et législatives.

    On ne peut pas aller en contre de la peine de mort et la torture et continuer à fermer les yeux sur le commerce des biens employés dans ces pratiques. La protection et la promotion des droits de l’homme requièrent non seulement des discours, mais aussi des actions, menées avec détermination et courage. Cela exige, également, de la cohérence, si nous voulons assurer que les compromis assumés dans les traités auxquels nous sommes parties aient des conséquences pratiques.

    Certaines données nous permettent de rester optimistes. Plus de cent soixante membres des Nations Unies ont aboli la peine de mort, ne l’appliquent pas ou ont instauré une moratoire sur son application. Le nombre de pays ayant ratifié la Convention contre la Torture monte déjà à cent soixante-deux.

    Il y a encore beaucoup de travail à faire, mais je suis convaincu que le lancement de cet Alliance Global constitue un pas dans la bonne direction. Vous pouvez conter sur le ferme soutien et l’engagement du Brésil dans cette noble cause.

    Merci beaucoup.

  • Aprovação de Resolução da 24ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos sobre Direito à Saúde

    A 24ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos aprovou por consenso, no último dia 26 de setembro, resolução apresentada pelo Brasil que renova, por mais três anos, o mandato do Relator Especial, Sr. Anand Grover, sobre o Direito de Todos de Desfrutar do Mais Alto Nível Possível de Saúde Física e Mental (The right of everyone to the enjoyment of the highest attainable standard of physical and mental health).
    O Brasil tem participado ativamente da discussão do Direito à Saúde desde o estabelecimento da Relatoria Especial sobre o tema em 2002. A aprovação dessa nova resolução permitirá à comunidade internacional aprofundar a discussão sobre a interconexão entre direitos humanos e saúde.

    O Governo brasileiro reitera seu compromisso em trabalhar conjuntamente com o Relator Especial de forma a avançar na realização do direito humano à saúde para todos.

     

  • Assinatura de Memorandos de Entendimento bilaterais para o Intercâmbio de Documentação para o Esclarecimento de Graves Violações aos Direitos Humanos

    Os ministros de Estado das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, avaliam como extremamente positiva assinatura pelo Brasil, Argentina e Uruguai dos Memorandos de Entendimento bilaterais para o Intercâmbio de Documentação para o Esclarecimento de Graves Violações aos Direitos Humanos assinados nesta quarta-feira (29), em Havana (Cuba), durante a reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos – CELAC.

    Os Memorandos estabelecem um marco jurídico e institucional para a cooperação do Brasil com Argentina e Uruguai, com vistas ao resgate da memória e da verdade sobre Direitos Humanos. No Brasil, o acordo deverá auxiliar as atividades da Comissão Nacional da Verdade. Toda informação contida em qualquer meio ou tipo documental, produzida, recebida e conservada por qualquer organização estará à disposição.

    Na avaliação do Governo brasileiro, esse acordo representa um fundamental avanço para elucidação de períodos históricos recentes desses três países, que permitirá o esclarecimento de fatos, contribuindo decisivamente para o fortalecimento da democracia.


    MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A REPÚBLICA ARGENTINA PARA O INTERCÂMBIO DE DOCUMENTAÇÃO PARA O ESCLARECIMENTO DE GRAVES VIOLAÇÕES AOS DIREITOS HUMANOS

    A República Federativa do Brasil e a República Argentina (doravante denominadas "as Partes"),

    Com o desejo de criar um marco para a cooperação e o intercâmbio de documentação para pesquisas que permitam o esclarecimento de graves violações aos direitos humanos, ocorridas durante as ditaduras que assolaram ambos os países no passado recente.

    Considerando:

    A importância que ambas as Partes atribuem à obtenção de documentos que permitam o esclarecimento de atos de violação de direitos humanos no passado recente, bem como a cooperação histórica em matéria de esclarecimento de casos de desaparecimento forçado de pessoas e outras violações graves dos direitos humanos;

    Que o presente Memorando de Entendimento se articula com os trabalhos que ambos os países desenvolvem no âmbito da Reunião de Altas Autoridades de Direitos Humanos e Chancelarias do MERCOSUL, especificamente nos trabalhos que já estão sendo realizados no marco do Grupo Técnico para a obtenção de dados e pesquisa de arquivos das coordenações repressivas do Cone Sul;

    Chegaram ao seguinte entendimento:

    Artigo 1
    Definições gerais
    1. No marco do presente Memorando de Entendimento:
    a) Por "Autoridade Competente" entende-se:
    - No caso da República Federativa do Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em coordenação com o Ministério da Justiça e com o Ministério das Relações Exteriores;
    - No caso da República Argentina, o Ministério das Relações Exteriores e Culto da Nação, em coordenação com a Secretaria de Direitos Humanos da Nação.
    b) Por "documentação" entende-se toda informação contida em qualquer meio ou tipo documental, produzida, recebida e conservada por qualquer organização ou pessoa no exercício de suas competências ou no desempenho de sua atividade;
    c) Por "Parte Requerida" entende-se a Parte do presente Memorando de Entendimento à qual se solicitará a documentação;
    d) Por "Parte Requerente" entende-se a Parte do presente Memorando de Entendimento que enviará um pedido de informação.
    2. No que se refere à aplicação do presente Memorando de Entendimento, qualquer termo não definido no mesmo terá, a menos que o contexto exija interpretação diferente, o significado que lhe atribuir a legislação vigente do Estado Parte.
    3. As Autoridades Competentes poderão delegar a outros organismos do Estado a gestão de ações vinculadas à implementação do presente Memorando de Entendimento.

    Artigo 2
    Objeto
    1. As Partes, por intermédio das Autoridades Competentes, prestarão assistência e cooperação mútua mediante o intercâmbio de documentação relevante para a investigação e esclarecimento das graves violações às quais se refere o presente Memorando de Entendimento, promovendo e fomentando a cooperação entre as instituições de ambos os países que conservem arquivos relativos ao objeto do presente Memorando de Entendimento, com o propósito de contribuir para o processo de reconstrução histórica da memória, verdade e justiça.
    2. Exclui-se do presente Memorando de Entendimento toda informação que as Partes puderem solicitar dentro dos parâmetros estabelecidos pelos Convênios entre a República Argentina e a República Federativa do Brasil sobre assistência penal.

    Artigo 3
    Formalização dos pedidos
    1. A formulação dos pedidos deve obedecer aos requisitos estabelecidos de comum acordo pela Comissão Técnica Mista a que se refere o artigo 6 do presente Memorando de Entendimento.
    2. A Autoridade Competente da Parte Requerida será a única responsável em determinar os meios para reunir a informação e coordenar a atividade administrativa necessária a esse fim, sendo necessário pedido prévio, por escrito, da Autoridade Competente da Parte Requerente.
    3. O pedido transmitido por fax, correio eletrônico ou similar deverá ser confirmado por documento original assinado pela Autoridade Competente da Parte Requerente no decorrer dos quinze dias seguintes a sua formulação, de acordo com o estabelecido por este Memorando de Entendimento.
    4 Se a Autoridade Competente da Parte Requerida não puder obter ou tiver impedimento formal para fornecer a documentação solicitada, informará imediatamente à Parte Requerente, explicitando as razões dessa impossibilidade.

    Artigo 4
    Exceção para a tramitação de pedidos
    1. A Parte Requerida estará isenta de sua obrigação de fornecer documentação quando:
    a) A documentação não estiver em poder de suas autoridades;
    b) O pedido não se realizar conforme o estipulado no Artigo 3 do presente Memorando de Entendimento;
    c) A entrega da documentação for contrária à legislação interna da Parte Requerida, em particular por razões de segurança, ordem pública ou interesse nacional, conforme determine o Estado requerido.
    2. Sem prejuízo do estipulado no inciso anterior, as autoridades competentes comprometem-se pelo presente Memorando de Entendimento a realizar todas as ações possíveis com vistas a prover informação útil para o esclarecimento de graves violações aos direitos humanos, por intermédio das vias administrativas, judiciais e/ou legislativas disponíveis.

    Artigo 5
    Sigilo
    A Autoridade Competente da Parte Requerida poderá solicitar que a documentação que se produza e/ou se troque em virtude do cumprimento do presente Memorando de Entendimento tenha caráter sigiloso, pelo prazo determinado de comum acordo entre as Partes para cada caso, observada a legislação de cada uma das Partes.

    Artigo 6
    Comissão Técnica Mista
    1. Com o objetivo de estabelecer um canal permanente e fluido de comunicação que facilite o intercâmbio da documentação objeto do presente Memorando de Entendimento, será formada uma Comissão Técnica Mista, que ficará encarregada da interpretação, do acompanhamento, da avaliação e da administração de todas as gestões efetuadas entre as Partes.
    2. A referida Comissão Técnica Mista será integrada por representantes designados pelas Autoridades Competentes e seu funcionamento será regulado de comum acordo pelos procedimentos definidos pelas autoridades competentes para tal fim.

    Artigo 7
    Custos administrativos
    1. A Parte requerida assumirá os gastos de execução do pedido. A Parte requerente pagará os gastos extraordinários que venham a decorrer da assistência prestada. Este Memorando de Entendimento não ocasionará qualquer transferência de fundos de uma das Partes à outra nem qualquer atividade que possa representar encargo para além das atividades regularmente desenvolvidas pelas autoridades competentes.
    2. As Partes deverão estabelecer um procedimento prévio de consulta referente aos custos operacionais para o cumprimento de cada pedido, com o objetivo de acordar antecipadamente a forma de cobertura dos gastos demandados.

    Artigo 8
    Memorandos complementares
    Quando for necessário, as Partes poderão aprofundar e ampliar os compromissos assumidos no presente Memorando de Entendimento por meio de memorandos complementares.

    Artigo 9
    Solução de controvérsias
    As controvérsias que surgirem entre as Partes em razão da aplicação ou interpretação das disposições contidas no presente Memorando de Entendimento serão resolvidas mediante negociações diplomáticas diretas, podendo requerer-se, para tanto, a colaboração da Comissão Técnica
    Mista estabelecida no marco do presente Memorando de Entendimento.

    Artigo 10
    Entrada em Vigor
    O presente Memorando de Entendimento entrará em vigor na data de sua assinatura.
    Este Memorando de Entendimento poderá ser denunciado por qualquer das Partes por meio de uma notificação escrita dirigida à outra Parte por via diplomática em que se manifeste a intenção de denunciá-lo. A denúncia terá efeito 90 dias após o recebimento da referida notificação.
    Não obstante, a denúncia do presente Memorando de Entendimento não implicará na interrupção das atividades que se encontram em andamento em virtude do mesmo, salvo se as Partes assim decidirem expressamente por escrito de comum acordo.


    MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A REPÚBLICA ORIENTAL DO URUGUAI PARA O INTERCÂMBIO DE DOCUMENTAÇÃO PARA O ESCLARECIMENTO DE GRAVES VIOLAÇÕES AOS DIREITOS HUMANOS

    A República Federativa do Brasil e a República Oriental do Uruguai (doravante denominadas "as Partes"),

    Com o desejo de criar um marco para a cooperação e o intercâmbio de documentação para pesquisas que permitam o esclarecimento de graves violações aos direitos humanos, ocorridas durante as ditaduras que assolaram ambos os países no passado recente.

    Considerando:

    A importância que ambas as Partes atribuem à obtenção de documentos que permitam o esclarecimento de atos de violação de direitos humanos no passado recente, bem como a cooperação histórica em matéria de esclarecimento de casos de desaparecimento forçado de pessoas e outras violações graves dos direitos humanos;

    Que o presente Memorando de Entendimento se articula com os trabalhos que ambos os países desenvolvem no âmbito da Reunião de Altas Autoridades de Direitos Humanos e Chancelarias do MERCOSUL, especificamente nos trabalhos que já estão sendo realizados no marco do Grupo Técnico para a obtenção de dados e pesquisa de arquivos das coordenações repressivas do Cone Sul;

    Chegaram ao seguinte entendimento:

    Artigo 1
    Definições gerais
    1. No marco do presente Memorando de Entendimento:
    a) Por "Autoridade Competente" entende-se:
    - No caso da República Federativa do Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em coordenação com o Ministério da Justiça e com o Ministério das Relações Exteriores;
    - No caso da República Oriental do Uruguai, o Ministério das Relações Exteriores, em coordenação com a Secretaria de Direitos Humanos para o Passado Recente da Presidência da República.
    b) Por "documentação" entende-se toda informação contida em qualquer meio ou tipo documental, produzida, recebida e conservada por qualquer organização ou pessoa no exercício de suas competências ou no desempenho de sua atividade;
    c) Por "Parte Requerida" entende-se a Parte do presente Memorando de Entendimento à qual se solicitará a documentação;
    d) Por "Parte Requerente" entende-se a Parte do presente Memorando de Entendimento que enviará um pedido de informação.
    2. No que se refere à aplicação do presente Memorando de Entendimento, qualquer termo não definido no mesmo terá, a menos que o contexto exija interpretação diferente, o significado que lhe atribuir a legislação vigente do país Parte.
    3. As Autoridades Competentes poderão delegar a outros organismos do Estado a gestão de ações vinculadas à implementação do presente Memorando de Entendimento.

    Artigo 2
    Objeto
    1. As Partes, por intermédio das Autoridades Competentes, prestarão assistência e cooperação mútua mediante o intercâmbio de documentação relevante para a investigação e esclarecimento das graves violações às quais se refere o presente Memorando de Entendimento, promovendo e fomentando a cooperação entre as instituições de ambos os países que conservem arquivos relativos ao objeto do presente Memorando de Entendimento, com o propósito de contribuir para o processo de reconstrução histórica da memória, verdade e justiça.
    2. Exclui-se do presente Memorando de Entendimento toda informação que as Partes puderem solicitar dentro dos parâmetros estabelecidos pelos Convênios entre a República Oriental do Uruguai e a República Federativa do Brasil sobre assistência penal.

    Artigo 3
    Formalização dos pedidos
    1. A formulação dos pedidos deve obedecer aos requisitos estabelecidos de comum acordo pela Comissão Técnica Mista a que se refere o artigo 6 do presente Memorando de Entendimento.
    2. A Autoridade Competente da Parte Requerida será a única responsável em determinar os meios para reunir a informação e coordenar a atividade administrativa necessária a esse fim, sendo necessário pedido prévio, por escrito, da Autoridade Competente da Parte Requerente.
    3. O pedido transmitido por fax, correio eletrônico ou similar deverá ser confirmado por documento original assinado pela Autoridade Competente da Parte Requerente no decorrer dos quinze dias seguintes a sua formulação, de acordo com o estabelecido por este Memorando de Entendimento.
    4. Se a Autoridade Competente da Parte Requerida não puder obter ou tiver impedimento formal para fornecer a documentação solicitada, informará imediatamente à Parte Requerente, explicitando as razões dessa impossibilidade.

    Artigo 4
    Exceção para a tramitação de pedidos
    1. A Parte Requerida estará isenta de sua obrigação de fornecer documentação quando:
    a) A documentação não estiver em poder de suas autoridades;
    b) O pedido não se realizar conforme o estipulado no Artigo 3 do presente Memorando de Entendimento;
    c) A entrega da documentação for contrária à legislação interna da Parte Requerida, em particular por razões de segurança, ordem pública ou interesse nacional, conforme determine o Estado requerido.
    2. Sem prejuízo do estipulado no inciso anterior, as autoridades competentes comprometem-se pelo presente Memorando de Entendimento a realizar todas as ações possíveis com vistas a prover informação útil para o esclarecimento de graves violações aos direitos humanos, por intermédio das vias administrativas, judiciais e/ou legislativas disponíveis.

    Artigo 5
    Sigilo
    A Autoridade Competente da Parte Requerida poderá solicitar que a documentação que se produza e/ou se troque em virtude do cumprimento do presente Memorando de Entendimento tenha caráter sigiloso, pelo prazo determinado de comum acordo entre as Partes para cada caso, observada a legislação de cada uma das Partes.

    Artigo 6
    Comissão Técnica Mista
    1. Com o objetivo de estabelecer um canal permanente e fluido de comunicação que facilite o intercâmbio da documentação objeto do presente Memorando de Entendimento, será formada uma Comissão Técnica Mista, que ficará encarregada da interpretação, do acompanhamento, da avaliação e da administração de todas as gestões efetuadas entre as Partes.
    2. A referida Comissão Técnica Mista será integrada por representantes designados pelas Autoridades Competentes e seu funcionamento será regulado de comum acordo pelos procedimentos definidos pelas autoridades competentes para tal fim.

    Artigo 7
    Custos administrativos
    1. A Parte requerida assumirá os gastos de execução do pedido. A Parte requerente pagará os gastos extraordinários que venham a decorrer da assistência prestada. Este Memorando de Entendimento não ocasionará qualquer transferência de fundos de uma das Partes à outra nem qualquer atividade que possa representar encargo para além das atividades regularmente desenvolvidas pelas autoridades competentes.
    2. As Partes deverão estabelecer um procedimento prévio de consulta referente aos custos operacionais para o cumprimento de cada pedido, com o objetivo de acordar antecipadamente a forma de cobertura dos gastos demandados.

    Artigo 8
    Memorandos complementares
    Quando for necessário, as Partes poderão aprofundar e ampliar os compromissos assumidos no presente Memorando de Entendimento por meio de memorandos complementares.

    Artigo 9
    Solução de controvérsias
    As controvérsias que surgirem entre as Partes em razão da aplicação ou interpretação das disposições contidas no presente Memorando de Entendimento serão resolvidas mediante negociações diplomáticas diretas, podendo requerer-se, para tanto, a colaboração da Comissão Técnica Mista estabelecida no marco do presente Memorando de Entendimento.

    Artigo 10
    Entrada em Vigor
    O presente Memorando de Entendimento entrará em vigor na data de sua assinatura.
    Este Memorando de Entendimento poderá ser denunciado por qualquer das Partes por meio de uma notificação escrita dirigida à outra Parte por via diplomática em que se manifeste a intenção de denunciá-lo. A denúncia terá efeito 90 dias após o recebimento da referida notificação.
    Não obstante, a denúncia do presente Memorando de Entendimento não implicará na interrupção das atividades que se encontram em andamento em virtude do mesmo, salvo se as Partes assim decidirem expressamente por escrito de comum acordo.

  • Ataque a casa noturna em Orlando

    O governo brasileiro recebeu com profunda consternação e indignação a notícia do ataque a casa noturna em Orlando, Flórida, que provocou a morte de mais de 50 pessoas, e deixou dezenas de feridos.

    O Consulado-Geral do Brasil em Miami está em estreito contato com as autoridades locais e com a comunidade brasileira em Orlando. Até o momento, não há notícia de brasileiros entre as pessoas vitimadas pelo ataque.

    Ao transmitir sua solidariedade às famílias das vítimas, ao povo e ao governo norte-americanos, o governo brasileiro reafirma seu mais firme repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo. Nenhuma motivação, nenhum argumento justifica o recurso a semelhante barbárie assassina.

  • Ataque a igreja em Charleston

    O Governo brasileiro deplora e condena firmemente o odioso ataque perpetrado em 17 de junho contra a Igreja Africana Metodista Anglicana Emanuel, na cidade de Charleston, Estados Unidos, em que foram assassinados nove fiéis. Ao fazê-lo, interpreta o sentimento de rechaço de todo o povo brasileiro a atos dessa natureza, que ofendem nossa consciência coletiva. O Governo brasileiro reitera seu mais absoluto repúdio a toda e qualquer forma de racismo.

    O massacre, que faz recordar outros episódios de violência contra comunidades religiosas de maioria negra, evidencia, uma vez mais, as trágicas consequências da intolerância racial e do fácil acesso por particulares a armas de fogo.

    O Governo brasileiro transmite à igreja Emanuel, aos familiares das vítimas e ao povo de Charleston, bem como ao Governo norte-americano, seus sentimentos de solidariedade nesta hora de luto.

  • Ato assinado por ocasião da Visita ao Brasil da Presidenta da República do Chile, Michelle Bachelet Brasília, 12 de junho de 2014

    MEMORANDO DE ENTENDIMENTO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A REPÚBLICA DO CHILE PARA O INTERCÂMBIO DE DOCUMENTAÇÃO PARA O ESCLARECIMENTO DE GRAVES VIOLAÇÕES AOS DIREITOS HUMANOS

     

    A República Federativa do Brasil


    e

    A República do Chile
    (doravante denominadas "as Partes"),


    Com o desejo de criar um marco para a cooperação e o intercâmbio de documentação para pesquisas que permitam o esclarecimento de graves violações aos direitos humanos, ocorridas durante as ditaduras que assolaram ambos os países no passado recente;

    Considerando:

    A importância que ambas as Partes atribuem à obtenção de documentos que permitam o esclarecimento de atos de violação de direitos humanos no passado recente, bem como a cooperação histórica em matéria de esclarecimento de casos de desaparecimento forçado de pessoas e outras violações graves dos direitos humanos;

    Que o presente Memorando de Entendimento se articula com os trabalhos que ambas as Partes desenvolvem no âmbito da Reunião de Altas Autoridades de Direitos Humanos e Chancelarias do MERCOSUL, especificamente nos trabalhos que já estão sendo realizados no marco do Grupo Técnico para a obtenção de dados e pesquisa de arquivos das coordenações repressivas do Cone Sul;

    Chegaram ao seguinte entendimento:

    Artigo 1
    Definições gerais

    1. No marco do presente Memorando de Entendimento:

    a) por "Autoridade Competente" entende-se:

    i) no caso da República Federativa do Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em coordenação com o Ministério da Justiça e com o Ministério das Relações Exteriores;

    ii) no caso da República do Chile, o Programa Continuação Lei nº 19.123 do Ministério do Interior e Segurança Pública, também conhecido como "Programa de Direitos Humanos";

    b) por "documentação" entende-se toda informação contida em qualquer meio ou tipo documental, produzida, recebida e conservada por qualquer organização ou pessoa no exercício de suas competências ou no desempenho de sua atividade;

    c) por "Parte Requerida" entende-se a Parte do presente Memorando de Entendimento à qual se solicitará a documentação;

    d) por "Parte Requerente" entende-se a Parte do presente Memorando de Entendimento que enviará um pedido de informação.

    2. No que se refere à aplicação do presente Memorando de Entendimento, qualquer termo não definido nele terá, a menos que o contexto exija interpretação diferente, o significado que lhe atribuir a legislação vigente da Parte.

    3. As Autoridades Competentes poderão delegar a outros organismos do Estado a gestão de ações vinculadas à implementação do presente Memorando de Entendimento.

    Artigo 2
    Objeto

    As Partes, por intermédio das Autoridades Competentes, prestarão assistência e cooperação mútua mediante o intercâmbio de documentação relevante para a investigação e esclarecimento das graves violações às quais se refere o presente Memorando de Entendimento, promovendo e fomentando a cooperação entre as instituições de ambos os países que conservem arquivos relativos ao objeto do presente Memorando de Entendimento, com o propósito de contribuir para o processo de reconstrução histórica da memória, verdade e justiça.

    Artigo 3
    Formalização dos pedidos

    1. A formulação dos pedidos deve obedecer aos requisitos estabelecidos de comum acordo pela Comissão Técnica Mista a que se refere o artigo 6 do presente Memorando de Entendimento.

    2. A Autoridade Competente da Parte Requerida será a única responsável em determinar os meios para reunir a informação e coordenar a atividade administrativa necessária a esse fim, sendo necessário pedido prévio, por escrito, da Autoridade Competente da Parte Requerente.

    3. O pedido transmitido por fax, correio eletrônico ou similar deverá ser confirmado por documento original assinado pela Autoridade Competente da Parte Requerente no decorrer dos quinze dias seguintes a sua formulação, de acordo com o estabelecido por este Memorando de Entendimento.

    4. Se a Autoridade Competente da Parte Requerida não puder obter ou tiver impedimento formal para fornecer a documentação solicitada, informará imediatamente à Parte Requerente, explicitando as razões dessa impossibilidade.

    Artigo 4
    Exceção para a tramitação de pedidos

    1. A Parte Requerida estará isenta de sua obrigação de fornecer documentação quando:

    a) a documentação não estiver em poder de suas autoridades;

    b) o pedido não se realizar conforme o estipulado no Artigo 3 do presente Memorando de Entendimento;

    c) a entrega da documentação for contrária à legislação interna da Parte Requerida, em particular por razões de segurança, ordem pública ou interesse nacional, conforme determine o Estado requerido.

    2. Sem prejuízo do estipulado no inciso anterior, as autoridades competentes comprometem-se pelo presente Memorando de Entendimento a realizar todas as ações possíveis com vistas a prover informação útil para o esclarecimento de graves violações aos direitos humanos, por intermédio das vias administrativas, judiciais e/ou legislativas disponíveis.

    Artigo 5
    Sigilo

    A Autoridade Competente da Parte Requerida poderá solicitar que a documentação que se produza e/ou se troque em virtude do cumprimento do presente Memorando de Entendimento tenha caráter sigiloso, pelo prazo determinado de comum acordo entre as Partes para cada caso, observada a legislação de cada uma das Partes.

    Artigo 6
    Comissão Técnica Mista

    1. Com o objetivo de estabelecer um canal permanente e fluido de comunicação que facilite o intercâmbio da documentação objeto do presente Memorando de Entendimento, será formada uma Comissão Técnica Mista, que ficará encarregada da interpretação, do acompanhamento, da avaliação e da administração de todas as gestões efetuadas entre as Partes.

    2. A referida Comissão Técnica Mista será integrada por representantes designados pelas Autoridades Competentes e seu funcionamento será regulado de comum acordo pelos procedimentos definidos pelas autoridades competentes para tal fim.

    Artigo 7
    Custos administrativos

    1. A Parte Requerida assumirá os gastos de execução do pedido. A Parte Requerente pagará os gastos extraordinários que venham a decorrer da assistência prestada. Este Memorando de Entendimento não ocasionará qualquer transferência de fundos de uma das Partes à outra nem qualquer atividade que possa representar encargo para além das atividades regularmente desenvolvidas pelas autoridades competentes.

    2. As Partes deverão estabelecer um procedimento prévio de consulta referente aos custos operacionais para o cumprimento de cada pedido, com o objetivo de acordar antecipadamente a forma de cobertura dos gastos demandados.

    Artigo 8
    Memorandos complementares

    Quando for necessário, as Partes poderão aprofundar e ampliar os compromissos assumidos no presente Memorando de Entendimento por meio de memorandos complementares.

    Artigo 9
    Solução de controvérsias

    As controvérsias que surgirem entre as Partes em razão da aplicação ou interpretação das disposições contidas no presente Memorando de Entendimento serão resolvidas mediante negociações diplomáticas diretas, podendo requerer-se, para tanto, a colaboração da Comissão Técnica Mista estabelecida no marco do presente Memorando de Entendimento.

    Artigo 10
    Entrada em Vigor e Denúncia

    O presente Memorando de Entendimento entrará em vigor na data de sua assinatura.

    Este Memorando de Entendimento poderá ser denunciado por qualquer das Partes por meio de uma notificação escrita dirigida à outra Parte por via diplomática em que se manifeste a intenção de denunciá-lo. A denúncia terá efeito 90 dias após o recebimento da referida notificação.

    Não obstante, a denúncia do presente Memorando de Entendimento não implicará a interrupção das atividades que se encontram em andamento ao seu amparo, salvo se as Partes assim decidirem expressamente, por escrito e de comum acordo.

    Artigo 11
    Execução do Memorando

    Na execução do presente Memorando de Entendimento, as Partes se sujeitarão ao disposto em seus respectivos ordenamentos jurídicos internos.

    Feito em Brasília, no dia 12 de junho de 2014, em duas vias originais, em português e em espanhol, sendo ambas igualmente autênticas.

  • Brasil e Alemanha apresentam à ONU projeto de resolução sobre o direito à privacidade na era digital

    Os Governos do Brasil e da Alemanha apresentaram hoje à Assembleia Geral da ONU projeto de resolução acerca do direito à privacidade na era digital. O texto será considerado pela III Comissão da Assembleia Geral e, posteriormente, pelo plenário da própria Assembleia.

    Segue a tradução para português do referido projeto de resolução, bem como sua versão original, em inglês:

     

    Tradução para português

    A Assembleia Geral,

    PP1. Reafirmando os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas,

    PP2. Reafirmando também os direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados na Declaração Universal de Direitos Humanos e tratados internacionais relevantes sobre direitos humanos, inclusive o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais,

    PP3. Reafirmando, ainda, a Declaração de Viena e seu Programa de Ação,

    PP4. Observando que o ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico permite aos indivíduos em todas as regiões utilizarem novas tecnologias de informação e comunicação e, ao mesmo tempo, aumenta a capacidade de governos, empresas e indivíduos de vigiar, interceptar e coletar dados, o que pode violar os direitos humanos, em particular o direito à privacidade, tal como consagrado no artigo 12 da Declaração Universal de Direitos Humanos e no artigo 17 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e constitui, portanto, tema de preocupação crescente,

    PP5. Reafirmando o direito humano dos indivíduos à privacidade e a não ser submetido a ingerências arbitrárias ou ilegais em sua vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência, bem como o direito à proteção da lei contra tais ingerências ou ofensas, e reconhecendo que o exercício do direito à privacidade constitui requisito essencial à realização do direito à liberdade de opinião e de expressão sem ingerências e um dos pilares de uma sociedade democrática,

    PP6. Salientando a importância do pleno respeito à liberdade de buscar, receber e difundir informações, inclusive a importância fundamental do acesso à informação e da participação democrática,

    PP7. Acolhendo o relatório do Relator Especial sobre a Promoção e a Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em sua vigésima terceira sessão, o qual trata das implicações da vigilância das comunicações e da interceptação de dados levada a cabo por Estados sobre o exercício do direito humano à privacidade,

    PP8. Enfatizando que a vigilância ilegal das comunicações, sua interceptação, bem como a coleta ilegal de dados pessoais constituem atos altamente intrusivos que violam o direito à privacidade e à liberdade de expressão e que podem ameaçar os fundamentos de uma sociedade democrática,

    PP9. Observando que, embora preocupações com a segurança pública possam justificar a coleta e a proteção de certas informações confidenciais, os Estados devem assegurar o pleno cumprimento de suas obrigações no âmbito do direito internacional dos direitos humanos,

    PP10. Profundamente preocupada com violações e abusos dos direitos humanos que podem resultar de qualquer vigilância, inclusive extraterritorial, das comunicações, sua interceptação, bem como da coleta de dados pessoais, em particular da vigilância, interceptação e coleta de dados em massa,

    PP11. Recordando que os Estados devem assegurar que medidas para combater o terrorismo estejam de acordo com o direito internacional, em particular o direito internacional dos direitos humanos, o direito dos refugiados e o direito internacional humanitário,

    1. Reafirma os direitos previstos no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, em particular o direito à privacidade e a não ser submetido a ingerências arbitrárias ou ilegais em sua vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência, bem como o direito à proteção da lei contra essas ingerências ou ofensas, de acordo com o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e artigo 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos;

    2. Reconhece que o rápido avanço das tecnologias da informação e da comunicação, inclusive a natureza global e aberta da Internet, constitui força motriz da aceleração do progresso para o desenvolvimento em suas várias formas;

    3. Afirma que os mesmos direitos que as pessoas possuem fora da rede ("offline") devem ser protegidos em rede ("online"), em particular o direito à privacidade;

    4. Conclama os Estados a:

    (a) respeitarem e protegerem os direitos referidos no parágrafo 1 acima, inclusive no contexto das comunicações digitais;

    (b) adotarem medidas com vistas à cessação das violações de tais direitos e a criarem condições para a prevenção de tais violações, inclusive assegurando que a legislação nacional relevante esteja em conformidade com suas obrigações no âmbito do direito internacional dos direitos humanos;

    (c) revisarem seus procedimentos, práticas e legislação no que tange à vigilância das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais, inclusive a vigilância, interceptação e coleta em massa, com vistas a assegurar o direito à privacidade e garantir a plena e eficaz implementação de todas suas obrigações no âmbito do direito internacional dos direitos humanos;

    (d) estabelecerem mecanismos nacionais independentes de supervisão, capazes de assegurar a transparência do Estado e sua responsabilização em atividades relacionadas à vigilância das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais;

    5. Solicita à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos que apresente à Assembleia Geral, em sua sexagésima nona sessão, relatório preliminar sobre a proteção do direito à privacidade no contexto da vigilância nacional e extraterritorial das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais, inclusive sobre a vigilância das comunicações, sua interceptação e coleta de dados pessoais em massa, bem como relatório final, em sua septuagésima sessão, com opiniões e recomendações, a serem consideradas pelos Estados-membros, com o objetivo de identificar e esclarecer princípios, padrões de conduta e melhores práticas sobre como lidar com preocupações relativas à segurança de modo compatível com as obrigações dos Estados no âmbito do direito internacional dos direitos humanos e em pleno respeito pelos direitos humanos, em particular com relação à vigilância das comunicações digitais e o uso de outras tecnologias de inteligência que podem violar o direito humano à privacidade, à liberdade de expressão e opinião.

    6. Decide examinar a questão de forma prioritária por ocasião da sexagésima nona sessão, sob o sub-item "Questões de direitos humanos, inclusive enfoques alternativos para aperfeiçoar o efetivo exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais" do item intitulado "Promoção e proteção dos direitos humanos".

     

    Versão original, em inglês

    The General Assembly,

    PP1. Reaffirming the purposes and principles of the Charter of the United Nations,

    PP2. Reaffirming also the human rights and fundamental freedoms enshrined in the Universal Declaration of Human Rights and relevant international human rights treaties, including the International Covenant on Civil and Political Rights and the International Covenant on Economic, Social and Cultural rights,

    PP3. Reaffirming further the Vienna Declaration and Programme of Action,

    PP4. Noting that the rapid pace of technological development enables individuals in all regions to use new information and communication technologies and at the same time enhances the capacity of Governments, companies and individuals for surveillance, interception and data collection, which may violate human rights, in particular the right to privacy, as enshrined in article 12 of the Universal Declaration of Human Rights and article 17 of the International Covenant on Civil and Political Rights and is therefore an issue of increasing concern;

    PP5. Reaffirming the human right of individuals to privacy and not to be subjected to arbitrary or unlawful interference with their privacy, family, home or correspondence, and the right to enjoy protection of the law against such interferences and attacks, and recognizing that the exercise of the right to privacy is an essential requirement for the realization of the right to freedom of expression and to hold opinions without interference, and one of the foundations of a democratic society,

    PP6. Stressing the importance of the full respect for the freedom to seek, receive and impart information, including the fundamental importance of access to information and democratic participation,

    PP7. Welcoming the report of the Special Rapporteur on the promotion and protection of the right to freedom of opinion and expression submitted to the Human Rights Council at its twenty third session, on the implications of the States' surveillance of communications and the interception of personal data on the exercise of the human right to privacy,

    PP8. Emphasizing that illegal surveillance of communications, their interception, as well as the illegal collection of personal data constitute a highly intrusive act that violates the right to privacy and freedom of expression and may threaten the foundations of a democratic society,

    PP9. Noting that while concerns about public security may justify the gathering and protection of certain sensitive information, States must ensure full compliance with their obligations under international human rights law,

    PP10. Deeply concerned at human rights violations and abuses that may result from the conduct of any surveillance of communications, including extraterritorial surveillance of communications, their interception, as well as the collection of personal data, in particular massive surveillance, interception and data collection,

    PP11. Recalling that States must ensure that measures taken to counter terrorism comply with international law, in particular international human rights, refugee and humanitarian law,

    1. Reaffirms the rights contained in the International Covenant on Civil and Political Rights, in particular the right to privacy and not to be subjected to arbitrary or unlawful interference with privacy, family, home or correspondence, and the right to enjoy protection of the law against such interference or attacks, in accordance with article 12 of the Universal Declaration of Human Rights and article 17 of the International Covenant on Civil and Political Rights;

    2. Recognizes the rapid advancement in information and communication technologies, including the global and open nature of the Internet, as a driving force in accelerating progress towards development in its various forms;

    3. Affirms that the same rights that people have offline must also be protected online, in particular the right to privacy;

    4. Calls upon all States:

    (a) To respect and protect the rights referred to in paragraph 1 above, including in the context of digital communication;

    (b) To take measures to put an end to violations of these rights and to create the conditions to prevent such violations, including by ensuring that relevant national legislation complies with their obligations under international human rights law;

    (c) To review their procedures, practices and legislation regarding the surveillance of communications, their interception and collection of personal data, including massive surveillance, interception and collection, with a view to upholding the right to privacy and ensuring the full and effective implementation of all their obligations under international human rights law;

    (d) To establish independent national oversight mechanisms capable of ensuring transparency and accountability of State surveillance of communications, their interception and collection of personal data;

    5. Requests the United Nations High Commissioner for Human Rights to present an interim report on the protection of the right to privacy in the context of domestic and extraterritorial, including massive, surveillance of communications, their interception and collection of personal data, to the General Assembly at its sixty-ninth session, and a final report at its seventieth session, with views and recommendations, to be considered by Member States, with the purpose of identifying and clarifying principles, standards and best practices on how to address security concerns in a manner consistent with States' obligations under international human rights law and in full respect of human rights, in particular with respect to surveillance of digital communications and the use of other intelligence technologies that may violate the human right to privacy, freedom of expression and of opinion;

    6. Decides to examine the question on a priority basis at its sixty-ninth session, under the sub-item entitled "Human rights questions, including alternative approaches for improving the effective enjoyment of human rights and fundamental freedoms" of the item entitled "Promotion and protection of human rights".

     

    Versão original, em inglês

  • Briefing à imprensa por ocasião do lançamento da cartilha sobre sequestro internacional de menores

    Será realizado, na próxima terça-feira, 19 de janeiro, às 11h00 na Assessoria de Imprensa do Itamaraty, em Brasília, briefing à imprensa por ocasião do lançamento da cartilha sobre "Disputa de guarda e subtração internacional de menores brasileiros".

    O briefing à imprensa será concedido por representantes da Subsecretaria-Geral de Comunidades Brasileiras no Exterior do Itamaraty, e do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

    A cartilha foi elaborada pelo Itamaraty com o objetivo de embasar ampla campanha de esclarecimento, no Brasil e no exterior, sobre o tema da disputa de guarda e subtração internacional de menores brasileiros residentes no exterior ou filhos de casais binacionais. O documento contém orientações aos pais e mães brasileiras, de modo a que estejam cientes da legislação e práticas adotadas nos países onde residem no tocante ao assunto, e do apoio que poderão esperar dos órgãos brasileiros competentes, seja no Brasil ou no exterior. Espera-se que tal campanha de esclarecimento ajude genitores brasileiros a tomarem as decisões que sejam mais adequadas aos seus casos específicos, evitando consequências traumáticas no futuro, tais como a perda da guarda de seus filhos por determinação de autoridades judiciárias estrangeiras.

    À luz da Convenção da Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de crianças, promulgada pelo Brasil em 2000, foram concluídos, entre 2013 e 2015, 161 pedidos de restituição, sendo 52 casos em que se pedia o retorno da criança ao Brasil e 109 em que outros países pediam o retorno de crianças.

  • Candidatura de Flávia Piovesan à Comissão Interamericana de Direitos Humanos – Brasília, 30 de março de 2017

    Foi oficializada hoje, em reunião no Palácio Itamaraty, com a presença dos Embaixadores em Brasília dos países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), a candidatura de Flávia Piovesan, Secretária Especial de Direitos Humanos do Ministério de Direitos Humanos, para integrar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) no período de 2018 a 2021.

    A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é composta por sete peritos. Três dessas vagas serão preenchidas nas eleições que terão lugar na Cidade do México, entre 19 e 21 de junho próximo, por ocasião da 47ª Reunião da Assembleia-Geral da OEA.

    Doutora em Direito Constitucional, especialista no tema dos direitos humanos, com reconhecido saber nessa matéria, a Dra. Flavia Piovesan é professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, procuradora do Estado de São Paulo e perita em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

  • Caso Rodrigo Gularte - Nota à Imprensa do Governo Brasileiro

    O governo brasileiro recebeu com profunda consternação a notícia da execução, na Indonésia, do cidadão brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, ocorrida na data de hoje, 28 de abril de 2015, pelo crime de tráfico de drogas.

    Em carta enviada ao seu homólogo indonésio, a Presidenta Dilma Rousseff havia reiterado seu apelo para que a pena capital fosse comutada, tendo em vista o quadro psiquiátrico do brasileiro, agravado pelo sofrimento que sua situação lhe provocava nos últimos anos. Lamentavelmente, as autoridades indonésias não foram sensíveis a esse apelo de caráter essencialmente humanitário.

    Ao longo dos dez anos em que o Rodrigo Muxfeldt Gularte esteve preso na Indonésia, o governo brasileiro prestou-lhe a devida assistência consular e acompanhou sistematicamente sua situação jurídica, na busca de alternativas legais à pena de morte, observando rigorosamente o que a Constituição e as leis daquele país prescrevem sobre essa matéria.

    A execução de um segundo cidadão brasileiro na Indonésia, após o fuzilamento de Marco Archer Cardoso Moreira, em 18 de janeiro deste ano, constitui fato grave no âmbito das relações entre os dois países e fortalece a disposição brasileira de levar adiante,nos organismos internacionais de direitos humanos, os esforços pela abolição da pena capital.

    O governo brasileiro transmite sua solidariedade e seu mais profundo pesar à família de Rodrigo Muxfeldt Gularte.

     

    Secretaria de Imprensa/SECOM

    Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

  • Cerimônia de entrega de condecorações da Ordem do Rio Branco 2014 "Liberdade de expressão, verdade e memória"

     

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                                                                                                                           (Foto: Gustavo Ferreira - AIG/MRE)

     

    O Conselho da Ordem do Rio Branco decidiu condecorar, sob o tema "Liberdade de expressão, verdade e memória", acadêmicos, ativistas, artistas, jornalistas e escritores por sua atuação em defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Foram agraciados assim, entre outros, os membros da Comissão da Verdade que ainda não haviam sido admitidos na Ordem.

    A cerimônia de imposição de insígnias e medalhas da Ordem do Rio Branco será presidida pela Presidenta da República e terá lugar hoje, às 18 horas, no Palácio Itamaraty em Brasília.

    A Ordem de Rio Branco foi instituída pelo Decreto nº 51.697, de 5 de fevereiro de 1963, com o objetivo de distinguir pessoas físicas, jurídicas, corporações militares ou instituições civis, nacionais ou estrangeiras por seus serviços meritórios e suas virtudes cívicas. A admissão na ordem e a promoção entre os graus é regida pelo Decreto de 1963 e decidida pelo Conselho. Desde 1963, cerca de 12 mil pessoas foram admitidas na ordem.

  • Comunicado Conjunto da Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, e do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Vladimirovich Putin

    No dia 14 de dezembro de 2012, o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Vladimirovich Putin, reuniu-se com a Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, em sua primeira visita oficial à Rússia como Chefe de Estado brasileira. Os dois mandatários renovaram o compromisso mútuo com o aprofundamento da Parceria Estratégica entre o Brasil e a Rússia, avaliando a ampla agenda de cooperação existente entre os dois países, e examinaram os principais temas da agenda internacional.

    Nesse contexto, os dois Presidentes determinaram intensificar a cooperação bilateral nas mais diversas áreas, consubstanciadas no novo Plano de Ação da Parceria Estratégica assinado na ocasião. Foram assinados os seguintes acordos bilaterais: Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia de Cooperação em Defesa, Memorando de Entendimento entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia sobre Cooperação em Matéria de Governança e Legados Relativos à Organização de Jogos Olímpicos e Paralímpicos e aos Campeonatos Mundiais de Futebol da FIFA, Plano de Consultas Políticas entre o Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil e o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia para o período 2013-2015 e Memorando de Entendimento entre os Ministérios das Relações Exteriores, da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior da República Federativa do Brasil e o Ministério do Desenvolvimento Econômico da Federação da Rússia sobre Modernização da Economia.

    COOPERAÇÃO EM ECONOMIA, COMÉRCIO E INVESTIMENTOS

    Os dois Presidentes reiteraram que a cooperação econômica e comercial é parte importante da parceria estrátegica bilateral e, nesse sentido, destacaram o compromisso de trabalhar para, no curto prazo, elevar o intercâmbio comercial bilateral à cifra de US$ 10 bilhões anuais.

    Os dois Governos tomarão as medidas necessárias para identificar e incentivar o desenvolvimento de novas áreas de cooperação comercial em benefício mútuo; para garantir perfil mais equilibrado e dinâmico ao comércio; para diversificar e aperfeiçoar a pauta comercial, por meio do aumento da participação de artigos de maior valor agregado, especialmente os relacionados a setores de alta tecnologia; para intensificar contatos entre grupos empresariais brasileiros e russos, de modo a explorar eventuais complementaridades produtivas e a possibilidade de atuar conjuntamente em terceiros países.

    Com esses objetivos, os mandatários comprometeram-se a apoiar plenamente as atividades do Conselho Empresarial Brasil–Rússia e do Conselho Empresarial Rússia–Brasil, por meio da realização de atividades de promoção comercial, tais como missões empresariais, feiras e exposições, rodadas de negócios e fomento a novas parcerias, sobretudo na área de inovação. Ao incentivar o aprofundamento da cooperação entre as instituições financeiras dos dois países, afirmaram a importância do estabelecimento de instrumentos financeiros que permitam a realização de pagamentos recíprocos em moedas nacionais.

    Os Presidentes destacaram a realização do encontro empresarial II Fórum Empresarial Brasil–Rússia: Fortalecendo a Parceria Estratégica, realizado em Moscou, em 14 de dezembro de 2012. O evento contou com a participação de expressivo número de empresários russos e brasileiros, que discutiram possibilidades de incremento do comércio e investimentos bilaterais. O Fórum contou com seminários e painéis sobre prestação de serviços, inovação e desenvolvimento de infraestrutura.

    Os Presidentes discutiram as novas perspectivas para o aprofundamento da cooperação econômica e comercial russo-brasileira no contexto da criação da União Aduaneira e do Espaço Económico Comum entre a República de Belarus, a República do Cazaquistão e a Federação da Rússia.

    Os Presidentes do Brasil e da Rússia afirmaram a importância da cooperação na área da aplicação do Sistema Geral de Preferências. Nesse sentido, os serviços aduaneiros dos dois países manterão contatos sobre questões relativas aos sistemas de certificação de origem de mercadorias e realizarão consultas sempre que necessário.

    Os dois Presidentes recordaram a importância dos produtos agropecuários na pauta comercial russo-brasileira. Nesse sentido, determinaram aos serviços veterinários dos dois países a intensificação de contatos com vistas ao restabelecimento do comércio de carne bovina, suína e de aves. Acordaram, ainda, que os dois Governos deverão intensificar esforços para estimular as vendas de trigo russo para o Brasil e de produtos de soja brasileiros para a Rússia.

    COOPERAÇÃO EM EDUCAÇÃO, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO

    Os dois Presidentes destacaram o papel central que atribuem aos avanços em ciência, tecnologia e inovação nos processos de desenvolvimento nacional do Brasil e da Rússia. Coincidiram em que a cooperação neste âmbito é fundamental para o aprofundamento da Parceria Estratégica entre os dois países.

    A Federação da Rússia manifesta-se pronta a aderir ao programa educacional brasileiro Ciência sem Fronteiras, lançado por iniciativa da Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff. Os parâmetros da participação russa no programa serão definidos em consultas, a realizar-se proximamente, do Ministério da Educação e Ciência da Federação da Rússia com o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil.

    Os mandatários manifestaram sua satisfação com a possibilidade de estabelecimento de parceria entre a Universidade de Ciência e Investigação – Escola de Altos Estudos Econômicos e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, com vistas à realização de estudos e pesquisas conjuntas nas áreas de ciência, tecnologia, inovação e prospecção estratégica. Destacaram que tais estudos poderão configurar importantes instrumentos para a avaliação da cooperação bilateral nessas áreas e no desenvolvimento de novos projetos.

    Os dois Presidentes coincidiram em que as áreas de biotecnologia e saúde oferecem perspectivas promissoras para o fortalecimento da cooperação bilateral. Saudaram a intenção da empresa russa RT-Biotechprom de estabelecer parceria com empresas brasileiras na área de produção e uso de biocombustíveis.

    Os Chefes de Estado reiteraram a disposição de ambos os países de cooperar na área de nanociências e nanotecnologia, nos termos do Memorando de Entendimento entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Educação e Ciência da Federação da Rússia sobre Cooperação na Área de Nanotecnologia, celebrado em outubro de 2010.

    Os mandatários destacaram a promoção da inovação como objetivo central das iniciativas bilaterais em ciência e tecnologia e sublinharam a importância de, com esse objetivo, envolver no processo os parques tecnológicos, incubadoras e pequenas e médias empresas. Os dois Presidentes saudaram a constituição, na Rússia, do centro de inovação de Skolkovo, cujo trabalho nos campos biomédico, energético, das tecnologias da informação e das comunicações e nos âmbitos nuclear e espacial é de interesse dos dois países. Nesse sentido, determinaram a realização, em 2013, de reunião entre representantes de instituições brasileiras de promoção e fomento à inovação e de parques tecnológicos com seus congêneres russos, notadamente do centro Skolkovo.

    COOPERAÇÃO NA ÁREA ENERGÉTICA

    Os Presidentes constataram o significativo potencial para a intensificação da cooperação entre Brasil e Rússia em temas de energia, nas áreas de extração de petróleo e gás natural, energia nuclear civil, energias renováveis e eficiência energética, bem como em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para o setor. Saudaram, nesse sentido, o estabelecimento de parceria entre empresas de ambos os países para a exploração de petróleo e gás natural na Bacia do Solimões. Os Chefes de Estado reafirmaram a intenção de promover iniciativas conjuntas de cooperação técnica em terceiros países na área de energia, especialmente na produção e no uso sustentável de bioenergia.

    USOS PACÍFICOS DA ENERGIA NUCLEAR

    No que concerne à cooperação nos usos pacíficos da energia nuclear, os dois Chefes de Estado reafirmaram o interesse em implementar projetos concretos no âmbito do Memorando de Entendimento entre a Comissão da Energia Nuclear do Brasil (CNEN) e a Corporação Estatal para a Energia Atômica da Rússia (ROSATOM), de 21 de julho de 2009, notadamente em tecnologias de exploração de urânio, tecnologias de reatores de nova geração, projeto e construção de reatores de pesquisa, produção de radioisótopos para uso na medicina, na indústria e na agricultura e educação e treinamento de pessoal.

    COOPERAÇÃO EM DEFESA

    Os dois Presidentes congratularam-se pela assinatura do Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia de Cooperação em Defesa. Nesse contexto, concordaram em aprofundar a cooperação no marco desse acordo, dedicando particular prioridade à área de desenvolvimento tecnológico. Nesse sentido, reiteraram a importância de desenvolver cooperação de longo prazo, com base no princípio da transferência de tecnologia, no estabelecimento de parcerias industriais e em programas de formação de pessoal. Nesse contexto, as Partes destacaram a potencialidade da cooperação no setor de defesa anti-aérea. Missão brasileira do Ministério da Defesa, com participação empresarial, visitará a Rússia muito proximamente, com esse objetivo.

    SEGURANÇA NO TRÂNSITO

    As Partes confirmaram sua disposição de levar a cabo as medidas acordadas no âmbito da Década das Nações Unidas para a Segurança no Trânsito, 2011-2020. A Parte brasileira informou a Parte russa sobre as ações empreendidas para proteger vidas e reduzir acidentes de trânsito no Brasil, inclusive o desenvolvimento de ampla campanha de conscientização em conjunto com a Federação Internacional de Automobilismo. A Parte russa destacou as medidas adotadas para melhorar a situação nas estradas, inclusive a elaboração de estratégias integrais para reduzir o número de acidentes, o aperfeiçoamento do sistema de emissão de licenças para motoristas e veículos e a criação de centro de análise para prevenir acidentes de trânsito, encarregado da coleta e análise de dados, identificação automática de trechos de maior concentração de acidentes de trânsito e identificação de suas causas.

    COOPERAÇÃO EM GRANDES EVENTOS ESPORTIVOS

    Os dois Presidentes coincidiram em que a realização dos Mundiais de Futebol da FIFA no Brasil, em 2014, e na Rússia, em 2018, e dos XXII Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, em 2014, e dos XXXI Jogos Olímpicos de Verão no Rio de Janeiro, em 2016, oferece grande oportunidade para o fortalecimento da parceria entre os dois países, bem como para difundir o esporte como instrumento para a promoção da paz, do diálogo, da cooperação, do desenvolvimento, da inclusão social e do combate à discriminação racial, étnica e de gênero. Nesse sentido, saudaram a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia sobre Cooperação em Matéria de Governança e Legados Relativos à Organização de Jogos Olímpicos e Paralímpicos e aos Campeonatos Mundiais de Futebol da FIFA, que constitui arcabouço jurídico para a intensificação da cooperação nesse âmbito.

    COOPERAÇÃO CULTURAL

    Os Presidentes ressaltaram seu compromisso com o fortalecimento dos laços culturais entre Brasil e Rússia. Destacaram o papel fundamental da cultura como instrumento de fortalecimento das relações de amizade existentes entre os povos dos dois países. Nesse sentido, decidiram incentivar o aprofundamento da interlocução entre as instituições e produtores culturais e artistas dos dois países. Comprometeram-se a intensificar a cooperação no campo da dança, a partir da experiência da Escola do Balé Bolshoi em Joinville. Reafirmaram o compromisso de realizar os Dias da Cultura da Rússia no Brasil e os Dias da Cultura do Brasil na Rússia.

    COOPERAÇÃO NO ÂMBITO DO G-20

    Os Presidentes dos dois países reafirmaram a importância do G-20 para conduzir a economia mundial rumo a um crescimento forte, sustentável e equilibrado.

    A Presidenta Dilma Rousseff saudou a Rússia por assumir a presidência do G-20. O Presidente Vladimir Putin informou à Parte Brasileira as principais prioridades da presidência russa do G-20. A Presidenta do Brasil expressou apoio à abordagem da presidência russa quanto à necessidade de dar sentido prático aos compromissos de estímulo ao investimento, ao crescimento econômico e ao emprego e manifestou sua disposição em contribuir para o êxito da Cúpula do G-20 de São Petersburgo.

    Expressando satisfação com o fato de, pela primeira vez, um país do BRICS assumir a presidência do G-20, com a participação de Chefes de Estado e de Governo, os Presidentes dos dois países ressaltaram a importância de usar as possibilidades desse foro para impulsionar o processo de reforma das instituições financeiras internacionais, em especial do Fundo Monetário Internacional. Os Presidentes reafirmaram a intenção de ambas as Partes de cooperar estreitamente sobre os temas da agenda do G-20 bilateralmente e no âmbito do BRICS.

    GOVERNANÇA GLOBAL E PAZ E SEGURANÇA INTERNACIONAIS

    Os dois Presidentes destacaram que a estreita cooperação entre o Brasil e a Rússia nos foros multilaterais, em geral, e no BRICS, em particular, contribui para a construção de uma ordem internacional mais justa e equilibrada. Sublinharam o papel de relevo desempenhado pelo BRICS no âmbito do G-20 e demais instâncias de governança internacional no que respeita à promoção dos interesses das economias emergentes e dos países em desenvolvimento, de modo a refletir as novas realidades internacionais.

    Os dois Presidentes manifestaram sua disposição de, em conjunto com os demais parceiros do BRICS, elaborar estratégia comum visando à consolidação desse foro como instrumento cada vez mais influente na promoção da paz, segurança e prosperidade internacionais e na promoção de um mundo multipolar fundado na cooperação. Nesse contexto, envidarão esforços com vistas a permitir que o BRICS evolua gradualmente de foro de diálogo e concertação para mecanismo de cooperação e coordenação entre seus membros, num leque cada vez mais amplo de temas.

    Os Presidentes do Brasil e da Rússia destacaram o compromisso de seus países com o fortalecimento do papel central da Organização das Nações Unidas no contexto da formação de uma ordem internacional multipolar mais justa, equitativa e inclusiva. Manifestaram a importância de aprofundar os esforços para promover a reforma da ONU para refletir de modo mais adequado as realidades contemporâneas e, desse modo, elevar a eficácia da atuação da Organização para enfrentar efetivamente os desafios comuns da agenda global. Destacaram, ademais, a necessidade de continuar as negociações intergovernamentais sobre reforma do Conselho de Segurança da ONU com vistas a tornar mais representativo esse órgão, que exerce a responsabilidade primária na manutenção da paz e da segurança internacionais. Nesse contexto, o Presidente Vladimir Putin tornou a manifestar o apoio da Rússia ao Brasil como um digno e forte candidato para um assento permanente num Conselho de Segurança reformado.

    Os dois mandatários expressaram seu firme compromisso com a solução pacífica de controvérsias no plano internacional e sublinharam a importância de esforços permanentes de diplomacia preventiva e mediação, de acordo com os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas.

    Recordaram, nesse particular, a importância da valorização da diplomacia e da cooperação internacional como instrumentos para a realização do compromisso de proteger populações contra genocídios, crimes de guerra, limpezas étnicas e crimes contra a humanidade. Julgaram igualmente relevante a definição de critérios de implementação de decisões sobre o uso da força, quando esta seja autorizada em situações excepcionais pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, como recurso de última instância e nos termos previstos na Carta da ONU. Recordaram que tais preocupações integram o conceito de Responsabilidade ao Proteger e destacaram a importância de que se aprofunde o debate a seu respeito.

    Os dois mandatários concordaram que os processos de transformação política e social em curso no Oriente Médio e no norte da África não devem distrair a comunidade internacional de seus esforços para alcançar uma solução justa e duradoura para a questão israelo-palestina, em consonância com as resoluções das Nações Unidas, os princípios de Madri, inclusive a fórmula “terra por paz”, e a Iniciativa Árabe de Paz. Coincidiram em que a resolução integral da Questão Palestina é condição essencial para garantir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento no Oriente Médio. Ao recordar a responsabilidade primária do Conselho de Segurança das Nações Unidas na manutenção da paz e da segurança internacionais, pronunciaram-se pela intensificação das atividades do Quarteto, inclusive em coordenação com a Liga Árabe, de modo a buscar a superação dos atuais impasses. Ao defender a retomada das negociações entre palestinos e israelenses para a realização da solução de “dois Estados”, os Presidentes reiteraram o apoio do Brasil e da Rússia ao estabelecimento de um Estado palestino soberano, independente, democrático e economicamente viável, vivendo ao lado de Israel em paz e segurança. Nesse sentido, manifestaram satisfação com a obtenção, pela Palestina, do status de Estado observador não-membro na ONU. Reiteraram sua condenação à construção de assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos Ocupados, por ser contrária ao Direito Internacional e por colocar em risco a retomada do processo de paz. Expressaram, em particular, a sua inconformidade com o recente anúncio israelense de planos de construir novas unidades residenciais em áreas palestinas ocupadas, incluindo Jerusalém Oriental, pondo em risco a realização da solução de dois Estados, e instaram o Governo israelense a reconsiderar essa decisão.

    Tendo em mente as tensões entre Israel e a Faixa de Gaza em novembro passado, os dois Presidentes reiteraram ser inadmissíveis tanto os disparos, a partir da Faixa de Gaza, contra o território israelense, como a resposta desproporcional a tais ações por parte de Israel, que leva à morte de civis inocentes de ambos os lados. Instaram as partes a respeitar a cessação de hostilidades em vigor e a abster-se de qualquer ação que possa prejudicar os esforços de paz. Reiteraram, ainda, a necessidade urgente de por fim ao bloqueio a Gaza.

    As Partes assinalaram a necessidade de superar-se a divisão intra-palestina, inclusive com vistas a garantir a realização de possíveis entendimentos de paz israelo-palestinos.

    Os Chefes de Estado manifestaram sua profunda preocupação com a continuação do conflito na Síria e com as suas graves conseqüências humanitárias. Instaram à imediata cessação da confrontação armada, condenando de forma veemente os atos terroristas, assim como toda violência contra civis e as violações aos direitos humanos.

    Os dois lados sublinharam a necessidade urgente de um cessar-fogo imediato, nos termos do Comunicado do Grupo de Ação de Genebra, e o início de diálogo amplo, com a participação do Governo e de todas as forças de oposição, com o objetivo de determinar os parâmetros e dar início a processo político liderado pelos próprios sírios e voltado à realização das aspirações legítimas do povo sírio, incluindo a realização das reformas que permitirão aos cidadãos da Síria determinar seu futuro de modo livre e democrático. As Partes coincidiram na convicção de que não há solução de força para o conflito e sublinharam que a opção pela intervenção de força externa pode levar a conseqüências imprevisíveis para a estabilidade do Oriente Médio e para a paz e segurança regionais. Manifestaram que a solução política deve prever garantias firmes à segurança, direitos e interesses de todos os grupos étnicos e religiosos da Síria e dos cidadãos que os compõem, inclusive a participação em condições de igualdade na vida política e sócio-econômica do país. Os Presidentes do Brasil e da Rússia confirmaram o seu apego à soberania, independência, unidade nacional e integridade territorial da Síria. Reiteraram sua disposição de apoiar a retomada das negociações no âmbito do Grupo de Ação de Genebra sobre a Síria, com o objetivo de identificar caminhos para concretizar os entendimentos já alcançados, bem como a importância de todas as partes externas prestarem apoio firme e efetivo aos esforços do Representante Especial Conjunto da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi.

    Os Chefes de Estado concordaram que uma solução para a questão nuclear iraniana somente pode ser alcançada de forma negociada. Nesse sentido, manifestaram apoio à continuação das conversações entre Irã e P5+1, baseadas nos princípios de gradualismo e reciprocidade, com vistas à construção gradual da confiança entre as partes e ao aprofundamento do diálogo e da cooperação entre Irã e AIEA. Observaram ser fundamental assegurar que toda e qualquer ação conduzida no encaminhamento da questão esteja orientada pelo respeito ao Direito Internacional e, em particular, à Carta das Nações Unidas.

    Os mandatários reafirmaram o compromisso de seus Estados com os princípios e objetivos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, em suas três vertentes de não-proliferação, desarmamento e uso da tecnologia nuclear para fins pacíficos, e de esforços para a universalização do instrumento. Saudaram, nesse contexto, o início do novo ciclo de exame do tratado, que culminará com a Conferência de Exame de 2015. As Partes ressaltaram a importância da realização, o quanto antes, da Conferência sobre o Estabelecimento de uma Zona Livre de Armas Nucleares e de Outras Armas de Destruição em Massa no Oriente Médio e exortaram todos os Estados da região a participar do evento.

    Os Chefes de Estado exortaram os Estados que não ratificaram o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, em particular aqueles listados no Anexo II do instrumento, a fazê-lo no menor prazo possível, com vistas a assegurar sua pronta entrada em vigor.

    As Partes destacaram que negociações para a conclusão de um tratado multilateral para prevenir a colocação de armas no espaço exterior constituem tarefa prioritária para a comunidade internacional e que propostas concretas de medidas de transparência e construção da confiança podem constituir parte importante de tal acordo. Guiados por esse objetivo, os dois Presidentes afirmaram o compromisso de seus Estados com uma política de "não primeira colocação" ("no first placement") de armas no espaço exterior e exortam todos os Estados com capacidade espacial a adotar tal política.

    Os Chefes de Estado salientaram a importância da plena implementação e observância da Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas e Toxínicas e da Convenção sobre a Proibição das Armas Químicas, assim como da necessidade da promoção da cooperação internacional no âmbito desses regimes.

    Os dois Presidentes registraram o compromisso de cooperar bilateral e multilateralmente, no âmbito da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e seus Protocolos, no enfrentamento dos ilícitos transnacionais, tais como o problema mundial das drogas e o financiamento e a ação de organizações criminosas organizadas de abrangência transnacional. Convieram, igualmente, em que os órgãos estatais competentes devem cooperar no combate aos novos desafios e ameaças.

    Os dois Presidentes reiteraram sua condenação veemente ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações. Defenderam o fortalecimento do papel coordenador da ONU na organização da cooperação internacional contra o terrorismo, a necessidade de observar os princípios e normas do Direito Internacional universalmente reconhecidos, inclusive a Carta da ONU, a implantação de medidas de prevenção e enfrentamento do terrorismo, a ampliação do número de participantes das convenções antiterroristas da ONU, a implementação eficaz das resoluções correspondentes do seu Conselho de Segurança, sobretudo as de nº 1373, de 2001, e 1624, de 2005. Defenderam, ainda, a implementação universal das disposições da Estratégia Global Antiterrorista da ONU.

    DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

    Os dois Presidentes celebraram o êxito da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro, de 13 a 22 de junho de 2012. Destacaram a adoção do documento final - “O Futuro que Queremos” - e saudaram a contribuição fundamental dos países em desenvolvimento, particularmente dos países do BRICS, para a construção dos consensos alcançados. Sublinharam, sobretudo, o fato de a Conferência ter reconhecido que a erradicação da pobreza é o maior desafio enfrentado pelo mundo, na atualidade, e constitui condição indispensável para o desenvolvimento sustentável. Reafirmaram a importância da Rio+20 para o fortalecimento do multilateralismo e de seus resultados como base conceitual e política para uma nova agenda de ação para o desenvolvimento sustentável no século XXI.

    FUTURAS VISITAS BILATERAIS

    Os dois Presidentes saudaram a futura realização, no Brasil, no princípio de 2013, da próxima reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação Brasil–Rússia, a ser co-presidida pelo Vice-Presidente Michel Temer e pelo Primeiro-Ministro Dmitry Anatolyevich Medvedev.

    A Presidenta da República Federativa do Brasil, Dilma Rousseff, convidou o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Vladimirovich Putin, a tornar a visitar o Brasil, em data de sua conveniência, para juntos prosseguirem no aprofundamento da Parceria Estratégica entre os dois países. O Presidente Putin aceitou de muito bom grado o convite.

    Moscou, 14 de dezembro de 2012

  • Comunicado dos países do Mercosul sobre Venezuela

    (tradução não oficial)

    Os países fundadores do Mercosul expressam seu mais categórico repúdio aos atos de violência que ocorreram hoje na Assembleia Nacional da República Bolivariana da Venezuela e que resultaram na agressão contra deputados e funcionários daquela instituição. Tais atos, precedidos de uma intervenção de altas autoridades do Poder Executivo, sem prévio acordo das autoridades legislativas, constituem um ataque do Executivo sobre outro Poder do Estado, inadmissível no marco da institucionalidade democrática.

    Instamos o Governo da Venezuela a por fim imediatamente a todo discurso e ações que incentivem uma maior polarização, com o consequente crescimento da violência, e a garantir o respeito aos direitos humanos, à separação dos poderes e à vigência do Estado de Direito.

    Uma vez mais, os países do Mercosul manisfestamos nossa disposição a apoiar e acompanhar o povo irmão da Venezuela na saída da grave crise política, social e humanitária que atravessa seu país e no caminho à restauração plena das instituições democráticas e à paz social.

  • Comunicado sobre a Venezuela

      

     

    Comunicado sobre a Venezuela

    Tradução não-oficial

    Os governos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai manifestam profundo pesar e repudiam a morte de seis cidadãos no contexto das manifestações ocorridas nos últimos dias na República Bolivariana da Venezuela. Expressam, ainda, solidariedade e condolências a seus familiares.

    Os governos reiteram seu repúdio à violência. Ademais, tendo em conta o anúncio de uma série de manifestações por parte da situação e da oposição para a quarta-feira, 19 de abril, conclamam o governo da República Bolivariana da Venezuela a garantir o direito à manifestação pacífica, assim como consagra a Constituição, e a impedir qualquer ato de violência contra os manifestantes. Adicionalmente, conclamam a oposição a exercer com responsabilidade seu direito a se manifestar e, assim, realizar uma manifestação pacífica em que as pessoas se expressem com tranquilidade.

    Exortam o governo da República Bolivariana da Venezuela a definir com celeridade as datas para dar cumprimento ao cronograma eleitoral que permita uma rápida solução à grave crise que vive a Venezuela e que preocupa a região.

    17 de abril de 2017


    Versão original em espanhol

    Comunicado sobre Venezuela

    Los Gobiernos de Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Paraguay, Perú y Uruguay manifestamos nuestro profundo pesar y rechazo por la muerte de seis ciudadanos en el marco de las jornadas de protesta que tuvieron lugar en la República Bolivariana de Venezuela en los últimos dias y expresamos nuestra solidaridad y condolencias a sus familares.

    Nuestros gobiernos reiteran su rechazo a la violencia. Asimismo, teniendo en cuenta que para el miercoles 19 de abril se anuncia una jornada de marchas por parte del oficialismo y de la oposición,  hacemos un llamado al Gobierno de la República Bolivariana de Venezuela para que garantice el derecho a la manifestación pacífica, tal como lo consagra la Constitución, y que impida cualquier acción de violencia en contra de los  manifestantes. Asimismo hacemos un llamado a la oposición para que ejerza  con responsabilidad su derecho a manifestarse y así lograr una jornada pacífica donde la gente se exprese con tranquilidad.

    Exhortamos al Gobierno de la República Bolivariana de Venezuela para que rapidamente se definan las fechas para dar cumplimiento al cronograma electoral que permita una pronta solución a la grave crisis que vive Venezuela y que preocupa a la región.

    17 de abril del 2017

  • Comunicado sobre a Venezuela

    Os governos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai condenam energicamente a violência desencadeada em 19 de abril na Venezuela e lamentam a perda de mais vidas.

    Somam-se à declaração do secretário-geral das Nações Unidas que insta "todas as partes a adotar medidas concretas para reduzir a polarização e criar as condições necessárias para enfrentar os desafios do país, a favor do povo venezuelano".

    Reiteram a urgência de as autoridades venezuelanas adotarem medidas para garantir os direitos fundamentais e preservar a paz social.

    É imperativo que a Venezuela retome o caminho da institucionalidade democrática e que seu governo defina as datas para o cumprimento do cronograma eleitoral, liberte os presos políticos e garanta a separação dos poderes constitucionais.

  • Conferência Regional da América Latina e do Caribe da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024)

    Realiza-se nos dias 3 e 4 de dezembro, em Brasília, a Conferência Regional da América Latina e do Caribe da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024). A Conferência contará com a presença do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad El Hussein.

    Criada por resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, a Década Internacional dos Afrodescendentes busca aprofundar a discussão sobre os direitos humanos e o bem-estar de um dos grupos populacionais mais afetados pela discriminação racial. A Conferência é organizada pelo Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH) em colaboração com o Governo brasileiro.

    A Conferência de Brasília é a primeira de uma série de cinco eventos regionais organizados pelo EACDH. Além de representantes dos países da América Latina e Caribe e das Nações Unidas, participarão agências especializadas, organizações regionais, instituições voltadas à proteção de direitos humanos, acadêmicos e representantes da sociedade civil.

     

  • Conferência Regional da Década Internacional de Afrodescendentes – Declaração de Brasília

    A Conferência Regional da Década Internacional de Afrodescendentes foi concluída na tarde do dia 4 de dezembro, com a adoção, por aclamação, da Declaração de Brasília.

    A Conferência contou com a presença do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad El Hussein, e de representantes dos países da América Latina e do Caribe, de agências especializadas, organizações regionais, instituições voltadas à proteção de direitos humanos, acadêmicos e sociedade civil.

    Durante os debates, ressaltou-se, entre outros temas, o apoio à negociação de um projeto de declaração das Nações Unidas sobre a promoção e o pleno respeito dos direitos humanos das pessoas afrodescendentes e à convocação da IV Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância.

    Segue, abaixo, texto da Declaração de Brasília.

     

    Declaração da Conferência Regional da Década Internacional de Afrodescendentes

    Os Estados Latino Americanos e Caribenhos, reunidos em Brasília, em 3 e 4 de Dezembro de 2015, sob os auspícios das Nações Unidas,

    Considerando os princípios da dignidade inerente à pessoa humana e da igualdade entre os seres humanos consagrados em instrumentos internacionais para a promoção e proteção dos direitos humanos,

    Considerando que o direito à igualdade e à não discriminação é a base para o gozo de outros direitos humanos,

    Recordando o Comunicado sobre a Década de Afrodescendentes aprovado pelos ministros de Relações Exteriores da CELAC, em 27 de setembro de 2013, que proclamou a Década de Afrodescendentes da América Latina e Caribe, que começou em 1 de Janeiro de 2014,

    Retomando o Plano de Ação para a Década de Afrodescendentes da América Latina e Caribe, aprovada em 29 de Janeiro de 2015,

    Recordando as resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas 68/237 de 23 de Dezembro de 2013, na qual a Assembleia proclamou a Década Internacional de Afrodescendentes, que começou em 1 de Janeiro de 2015 e terminará em 31 de Dezembro de 2024, com o tema "Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento", e a AG 69/16, de 18 de Novembro de 2014, na qual a comissão aprovou o programa de atividades da Década Internacional de Afrodescendentes,

    Lembrando também a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial e outros documentos internacionais relevantes,

    Recordando o compromisso assumido na Declaração de Viena e Programa de Ação sobre a eliminação do racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata,

    Recordando ainda a Declaração e o Programa de Ação de Durban, aprovado em Setembro de 2001 na Terceira Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância,

    Reconhecendo que, apesar dos avanços alcançados, o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e intolerâncias correlatas e seu impacto sobre o usufruto de todos os direitos humanos das pessoas Afrodescendentes da América Latina e do Caribe persiste,

    Reconhecendo a importância da participação histórica e atual de indivíduos, comunidades e povos das populações afrodescendentes na formação social, cultural, religiosa, política e econômica do país e da região e da necessidade de preservar, promover e divulgar o seu rico legado em países da América Latina e do Caribe em desenvolvimento,

    Reconhecendo a importância do intercâmbio, cooperação e diálogo dos países da região com os países africanos,

    Reconhecendo que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos e têm a capacidade de contribuir construtivamente para o desenvolvimento e o bem-estar da sociedade, e que todas as doutrinas de superioridade racial são cientificamente falsas, moralmente condenáveis, socialmente injustas e perigosas e devem ser rejeitadas, juntamente com as teorias que tentam determinar a existência de raças humanas distintas,

    Concordaram com o seguinte:

    1. Reafirmar o compromisso com a plena implementação da Declaração e Plano de Ação de Durban, em nível nacional, regional e global.

    2. Reafirmar o apoio à criação do Fórum sobre Afrodescendentes, no âmbito do Conselho de Direitos Humanos, em conformidade com o parágrafo 29, inciso i), do anexo da resolução 69/16 da Assembleia Geral das Nações Unidas.

    3. Reafirmar também que o Fórum sobre Afrodescendentes deverá consistir em mecanismo de consulta para todas as pessoas Afrodescendentes e órgão consultivo do Conselho de Direitos Humanos sobre as dificuldades e necessidades das pessoas Afrodescendentes, a fim de:

    a) Garantir a plena inclusão política, econômica, social e cultural de Afrodescendentes nas sociedades em que vivem como cidadãs e cidadãos iguais que gozam de uma igualdade substantiva de direitos;

    b) Fornecer assessoramento especializado aos Estados e formular recomendações, a fim de resolver os problemas relacionados com o racismo enfrentado pelas pessoas Afrodescendentes e que lhes impede o pleno usufruto de todos os seus direitos humanos e liberdades fundamentais;

    c) Identificar e analisar as melhores práticas, desafios, oportunidades e iniciativas para continuar a implementar as disposições da Declaração e Programa de Ação de Durban, que são relevantes para as pessoas Afrodescendentes;

    d) Acompanhar e avaliar os progressos realizados na implementação do programa de atividades da Década Internacional de Afrodescendentes e, para tal recolher informação relevante por parte dos governos, órgãos e entidades das Nações Unidas, organizações intergovernamentais, organizações não governamentais e outras fontes pertinentes;

    e) Promover a integração e coordenação das atividades relacionadas com as pessoas Afrodescendentes no âmbito do sistema das Nações Unidas;

    f) Facilitar a gestão dos recursos humanos, técnicos, tecnológicos e financeiros para que os Estados implementem programas orientados aos índices de desenvolvimento humano das comunidades de Afrodescendentes com indicadores que sejam diretamente relevantes para suas necessidades de desenvolvimento.

    4. Apoiar a iniciativa da Comunidade do Caribe (CARICOM) sobre reparações.

    5. Apoiar a adoção de medidas para que se continue promovendo e protegendo todos os direitos humanos das pessoas Afrodescendentes contidos em instrumentos internacionais de direitos humanos.

    6. Apoiar em particular o desenvolvimento de um projeto de declaração das Nações Unidas sobre a promoção e o pleno respeito dos direitos humanos das pessoas afrodescendentes, salientando a importância de começar com os trabalhos o mais rapidamente possível, de modo a transferir as contribuições substantivas a sua redação.

    7. Instar a Assembleia Geral das Nações Unidas para, no âmbito da Década Internacional, convocar a IV Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância.

    8. Apoiar a necessidade de prestar especial atenção às pessoas Afrodescendentes em situações particulares como crianças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência e vítimas de discriminação múltipla ou agravada com base no sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem social, origem nacional, posição econômica, nascimento, entre outros.

    9. Promover a incorporação do enfoque diferencial afrodescendente nas organizações especializadas em matéria de cooperação internacional no reconhecimento das assimetrias pertinentes a tal população nos âmbitos econômico, social e cultural.

    10. Promover uma hora contra o racismo no âmbito do Dia Mundial da Diversidade, que é comemorado a cada 21 de maio, a fim de aprofundar o reconhecimento de Afrodescendentes e promover a mobilização social contra o racismo e todas as formas de discriminação racial.

    11. Contribuir para o desenvolvimento e pesquisa do Volume IX da História Geral da África liderada pela UNESCO com a União Africana, bem como para o projeto “Rota do Escravo”, também da UNESCO.

    12. Promover a criação ou o fortalecimento de mecanismos nacionais para a promoção da igualdade racial, a eliminação da discriminação baseada na diversidade étnica e a integração dos direitos humanos para Afrodescendentes.

    13. Adotar ações afirmativas para reduzir e remediar as disparidades e desigualdades e até mesmo acelerar a inclusão social e o fechamento das lacunas no acesso à educação e ao emprego, resultantes de injustiças históricas e atuais, de acordo com as particularidades de cada país.

    14. Promover o acesso à justiça e o gozo efetivo dos direitos das pessoas afrodescendentes nos sistemas judiciais.

    15. Promover iniciativas destinadas a implementar políticas de reparação histórica para reforçar a visibilidade e o valor negado ao coletivo Afrodescendente.

    16. Promover, no âmbito de suas respectivas jurisdições, o reconhecimento dos direitos das comunidades afrodescendentes.

    17. Instar os Estados, de acordo com as normas internacionais de direitos humanos e seus respectivos sistemas jurídicos, a resolver os problemas de propriedade em relação às terras ancestrais habitadas por afrodescendentes e promover o uso produtivo da terra e o desenvolvimento integral dessas comunidades, respeitando sua cultura.

    18. Promover, nos Estados que ainda não tenham estabelecido, a inclusão da variável étnica em sistemas estatísticos nacionais, a fim de assegurar a visibilidade nacional estatística desta população, bem como a geração de dados desagregados que possam explicitar a evolução da situação socioeconômica e do usufruto de direitos.

    19. Promover e implementar medidas para combater e punir a prática de discriminação racial e promover programas de formação e de sensibilização para a polícia e oficiais de justiça na identificação, investigação e punição da prática.

    20. Provocar os Estados a assinar e ratificar instrumentos internacionais contra o racismo, a discriminação racial e intolerância correlata das organizações internacionais das quais os Estados da América Latina e Caribe são membros.

    21. Promover o intercâmbio de programas de formação, educação e cultura que demonstrem a contribuição da cultura Africana na construção de nossas sociedades.

    22. Exortar aos países da região a incorporarem e desenvolverem, conforme seja o caso, a educação étnico-racial e a valorização do patrimônio afrodescendente em seus sistemas educacionais.

    23. Instar à criação de um Centro de Memória Histórica na região e procurar os meios para esse fim, incluindo financiamento.

    24. Expressar sua gratidão ao Governo do Brasil por sediar esta Conferência Regional da América Latina e do Caribe da Década Internacional de Afrodescendentes.

  • Consultas Políticas Brasil-Liga dos Estados Árabes – Brasília, 28 de abril de 2016

    Será realizada amanhã, 28 de abril, em Brasília, a I Reunião do Mecanismo de Consultas Políticas entre o Brasil e Liga dos Estados Árabes. A delegação brasileira será chefiada pelo Subsecretário-Geral responsável por África e Oriente Médio no Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Fernando José Marroni de Abreu, e a delegação da LEA será chefiada pelo Secretário-Geral Adjunto para Assuntos Políticos, Embaixador Fadel Jawad Kadhum.

    O Governo brasileiro tem buscado, nos últimos anos, ampliar a cooperação multissetorial com a Liga e aprofundar o diálogo político bilateral com seus 22 países membros. A realização da I Reunião ocorre menos de um ano após a assinatura, à margem da 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas, do Memorando para o Estabelecimento de Cooperação e Consultas Políticas, cujo escopo abrange o debate de questões internacionais, regionais e bilaterais de interesse comum.

    A Missão Permanente da LEA em Brasília foi reaberta em 2009. Desde março de 2014, o Embaixador do Brasil no Egito é acreditado como Representante Especial junto à LEA.

    O intercâmbio comercial com os países árabes atingiu US$ 19,2 bilhões em 2015.

  • Convenção Interamericana sobre os Direitos das Pessoas Idosas

    A Organização dos Estados Americanos, em sua XLV Assembleia Geral, realizada no dia 15 de junho, em Washington, aprovou e abriu para assinatura a Convenção Interamericana sobre os Direitos das Pessoas Idosas. O Brasil, representado pelo Secretário-Geral das Relações Exteriores, Embaixador Sérgio França Danese, foi um dos primeiros signatários da Convenção.

    Esse é o primeiro instrumento internacional juridicamente vinculante voltado para a proteção e promoção dos direitos das pessoas idosas. Sua aprovação constitui avanço nos esforços para assegurar, em caráter permanente, os direitos desse grupo populacional. A Convenção reconhece as pessoas idosas como sujeitos de direitos, empoderando-as e garantindo a sua plena inclusão, integração e participação na sociedade.

  • Criação da Frente de Países da OEA em Prol dos Direitos das Pessoas LGBTI

    Foi anunciada, na noite de ontem, 15 de junho, na XLVI Sessão Ordinária da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), a criação de frente de países em prol da promoção dos direitos das pessoas LGBTI. Além do Brasil, participam da iniciativa Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México e Uruguai. 

    O Brasil tem participado ativamente, nos diversos fóruns multilaterais, das discussões para a promoção e proteção dos direitos das pessoas LGBTI, e faz parte da frente de países sobre esse mesmo tema no âmbito do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, e da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. 

    Em relatório de 2015, intitulado "Violência contra Pessoas LGBTI", a Comissão Interamericana de Direitos Humanos indicou que “as pessoas LGBTI, ou aquelas percebidas como tal, estão sujeitas a diversas formas de violência e discriminação baseadas na percepção de sua orientação sexual, sua identidade ou expressão de gênero” e que “estas situações de violência e discriminação são uma clara violação a seus direitos humanos, tal e como o reconhecem os instrumentos interamericanos e internacionais de direitos humanos”.

    O recém-criado grupo de países se compromete a apoiar esforços da OEA destinados a assegurar que todos os seres humanos possam viver livres da violência e da discriminação baseadas em orientação sexual, identidade ou expressão de gênero, reconhecendo a importância de tratar das formas múltiplas e sobrepostas de discriminação. Esperam, ainda, colaborar com as organizações da sociedade civil e outros atores sociais para promover e proteger os direitos humanos das pessoas LGBTI. 

    Na declaração que formalizou o lançamento da frente, o Brasil e os demais países do grupo instam a que "o trágico atentado em Orlando sublinhe a urgência e o imperativo do trabalho conjunto pela prevenção da discriminação, da violência e do ódio contra pessoas LGBTI ou qualquer outro grupo historicamente marginalizado".

  • Criação da Relatoria Especial sobre "O Direito à Privacidade na Era Digital"

    O Governo brasileiro registra, com satisfação, a adoção hoje, em Genebra, por consenso, pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH), de resolução de iniciativa do Brasil e da Alemanha, juntamente com Áustria, Liechtenstein, México, Noruega e Suíça, sobre o direito à privacidade na era digital. A resolução cria relatoria especial sobre o direito à privacidade para lidar com os desafios decorrentes da era digital. A resolução contou com um total de 58 países copatrocinadores.

     

    A relatoria especial, com mandato inicial de três anos, terá competência para reunir informações relevantes sobre o direito à privacidade, identificar obstáculos à sua promoção e proteção, tomar medidas com vistas à conscientização sobre a necessidade de promover e proteger o referido direito, bem como relatar violações e submeter à atenção do CDH situações de maior gravidade, entre outras funções.

     

    A apresentação da referida resolução dá seguimento à resolução 69/166 sobre o direito à privacidade na era digital, aprovada em 18 de dezembro de 2014 pela Assembleia Geral da ONU. Por meio dessa resolução, a Assembleia Geral instou o Conselho de Direitos Humanos a considerar a possibilidade de estabelecer um mandato para a promoção e proteção do direito à privacidade. O Brasil, juntamente com os demais membros que apresentaram a resolução, conduziu as negociações que culminaram com a instituição desse novo Relator Especial do Conselho de Direitos Humanos.

     

    Segue versão para o português do texto da resolução aprovada:

    28/…  O Direito à Privacidade na Era Digital

          O Conselho de Direitos Humanos.

    Guiadopelos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas,

    Reafirmandoos direitos humanos e liberdade fundamentais consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e os tratados internacionais de direitos humanos relevantes, incluindo o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais,

    Recordandoa universalidade, indivisibilidade, interdependência e interrelação de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais,

    Reafirmandoa Declaração e Programa de Ação de Viena,

    Recordandoa resolução 5/1 do Conselho de Direitos Humanos sobre a estruturação institucional do Conselho e a resolução 5/2 sobre o Código de Conduta para os Titulares de Procedimentos Especiais do Conselho, de 18 de junho de 2007, e sublinhando que o titular desempenhará suas funções de acordo com essas resoluções e seus anexos,

    Recordando tambémas resoluções da Assembleia Geral 68/167 de 18 de dezembro de 2013 e 69/166 de 18 de dezembro de 2014 sobre o direito à privacidade na era digital, e a decisão 25/117 do Conselho de Direitos Humanos relativa ao painel sobre o direito à privacidade na era digital,

    Recordando ainda as resoluções do Conselho de Direitos Humanos 20/8 de 5 de julho de 2012 e 26/13 de 26 de junho de 2014 sobre promoção, proteção e exercício dos direitos humanos na internet,

    Saudando o trabalho realizado pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos sobre o direito à privacidade na era digital, registrando com interesse o relatório apresentado sobre o tema e recordando o painel sobre o direito à privacidade na era digital, realizado durante a 27ª sessão do Conselho de Direitos Humanos,

    Tomando nota do relatório do Relator Especial sobre a promoção e proteção dos direitos humanos e liberdades fundamentais no combate ao terrorismo, e do relatório do Relator Especial sobre a promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressão,

    Registrando com apreço o Comentário Geral n. 16 do Comitê de Direitos Humanos sobre o direito ao respeito a privacidade, família, domicílio e correspondência, e promoção da honra e reputação, registrando ainda os vastos saltos tecnológicos que ocorreram desde a sua adoção,

    Recordando que a Assembleia Geral, por meio da resolução n. 69/166, encorajou o Conselho de Direitos Humanos a dar continuidade ativamente ao debate sobre o direito à privacidade na era digital, com o objetivo de identificar e esclarecer princípios, normas e melhores práticas relativas à promoção e proteção do direito à privacidade, e a considerar a possibilidade de criar um procedimento especial para tal fim,

    Reconhecendo a necessidade de continuar a discussão e a análise, com base no direito internacional dos direitos humanos, de assuntos relacionados à promoção e proteção do direito à privacidade na era digital, garantias procedimentais, supervisão e reparações nacionais efetivas, o impacto da vigilância sobre o direito à privacidade e outros direitos humanos, assim como a necessidade de examinar os princípios da não-arbitrariedade e legalidade, e a relevância das análises relativas à necessidade e proporcionalidade em relação às práticas de vigilância,

    Reafirmando o direito humano à privacidade, segundo o qual ninguém será sujeito a interferências arbitrárias ou ilegais em sua privacidade, família, domicílio ou correspondência, e o direito à proteção da lei contra tais interferências, e reconhecendo que o exercício do direito à privacidade é importante para a realização do direito à liberdade de expressão e opinião sem interferência e do direito à liberdade de reunião e associação pacífica, e é um dos fundamentos de uma sociedade democrática,

    Registrando que o rápido ritmo do desenvolvimento tecnológico permite que indivíduos em todo o mundo usem novas tecnologias de informação e comunicação ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de governos, empresas e indivíduos de realizar vigilância, interceptação e coleta de dados que podem implicar violações ou abusos de direitos humanos, particularmente do direito à privacidade, como previsto no art. 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e no art. 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, sendo portanto um tema de crescente preocupação.

    Notando tambémque, enquanto metadados podem trazer benefícios, alguns tipos de metadados, quando agregados, podem revelar informações pessoais e podem dar uma visão sobre o comportamento individual, relações sociais, preferências privadas e identidade,

    Enfatizandoque os Estados devem respeitar suas obrigações internacionais de direitos humanos quanto ao direito à privacidade quando interceptam comunicações digitais dos indivíduos e/ou coletam dados pessoais e quando requerem abertura de dados pessoais de terceiras partes, incluindo companhias privadas,

    Recordando que empresas tem a responsabilidade de respeitar os direitos humanos tais como estabelecidos nos Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos: Implementando o Mecanismo "Proteger, Respeitar e Reparar" das Nações Unidas,

    Profundamente preocupadoscom o impacto negativo que a vigilância e/ou interceptação de comunicações, incluindo vigilância e/ou interceptação de comunicações extraterritoriais, assim como a coleta de dados pessoais, em particular quando conduzida em grande escala, pode ter sobre o exercício e o gozo dos direitos humanos,

    Notando com profunda preocupaçãoque, em muitos países, pessoas e organizações engajadas na promoção e defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais frequentemente enfrentam ameaças e assédio e sofrem com insegurança, assim como com interferências ilegais e arbitrárias em seu direito à privacidade como resultado de suas atividades,

    Notandoque, enquanto preocupações com a segurança pública podem justificar a coleta e a proteção de certas informações sensíveis, os Estados devem assegurar o total cumprimento de suas obrigações sob o direito internacional dos direitos humanos,

    Notando também,a esse respeito, que a prevenção e a supressão do terrorismo são um interesse público de grande importância, enquanto reafirmando que os Estados devem assegurar que quaisquer medidas adotadas para combater o terrorismo estejam em conformidade com suas obrigações sob o direito internacional, em particular o direito internacional dos direitos humanos, dos refugiados e o direito internacional humanitário,

    1. Reafirma o direito à privacidade, de acordo com o qual ninguém será submetido à interferência arbitrária ou ilegal em sua privacidade, família, casa ou correspondência, e o direito à proteção da lei contra tal interferência, tal como estabelecido no Artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e no Artigo 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos;
    2. Reconhecea natureza global e aberta da internet e o rápido avanço das tecnologias de informação e comunicações como uma força motriz na aceleração do progresso em direção ao desenvolvimento em suas várias formas;
    3. Afirma que os mesmos direitos que as pessoas têm "offline" tem que ser também protegidos "online", incluindo o direito à privacidade;
    4. Decide indicar, pelo período de três anos, um relator especial sobre o direito à privacidade, cujas atribuições incluirão:

    (a)    Coletar informação relevante sobre estruturas nacionais e internacionais, práticas e experiências nacionais, para estudar tendências, desdobramentos e desafios em relação ao direito à privacidade e fazer recomendações para assegurar sua promoção e proteção, incluindo em conexão com os desafios decorrentes das novas tecnologias;

    (b)    Procurar, receber e reagir a informações, evitando duplicação, dos Estados, das Nações Unidas e de suas agências, programas e fundos, de mecanismos regionais de direitos humanos, de instituições nacionais de direitos humanos, de organizações da sociedade civil, do setor privado, incluindo empresas, e de qualquer outro ator ou parte relevante;

    (c)    Identificar possíveis obstáculos à promoção e proteção do direito à privacidade, identificar, intercambiar e promover princípios e boas práticas nos níveis nacional, regional e internacional, e submeter propostas e recomendações ao Conselho de Direitos Humanos nesse sentido, inclusive com relação a desafios específicos que surjam na era digital;

    (d)    Participar e contribuir para conferências e eventos internacionais relevantes com o propósito de promover uma abordagem sistemática e coerente de assuntos concernentes ao mandato;

    (e)    Promover conscientização quanto à importância de promover e proteger o direito à privacidade, inclusive com relação a desafios específicos que surjam na era digital, assim como quanto à importância de prover, a indivíduos cujo direito à privacidade tenha sido violado, acesso a reparações efetivas, consistentes com as obrigações internacionais de direitos humanos;

    (f)     Integrar uma perspectiva de gênero em todo o trabalho do mandato;

    (g)    Relatar alegadas violações, onde quer que ocorram, do direito à privacidade, conforme estabelecido no artigo 12 da Declaração Universal de Direitos Humanos e  artigo 17 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, inclusive em conexão com os desafios que surjam a partir de novas tecnologias, e chamar a atenção do Conselho e do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos para situações de particular preocupação;

    (h)    Submeter um relatório anual ao Conselho de Direitos Humanos e à Assembleia Geral, a começar na trigésima primeira sessão e na septuagésima primeira sessão respectivamente;

    1. Convida o Relator Especial a incluir no primeiro relatório considerações que julgar relevantes para tratar do direito à privacidade na era digital;
    2. Insta todos os Estados a cooperar plenamente e assistir o Relator Especial no exercício do mandato, inclusive proporcionando todas as informações necessárias solicitadas por ele ou ela, a responder prontamente aos seus apelos urgentes e outras comunicações, a considerar favoravelmente os pedidos do titular para visitar seus países e a considerar implementar as recomendações feitas pelo titular em seus relatórios;
    3. Encoraja todos os atores relevantes, inclusive as Nações Unidas e suas agências, programas e fundos, mecanismos regionais de direitos humanos, instituições nacionais de direitos humanos, sociedade civil e o setor privado a cooperarem plenamente com o Relator Especial para permitir ao titular que cumpra o mandato;
    4. Requer ao Secretário-Geral e ao Alto Comissário que provejam o Relator Especial com todos os recursos humanos e financeiros necessários para o efetivo cumprimento do mandato;
    5. Decidecontinuar sua consideração do assunto sob o mesmo item da agenda.
  • Criação do cargo de perito independente da ONU sobre a proteção contra a violência baseada na orientação sexual

    O governo brasileiro acolhe com satisfação a adoção, em 30 de junho, em Genebra, pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, de resolução que cria o cargo de perito independente da ONU com vistas à proteção contra a violência e a discriminação baseadas em orientação sexual e identidade de gênero. O texto, de iniciativa do Brasil, contou também com o apoio de Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Uruguai.

    A resolução representa passo concreto no reconhecimento pelas Nações Unidas da vulnerabilidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais à violência e à discriminação, em razão de sua orientação sexual e identidade de gênero. 

    O futuro perito independente deverá trabalhar juntamente com os governos e agências das Nações Unidas para promover medidas de proteção, examinar formas de violência e discriminação existentes e oferecer aconselhamento, assistência técnica, formação e cooperação internacional.

  • Década Internacional dos Afrodescendentes

    O Governo brasileiro manifesta sua grande satisfação pela proclamação da Década Internacional dos Afrodescendentes, aprovada pela Assembleia Geral da ONU.

    A Década, intitulada "Pessoas Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento", será celebrada de 1º de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2024. Buscará aumentar a conscientização das sociedades no combate ao preconceito, à intolerância e ao racismo.

    O Governo brasileiro empenhou-se diretamente no processo de negociações que levou à proclamação da Década.

 
 
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