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CARTEL DOS PRIVILEGIADOS
O Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, tem uma batata quente nas mãos: a reforma do Conselho de Segurança. Enquanto a Alemanha se empenha para conseguir apoio a um assento permanente, as cinco grandes potências mostram-se renitentes: elas não querem perder seus privilégios.

Entrevistado: Celso Amorim

"O BRASIL APÓIA BERLIM"

por Martin Wocher

Quão necessária é uma reforma da ONU?
O sistema inteiro das Nações Unidas precisa ser fortalecido. O objetivo da ONU é encontrar respostas conjuntas para ameaças. Em primeiro lugar, a ameaça no sentido tradicional - a área de jurisdição do Conselho de Segurança. Além disso, existem ameaças à humanidade sob a forma de pobreza e de catástrofes ambientais, que talvez possam ser melhor enfrentadas por outras organizações da ONU. Sem um empenho global contra a fome e a pobreza, não é possível assegurar a paz. É nesse âmbito que o sistema da ONU precisa ser reforçado.

Brasil, Índia, Japão e Alemanha apresentaram suas próprias propostas. O senhor experimentou mais apoio ou mais recusas?
O Brasil defende uma ampliação do Conselho de Segurança, tanto no âmbito dos membros permanentes quanto dos não-permanentes, para países industrializados e em desenvolvimento. Propostas como a de uma rotatividade permanente ou de "assentos semi-permanentes" - ou novos assentos para membros eleitos - não alterarão o desequilíbrio existente.

De que lado o senhor espera receber as maiores resistências?
Da falta de percepção sobre como é urgente, para a comunidade internacional, reforçar as instituições multinacionais. Sabemos que a reforma do Conselho de Segurança não é nenhuma tarefa fácil. Mas do ponto de vista histórico, é ainda mais difícil não levar a cabo as reformas.

O Brasil apóia a pretensão de Berlim a um assento permanente no Conselho de Segurança?
Brasil e Alemanha se apóiam mutuamente em seus esforços para obter um assento permanente no Conselho de Segurança. Isto é mais do que uma aliança tática. Ambos compartilham a mesma visão sobre multilateralismo e segurança comum. Cada membro do Conselho de Segurança é responsável pela comunidade internacional como um todo. Isso significa que cada membro deve, ao mesmo tempo, esforçar-se para o entendimento também no âmbito regional. Acreditamos que, com um Conselho de Segurança ampliado, abrangendo Brasil, Alemanha e outros países, haverá espaço para uma maior cooperação regional.

* Celso Amorim é o Ministro das Relações Exteriores do Brasil e é considerado um dos mais experientes políticos do país.

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