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Discurso do Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Mauro Vieira, por ocasião da cerimônia de transmissão do cargo de Ministro de Estado das Relações Exteriores

 

Brasília, 2 de janeiro de 2015


Foi com profunda honra que recebi o convite da Senhora Presidenta da República, Dilma Rousseff, para assumir o cargo de Ministro de Estado das Relações Exteriores. O seu mandato popular que se renova confere-lhe força moral e liderança para conduzir-nos no caminho da prosperidade e da felicidade, sentido maior do projeto nacional brasileiro.

A ela expresso a minha gratidão pela confiança que esse gesto representa, pela honra que me confere de estar ao seu lado nessa tarefa maior. E afirmo o meu compromisso de trabalhar intensamente para corresponder à confiança em mim depositada.

A exemplo das funções que desempenhei anteriormente na Secretaria de Estado e no Exterior, aceitei este desafio com encantamento e grande sentido de responsabilidade e lealdade à Presidenta, consciente do que representa na vida de um veterano servidor do Itamaraty e do Estado brasileiro sentar-se na cadeira do Barão do Rio Branco.  Compartilho esse sentido de dever a serviço da Nação com todos os meus colegas desta Casa, diplomatas e funcionários integrantes das carreiras do Itamaraty, a quem anima sempre a divisa do Barão, “Ubique Patriae memor” – "em toda parte, a lembrança da Pátria".

Assumo esse desafio com imensa determinação para executar as diretrizes da Política Externa determinadas pela Senhora Presidenta da República. Vou amparar-me nas melhores tradições desta Casa, no apoio e no engajamento de todos os seus funcionários, no patrimônio diplomático que já construímos e na memória que dele guardamos - no projeto permanente, enfim, que sempre animou a diplomacia brasileira: definir e projetar no mundo a identidade do Brasil, identificar e defender os interesses do País em meio a um universo crescente de oportunidades, desafios e riscos.

Tenho o privilégio de suceder o Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, amigo querido, cujas qualidades humanas, talento e experiência enriqueceram a função de Chanceler e serão fundamentais para o exercício da nova e alta função que lhe será confiada pela Senhora Presidenta da República.

Sob a condução do Embaixador Figueiredo, o Itamaraty continuou a ser instrumento para que o Brasil aprofunde sua inserção internacional como protagonista nas mais distintas áreas temáticas, sempre em harmonia com a nossa identidade sul-americana, o multilateralismo e a prevalência do direito internacional. Conto, caro Figueiredo, com seus conselhos ao longo do trajeto que hoje se inicia e desejo-lhe muitas felicidades e realizações na nova etapa que se inicia em sua vida pessoal e profissional.

Quero dizer uma palavra de agradecimento também ao Secretário-Geral, Embaixador Eduardo dos Santos, contemporâneo dos bancos do Instituto Rio Branco e amigo querido desde sempre, cuja experiência e sabedoria tanto têm ajudado na condução dos assuntos desta Casa.

Senhoras e Senhores, 

Defino-me essencialmente como um profissional da diplomacia. Vejo os Chefes da Casa e as novas gerações hoje aqui reunidas, e identifico-me com cada um dos meus colegas. Ao longo dos meus 40 anos de carreira diplomática, senti-me sempre inspirado pelo exemplo das gerações anteriores que construíram esta instituição, patrimônio nacional, reconhecida como uma das melhores e mais profissionais Chancelarias do mundo, cuja alma se constitui de carreiras de Estado solidamente ancoradas na experiência e no ideal do constante aprimoramento profissional.

Em diferentes momentos e funções, tive a felicidade de trabalhar com alguns dos mais destacados diplomatas brasileiros das últimas décadas, entre os quais, pela proximidade que mantivemos e a intensidade do que com eles compartilhei, quero destacar Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e Luiz Felipe de Seixas Corrêa. Com todos eles aprendi a admirar a maneira pela qual expressam seu compromisso inalienável com o Brasil, conduzindo o Itamaraty na função de Estado que esta Casa exerce desde a sua criação: identificar, recolher, sintetizar, interpretar, promover e proteger as mais altas e legítimas aspirações e interesses nacionais, em permanente interação com o mundo exterior. Também tive o privilégio de trabalhar fora do Itamaraty, sob a liderança do saudoso Ministro Renato Archer, que tanto me ensinou sobre o nosso país, no momento da criação do Ministério da Ciência e Tecnologia, em 1985. 

Mesmo em meio a dificuldades e frustrações, o trabalho cotidiano de todos nós, no Brasil e no exterior, jamais deixou de ter o sentido último que nos fez optar por uma profissão singular, que nos movimenta constantemente pelas paisagens do mundo – contribuir, pela melhor articulação do País com a sua região e o mundo, para engrandecer a Nação, para tornar o Brasil real cada vez mais parecido com o país sonhado por nós.

Somos herdeiros orgulhosos daqueles que ajudaram a fundar a nossa soberania, a consolidar a nossa Independência, a definir o nosso território e a projetar cada vez mais a nossa presença no mundo. Orgulhamo-nos de ser os instrumentos da ação internacional de um grande país que encara o mundo e seus parceiros com uma visão de cooperação, de ajuda recíproca, de compromisso com o desenvolvimento social e humano e, portanto, de compromisso com o aprimoramento das instituições da governança global e regional no melhor interesse dos povos. 

Senhoras e Senhores, meus colegas,

Em seu discurso de posse perante o Congresso Nacional, ontem, a Senhora Presidenta traçou as linhas gerais da política externa que deseja ver executada em seu segundo mandato. Mais que isso, a Presidenta traçou as linhas gerais das políticas públicas que pretende desenvolver, deixando claro para a diplomacia brasileira que papel deverá desempenhar para coadjuvar os esforços do Governo no plano interno, para fazer das relações internacionais do Brasil um instrumento de apoio e impulso a essas políticas, a começar pela política macroeconômica.     

É um discurso que valoriza a agenda internacional do Brasil e a encara com sentido de pragmatismo e de projeto nacional. Ele será o nosso plano de trabalho, a partir do qual consolidaremos ou alteraremos estratégias de atuação a fim de atuar em plena sintonia com os objetivos do Governo.      

Essa agenda internacional impõe hoje ao Brasil grandes desafios. Devemos enfrentá-los com determinação, com criatividade e, sobretudo, com a consciência plena da nossa identidade de nação-continente e de país sul-americano, com uma história de dedicação à paz e ao desenvolvimento econômico e social em todo o mundo – uma história da qual podemos nos orgulhar cada vez mais e de que o Itamaraty sente-se guardião.     

Os Governos do Presidente Lula e da Presidenta Dilma Rousseff têm sido fundamentais na reafirmação dessa identidade e do próprio do Brasil, dessa aspiração de sermos grandes, respeitados, influentes, sem perder de vista, jamais, a visão do outro, única forma de agir com equilíbrio e sabedoria diante dos desafios.     

As relações exteriores constituem um campo fundamental para alcançar o desenvolvimento nacional entendido no sentido mais amplo, o sentido que lhe dá a Presidenta Dilma Rousseff, um conceito onde se conjuga o crescimento econômico, a justiça social, o respeito aos direitos humanos, o acesso à educação e aos serviços básicos, o direito ao trabalho digno, em suma: a participação de todos os brasileiros na tarefa de construir esta Nação e nos frutos dessa tarefa comum.     

A inter-relação entre os assuntos internos e os internacionais é cada vez maior. O mundo globalizado diluiu as fronteiras entre a política externa em sua concepção clássica e as outras esferas da ação estatal, criando uma interconexão entre as dimensões doméstica e internacional. Em cada grande tema da política externa, administrar essa interconexão não depende apenas do Itamaraty. Mas cabe fundamentalmente ao Itamaraty operar em sintonia com as diferentes áreas do Governo, gerando as sinergias que reforçarão a ação e a posição negociadora do Brasil no mundo.    

O Itamaraty tem papéis muito claramente definidos no âmbito do Governo e perante a sociedade brasileira. Como fazem todas as diplomacias no mundo, somos a primeira linha de representação e de negociação do país lá fora. Temos também uma vocação especial para ajudar a sociedade e os agentes econômicos e sociais brasileiros a melhor compreender o mundo, nossos interesses e a própria agenda diplomática brasileira. São, sem dúvida, tarefas extremamente complexas. A elas esta Casa tem-se dedicado historicamente, adaptando-se aos novos desafios quando foi necessário. Assim continuaremos a operar.       

O apelo por uma sociedade mundial mais justa e coesa, menos hierárquica, corresponde à luta do Brasil e de tantas nações por criar, dentro de suas próprias fronteiras, uma sociedade democrática e participativa. Esse sempre foi e continuará sendo o sentido do engajamento do Brasil para ajudar na busca de uma fórmula que viabilize a reforma do Conselho de Segurança, de modo a torná-lo mais representativo e legítimo e, portanto, mais eficiente.           

De fato, as vitórias que o Brasil tem obtido, internamente, nos campos da igualdade e da inclusão social, credenciam-nos ainda mais a propugnar por esses mesmos valores no plano internacional. A consolidação desses avanços fortalece o poder suave do Brasil, que se manifesta crescentemente por meio da cooperação com países amigos. A cooperação internacional constitui um instrumento único que nos permite, a um só tempo, compartilhar experiências inovadoras e incorporar e divulgar o desenvolvimento técnico e tecnológico dos setores produtivo e científico brasileiros. Fortalecer a área da cooperação internacional como instrumento da política externa brasileira e, portanto, do desenvolvimento tecnológico e econômico do país constitui tarefa central, a exigir do Itamaraty pleno engajamento.          

A agenda que nos espera em 2015 e nos próximos anos é ampla e promissora, como indicou a Senhora Presidenta em seu discurso de posse. De acordo com nossa tradicional linha de ação, a um tempo regional e universalista, trataremos de consolidar a América do Sul como espaço de integração em todos os âmbitos e ampliar esforços no mesmo sentido com o restante da região; os laços com o mundo desenvolvido – Estados Unidos, União Européia e Japão; as relações com os BRICS e com os países emergentes; com nossos irmãos da África e do Oriente Médio, em especial com os países de língua portuguesa; com todos os membros da comunidade internacional. Continuaremos atuando com grande engajamento nas Nações Unidas, na OMC, no G-20, nas negociações sobre o Clima e sobre a governança da Internet, entre tantas outras frentes.       

Atuaremos serenamente em todas as frentes novas e tradicionais da diplomacia brasileira. Seguiremos um princípio básico, o de que nossos interesses são geográfica e tematicamente universais e, portanto, não apresentam contradições entre si, nem aceitam exclusivismos.           

Não há, para o Brasil, dicotomias nem contradições de interesses nas nossas relações com os países desenvolvidos, emergentes ou em desenvolvimento, como não há contradições nem dicotomias em perseguirmos uma ampla agenda econômica, social, humanitária e de direitos humanos nos planos multilateral e regional.         

Senhoras e Senhores, caros colegas,

É preciso que a agenda comercial externa reflita essa realidade. Redobraremos esforços na área do comércio internacional, buscando desenvolver ou aprimorar as relações com os mercados externos – todos os mercados externos. Assim, uma linha mestra da atuação do Itamaraty no segundo mandato da Presidenta Dilma Rousseff será colaborar intensamente para abrir, ampliar ou consolidar o acesso mais desimpedido possível do Brasil a todos os mercados do mundo, promovendo e defendendo o setor produtivo brasileiro e coadjuvando suas iniciativas e ajudando, onde for possível, a captar investimentos.    

Ao olhar para o mundo, o Itamaraty vê antes de tudo os cidadãos brasileiros. Cabe a ele zelar pelo bem-estar de nossos nacionais que estão no exterior, em caráter permanente ou temporário. Vou empenhar-me para que a política consular brasileira receba recursos humanos e materiais para responder adequadamente à crescente demanda por serviços e assistência, decorrente do aumento significativo do número de brasileiros que vivem no exterior ou ali circulam a turismo, trabalho, estudo e tantas outras razões. Meu objetivo é trabalhar intensamente para que o Governo brasileiro ofereça um serviço consular de qualidade cada vez melhor para os seus cidadãos no exterior.      

Assim como no cenário comercial e na área consular e de brasileiros no exterior, teremos projetos e propostas construtivas em todas as demais áreas de atuação da diplomacia.  

O Brasil continuará a exercer seu papel de ator global, pois esse papel corresponde à sua realidade e às aspirações profundas do seu povo. E o Itamaraty continuará contribuindo para articular os múltiplos vetores de nossa inserção internacional que recaem sob a sua responsabilidade. Faremos isso em coordenação com todos os órgãos de Governo e em consulta com o Congresso, a sociedade civil e os agentes econômicos. E saberemos sempre informar da nossa ação e prestar contas do que fazemos.  

Caros colegas, Senhoras e Senhores,           

Para bem exercer sua vocação e manter-se habilitado a operar num mundo em veloz transformação, o Itamaraty necessita constantemente adaptar sua organização interna. Quero afirmar aqui meu compromisso com o aprimoramento e modernização dos métodos de trabalho do Itamaraty, com o fortalecimento e o aprimoramento da Carreira Diplomática e das demais carreiras do Serviço Exterior.

Juntos, procuraremos soluções práticas para os problemas que são específicos do Serviço Exterior em razão da sua natureza única dentro do Serviço Público. As questões centrais de seleção, formação, progressão funcional, remuneração, circulação entre postos e aperfeiçoamento profissional ao longo da carreira, precisam ser enfrentadas, à luz dos objetivos e do alcance da política externa, com o propósito de preservar e valorizar o extraordinário capital humano do Ministério e dele extrair o melhor rendimento para o conjunto da sociedade.         

Nessa tarefa, em consulta sempre com a Casa, contaremos também com as ideias que foram reunidas em ampla consulta promovida pelo Ministro Figueiredo. Darei especial atenção aos anseios dos colegas mais jovens, cuja dedicação entusiasmada sempre foi um dos esteios fundamentais do Itamaraty e sem a qual não teríamos a força de trabalho e o espírito de renovação que nos distingue.      

Renovar a instituição é fortalecê-la. E não há renovação possível sem o aporte criativo das novas gerações, que suprem, com o seu entusiasmo e engajamento, o que o aprendizado da experiência ainda não lhes tenha ensinado. 

Quero transmitir uma palavra especial aos colegas do Serviço Exterior que se encontram por todo o mundo, nas trincheiras da nossa diplomacia, muitas vezes sob a pressão de imensas dificuldades e sentindo-se distantes.         

Buscarei apoiá-los em tudo o que estiver ao meu alcance para que possam enfrentar os permanentes desafios materiais que vivem os Postos no exterior.

Nossa rede, como todos sabem, expandiu-se de forma sem precedentes, e constitui um extraordinário instrumento de promoção dos interesses nacionais que precisamos gerir. Estaremos atentos às necessidades de cada posto, às suas prioridades de atuação, às instruções que devem receber, ao papel insubstituível de cada Embaixada, Missão ou Consulado na estratégia externa que o Brasil deve seguir.

Terei sempre em mente que não basta estarmos presentes no mundo, é preciso sermos atuantes. O valioso simbolismo da presença não pode substituir uma diplomacia de resultados, e resultados, que se medem com números, se obtêm com consciência da missão, com ação, com engajamento, com meios, enfim.   

Os desafios que a Instituição enfrenta em seu funcionamento não são novos, e não são, no Brasil ou no mundo, exclusivos do Itamaraty. São comuns a muitas das grandes chancelarias, que como a nossa buscam adaptar-se às grandes transformações em curso e servir de forma pragmática aos interesses nacionais. Para fazer face a essas mudanças, contamos com recursos que são finitos. Precisamos, portanto, concentrar nossos recursos, nossa força de trabalho, onde ela é mais necessária em cada momento, e para tanto precisamos de flexibilidade, agilidade, versatilidade.       

Tenho certeza de que nosso recurso mais precioso, o empenho e dedicação de todos os funcionários, não faltará. Trabalharei para que esse patrimônio humano insubstituível seja em todos os momentos valorizado e incentivado, em todos os níveis funcionais, em todas as unidades, em todos os Postos.          

Trabalharei de forma incessante, sob a orientação da Senhora Presidenta da República, para dotar o Ministério das Relações Exteriores, tanto a Secretaria de Estado quanto os Postos no Exterior, dos meios necessários à sua missão.  Para que a nossa presença no mundo, hoje universal, se faça mais atuante, produzindo mais resultados concretos para o País.        

Ao aceitar o seu honroso convite, recebi da Presidenta Dilma Rousseff, pessoalmente, a garantia de seu total apoio. Esse engajamento da Chefe de Estado deve tranqüilizar-nos e ajudar-nos a encarar com determinação as tarefas que nos aguardam.     

Também convoquei para essa tarefa, na condição de meu Secretário-Geral, o Embaixador Sérgio França Danese, atual Subsecretário-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior. O Embaixador Danese, amigo de muitos anos, foi meu colega em quatro diferentes postos no exterior e no Brasil, e conhece bem o meu pensamento e  minha forma de atuar. Estou seguro de que a Casa o acolherá nessa função com plena compreensão do significado da minha escolha.          

Caros colegas, Senhoras e Senhores,           

É para mim uma imensa responsabilidade e um honroso privilégio assumir hoje a direção desta grande instituição, à qual já dediquei dois terços da minha vida. Para estar à altura desse desafio, conto com todos e cada um dos funcionários desta Casa, cujo espírito público e dedicação ao Brasil se tem comprovado ao longo da História. E, para que possamos todos continuar a trabalhar em harmonia e com pleno sentido de realização pessoal e profissional, quero que contem comigo, sempre. 

Muito obrigado.

 


 

Speech by His Excellency Ambassador Mauro Luiz Iecker Vieira during the ceremony in which he took office as Minister of Foreign Affairs

 

Brasília, 2 January 2015

 

I was deeply honored to receive from the President of the Republic, Dilma Rousseff, the invitation to take up the position of Minister of Foreign Affairs. Her own popular mandate, which has been renewed, confers upon her the moral force and leadership to take us forward on the path of prosperity and happiness, which is the purpose of Brazil’s national project.

I express my gratitude to her for the trust that her gesture represents, and for the honor of being by her side in this great undertaking. And I wish to affirm my commitment to work intensely so as to repay the trust placed in me.

As with the other roles I have previously performed in The Secretariat of State in Brasilia and abroad, I accept this challenge with a sense of enchantment and also a great sense of responsibility and loyalty towards the President, conscious as I am of what it means, for a veteran servant of Itamaraty  and the Brazilian state, to sit the chair of the Baron of Rio Branco. I share this sense of duty in the service of the nation with all my colleagues in the House, the diplomats and other employees who pursue their careers in Itamaraty, who always take inspiration from the Baron’s motto Ubique Patriae memor – “Wherever I go I shall remember my country”.

I take on this challenge with great determination to carry out the foreign-policy directives decided upon by the President of the Republic. My work will be rooted in the finest traditions of this House, in the support and engagement of all its employees, and in our diplomatic heritage – in short, in the permanent project which has always driven Brazilian diplomacy: to define and project the identity of Brazil, and to identify and defend the country’s interests in a world marked by increasing opportunities, challenges and risks.

I am privileged to succeed Ambassador Luiz Alberto Figueiredo Machado, my dear friend, whose human qualities, talent and experience enriched the role of Minister of Foreign Affairs and will also be vital in performing the new role to be entrusted to him by the President of the Republic.

Under the leadership of Ambassador Figueiredo, Itamaraty continued to be an instrument through which Brazil became more firmly established on the international stage as a protagonist with regard to various different issues, always in harmony with our South American identity, with the principle of multilateralism, and with international law. Dear Figueiredo, I will count on your advice during the long journey which begins today, and wish you great happiness and great achievements in the next stage of your personal and professional life.

I would also like to offer a word of thanks to the Secretary General of Itamaraty, Ambassador Eduardo dos Santos, my colleague right from our early days as trainee diplomats and a dear friend whose experience and wisdom have been so helpful in conducting the affairs of this House.

Ladies and gentlemen,

I define myself, essentially, as a professional diplomat. I see here today the senior members of this House alongside the new generations, and I identify with every one of my colleagues. Throughout my 40 years as a diplomat I have always felt inspired by the previous generations who built up this institution, this piece of our national heritage which is recognized as one of the best and most professional foreign ministries in the world, and whose soul is constituted of careers pursued in the service of the State, solidly anchored in experience and in the ideal of constant professional development.

At different times, and in different roles, I have been fortunate to work with some of the most outstanding Brazilian diplomats of recent decades – among whom, given the  proximity in which we worked and the intensity of what we shared, I would like to mention Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães and Luiz Felipe de Seixas Corrêa. With each of them I learned to admire the way they expressed their inalienable commitment to Brazil, leading Itamaraty in that function of the State which it has performed ever since its creation: to identify, collect, synthesize, interpret, promote and protect the highest and most legitimate national aspirations and interests, in constant interaction with the outside world. I also had the privilege of working outside Itamaraty under the leadership of the late Minister Renato Archer, who taught me so much about our country at the time of the creation of the Ministry of Science and Technology in 1985.

Even in the midst of difficulties and frustrations, the day-to-day work we all perform, in Brazil and abroad, has always retained that ultimate meaning which originally inspired us to choose this unique profession which shifts us constantly across the world's landscapes: to contribute, through the country’s improved interaction with its region and with the world, to making the real Brazil become more like the country we dream of being.

We are the proud heirs of those who helped establish our sovereignty, consolidate our independence, define our borders, and increasingly project our presence in the world. We are proud to be the instruments for international action of a great country which looks upon the world and our partners with a vision of cooperation, mutual support, a commitment to social and human development, and therefore, a commitment to improving the institutions of global and regional governance in the best interests of the world’s peoples.

Ladies and gentlemen, my colleagues,

In her inaugural address to the National Congress yesterday, the President traced the outlines of the foreign policy she wishes to see carried out in her second term of office. More than that, the President traced the outlines of the public policies she aims to develop, making clear to Brazil’s diplomats the role we should play in assisting the Government’s efforts in the domestic sphere, making Brazil’s international relations an instrument for supporting domestic policies and driving them forward, starting with macroeconomic policy.

It is a discourse which values Brazil’s international agenda, regarding it with pragmatism and with the sense of a national project. This will be our plan of action; the basis on which we will consolidate or revise our operational strategies so as to act in total harmony with the Government’s objectives.

This international agenda today presents Brazil with great challenges. We must face them with determination, with creativity, and above all with full awareness of our identity both as a continent-sized nation and a South American country with a history of dedication to peace and to economic and social development around the world – a history we can be increasingly proud of, and of which Itamaraty feels itself to be a guardian.

The governments of President Lula and President Dilma Rousseff have been instrumental in reaffirming this identity and our aspiration to be a great country, a respected and influential country – but without ever losing sight of other countries’ perspectives, which is the only way to face our challenges with balance and wisdom.

Foreign relations are a vital field in order to achieve national development in its broadest sense, the sense given it by President Dilma Rousseff, a concept combining economic growth, social justice, respect for human rights, access to education and basic services, the right to decent work: in short, the participation of every Brazilian in building this nation and in the fruits of this common undertaking.

The relationship between domestic and international affairs is becoming ever closer. The globalized world has diluted the boundaries between foreign policy, as traditionally conceived, and the other spheres of government, creating an interconnection between the domestic and international dimensions. When it comes to any of the major foreign-policy issues, administrating this interconnection depends not only on Itamaraty. But, fundamentally, it is up to Itamaraty to work in harmony with the different areas of government, generating the synergies that will enhance the actions and the negotiating position of Brazil in the world.

Itamaraty has very clearly defined roles within the scope of the Government and in regard to Brazilian society. Just like all other foreign ministries, we are the country’s first line of representation and negotiation in the world. We also have a special calling to help society, and Brazilian economic and social agents, to better understand the world, our interests, and our diplomatic agenda. These are, without doubt, extremely complex tasks. Tasks to which this House has always been dedicated, adapting itself to new challenges whenever necessary. That is how we will continue to work.

The call for a global society which is more just and cohesive, and less hierarchical, corresponds with Brazil’s struggle, and that of many other nations, to build a democratic and participatory society within our own borders. This has always been, and will continue to be, the purpose of Brazil’s efforts in helping to seek out a formula which will make possible the reform of the Security Council, so as to make it more representative and legitimate, and therefore more efficient.

In fact, the victories Brazil has achieved domestically, in the fields of equality and social inclusion, further boost our credentials for championing these same values in the international arena. The consolidation of these advances increases Brazil’s soft power, increasingly manifested through our cooperation with friendly countries. International cooperation is a unique tool that allows us simultaneously to share innovative experiences and to incorporate and disseminate technical and technological advances in Brazil’s productive and scientific sectors. The strengthening of international cooperation as an instrument of Brazilian foreign policy, and therefore of the country’s technological and economic development, constitutes a central objective that requires Itamaraty’s full engagement.

The agenda that awaits us in 2015 and beyond is broad and promising, as indicated by the President in her inaugural address. In accordance with our traditional line of action, both regional and universal, we will endeavor to consolidate South American integration in every field and to expand our efforts in the same direction with the rest of the region; to consolidate our ties with the developed world – the United States, the European Union and Japan; our relations with the BRICS and the emerging countries; with our brothers in Africa and the Middle East, especially with the Portuguese-speaking countries; with all the members of the international community. We will continue to work with great commitment in the United Nations, in the WTO, in the G-20, in the negotiations regarding the climate and internet governance, and on many other fronts.

We will act calmly on all the new and traditional fronts of Brazilian diplomacy. We will follow a basic principle, which is that our interests are geographically and thematically universal, and therefore neither present contradictions nor accept exclusiveness.

There are, for Brazil, neither dichotomies nor contradictions of interests in our relations with developed, emerging or developing countries – just as there are neither contradictions nor dichotomies in our pursuit of a broad economic, social, humanitarian and human-rights agenda on both the multilateral and regional planes.

Ladies and gentlemen, dear colleagues,

It is necessary for our foreign trade agenda to reflect this reality. We will redouble our efforts in the area of international trade, seeking to develop or enhance relations with foreign markets – all foreign markets. A central objective for Itamaraty during President Dilma Rousseff’s second term will be to work hard to open, expand or consolidate Brazil’s access to all foreign markets, promoting and defending the Brazilian productive sector, assisting it in its own initiatives, and helping wherever possible to attract investment.

When looking at the world, Itamaraty sees, first and foremost, Brazilian citizens. It’s up to us to look after the well-being of our citizens who are abroad on either a permanent or temporary basis. I will commit myself to ensuring that Brazilian consular policy has at its disposal the human and material resources needed to respond adequately to the growing demand for services and assistance – a result of the significant increase in the number of Brazilians living abroad or travelling as tourists, or for work, or to study, or for various other reasons. My goal is to work hard so that the Brazilian Government can offer an increasingly high-quality consular service to its citizens abroad.

Just as in the commercial and consular areas, we will also have constructive projects and proposals in all other fields of our diplomacy.

Brazil will continue to play the role of a global actor, because that role corresponds to the reality of the country and to the profound aspirations of its people. And Itamaraty will continue to contribute to the coordination of those multiple aspects of our insertion into international affairs which fall into our area of responsibility. We will do this in coordination with all the organs of Government and in consultation with Congress, civil society and economic agents. And we will be sure always to provide information about our actions, and to be accountable for them.

Dear colleagues, Ladies and Gentlemen,

In order to properly fulfill its vocation and to remain able to operate in a world undergoing rapid change, Itamaraty needs constantly to adapt its internal organization. I wish to state my commitment to improving and modernizing our working methods, strengthening and improving the career structure for diplomats and the other employees of the Foreign Service.

Together we will seek practical solutions for those problems which are specific to the Foreign Service because of its unique position within the Government. The central issues of selection, training, career progression, pay, movement between posts and professional development must be addressed in the light of the objectives and scope of foreign policy, with the aim of preserving and valuing the Ministry’s extraordinary human capital and extracting from it the best possible performance for the good of society as a whole.

In this task, always in consultation with this House, we will draw upon those ideas that have arisen through the broad process of consultation led by Minister Figueiredo. I will pay particular attention to the concerns of younger colleagues, whose enthusiastic dedication has always been one of the fundamental pillars of Itamaraty and without which we would not have the workforce and the renovative spirit which so distinguish us.

To renovate an institution is to strengthen it. And no renovation is possible without the creative input of the new generations who provide, with their enthusiasm and engagement, that which experience has not yet taught them.

I want to say a special word to my Foreign Service colleagues around the world, out there in the trenches of our diplomacy, often working under the pressure of great difficulties and feeling distant.

I will seek to support them in every way I can so that they are able to meet the permanent material challenges faced by our posts abroad.

Our network of posts, as everyone knows, has expanded in an unprecedented way and now constitutes an extraordinary tool for promoting our national interests, which we need to manage. We will be attentive to the needs of each post, to its priorities, to the instructions it should be given, to the unique role of each embassy, mission and consulate in the external strategy that Brazil should follow.

I will always be aware that it isn’t enough just to be present in the world: we must also be active. The valuable symbolism of our presence is no substitute for a results-driven diplomacy. And results, which are measured with numbers, are obtained through being aware of our mission, through action, through engagement, through tools.

The challenges Itamaraty faces are not new, and are not, in Brazil or elsewhere, exclusive to it. They are shared by many other countries’ foreign ministries which, like ours, are trying to adapt to the major changes taking place and to serve their national interests in a pragmatic way. In facing these changes we depend upon resources that are finite. We need, therefore, to concentrate our resources, our workforce, where it is most needed at any given moment, and for that we need flexibility, agility, versatility.

I am sure our most precious resource, the commitment and dedication of all our employees, will never be lacking. I will work to ensure that this irreplaceable human asset is at all times valued and encouraged, at all levels, in all sections and in every post.

I will work incessantly, under the guidance of the President of the Republic, to provide the Ministry of Foreign Affairs, both in Brasilia and in our posts abroad, with the necessary means to carry out its mission. In order for our presence in the world to become more active, producing more concrete results for the country.

Upon accepting the honor of her invitation, I received from President Dilma Rousseff, personally, the guarantee of her full support. This engagement on the part of our head of state should reassure us and help us to face with determination the tasks that await us.

For this task I have also summoned, as my Secretary General, Ambassador Sérgio França Danese, currently Sub-Secretary General for Brazilian Communities Abroad. Ambassador Danese, my friend for many years, has been my colleague in four different posts, either abroad or in Brazil, and is familiar with how I think and the way I work. I am sure the House will welcome him to this post with a full understanding of the significance of my choice.

Dear colleagues, Ladies and Gentlemen,

For me, today, it is a great responsibility and an honorable privilege to take the reins of this great institution, to which I have already dedicated two-thirds of my life. To be able to live up to this challenge I am counting on each and every one of the employees of this House, whose public spirit and dedication to Brazil have been proven throughout history. And, so that we can all continue to work in harmony and with a full sense of personal and professional fulfillment, I want you also to count on me, always.

Thank you very much.

 


 

 

Discurso del Ministro de Relaciones Exteriores, Embajador Mauro Vieira, en ocasión de la ceremonia de traspaso de cargo del Ministro de Estado de Relaciones Exteriores

 

Brasilia, 2 de enero de 2015

Ha sido un profundo honor recibir la invitación de la Señora Presidenta de la República, Dilma Rousseff, para asumir el cargo de Ministro de Estado de Relaciones Exteriores. Su mandato popular que se renueva le confiere fuerza moral y liderazgo para conducirnos en el camino de la prosperidad y la felicidad, mayor sentido del proyecto nacional brasileño.

A ella le expreso mi gratitud por la confianza que ese gesto representa, por el honor que me confiere de estar a su lado en esta tarea mayor. Y afirmo mi compromiso de trabajar intensamente para corresponder la confianza en mí depositada.

A ejemplo de las funciones que desempeñé anteriormente en la Secretaría de Estado y en el exterior, acepté este desafío con encanto y gran sentido de responsabilidad y lealtad a la Presidenta, consciente de lo que representa en la vida de un veterano funcionario del Itamaraty y del Estado brasileño sentarse en la silla del Barón de Río Branco. Comparto ese sentido de deber a servicio de la Nación con todos mis colegas de esta Casa, diplomáticos e integrantes de las carreras del Itamaraty, a quienes siempre alienta el lema del Barón, “Ubique Patriae memor” – “en todo lugar, el recuerdo de la Patria”.

Asumo ese desafío con inmensa determinación para ejecutar las directrices de la Política Exterior determinadas por la Señora Presidenta de la República. Me ampararé en las mejores tradiciones de esta Casa, en el apoyo y en el compromiso de todos sus integrantes, en el patrimonio diplomático que ya construimos y en la memoria que guardamos de él -en el proyecto permanente, en fin, que siempre alentó a la diplomacia brasileña: definir y proyectar en el mundo la identidad de Brasil, identificar y defender los intereses del País en medio de un universo creciente de oportunidades, desafíos y riesgos.

Tengo el privilegio de suceder al Embajador Luiz Alberto Figueiredo Machado, amigo querido, cuyas cualidades humanas, talento y experiencia enriquecieron la función de Canciller y serán fundamentales para el ejercicio de la nueva y alta función que le será confiada por la Señora Presidenta de la República.

Bajo la conducción del Embajador Figueiredo, el Itamaraty continuó siendo un instrumento para que Brasil profundice su inserción internacional como protagonista en las más distintas áreas temáticas, siempre en armonía con nuestra identidad sudamericana, o multilateralismo y la prevalencia del derecho internacional. Cuento, estimado Figueiredo, con sus consejos a lo largo del trayecto que hoy se inicia y le deseo muchas felicidades y realizaciones en la nueva etapa que se inicia en su vida personal y profesional.

Quiero decir una palabra de agradecimiento al Secretario General, Embajador Eduardo dos Santos, contemporáneo de las aulas del Instituto Río Branco y amigo querido desde siempre, cuya experiencia y sabiduría tanto han ayudado en la conducción de los asuntos de esta Casa.

Señoras y Señores,

Me defino esencialmente como un profesional de la diplomacia. Veo a los Jefes de la Casa y a las nuevas generaciones reunidas aquí hoy, y me identifico con cada uno de mis colegas. A lo largo de mis 40 años de carrera diplomática, siempre me sentí inspirado por el ejemplo de las generaciones anteriores que construyeron esta institución, patrimonio nacional, reconocida como una de las mejores y más profesionales Cancillerías del mundo, cuya alma se constituye de carreras de Estado sólidamente ancladas en la experiencia y en el ideal del constante perfeccionamiento profesional.

En distintos momentos y funciones, tuve la felicidad de trabajar con algunos de los más destacados diplomáticos brasileños de las últimas décadas, entre los cuales, por la proximidad que mantuvimos y la intensidad de lo que con ellos compartí, quiero destacar a Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães y Luiz Felipe de Seixas Corrêa. Con todos ellos aprendí a admirar la manera por la cual expresan su compromiso inalienable con Brasil, conduciendo el Itamaraty en la función de Estado que esta Casa ejerce desde su creación: identificar, recolectar, sintetizar, interpretar, promover y proteger las más altas y legítimas aspiraciones e intereses nacionales, en permanente interacción con el mundo exterior. También tuve el privilegio de trabajar fuera del Itamaraty, bajo el liderazgo del añorado Ministro Renato Archer, que tanto me enseñó sobre nuestro país, al crearse el Ministerio de Ciencia y Tecnología, en 1985.

Incluso en medio de dificultades y frustraciones, el trabajo cotidiano de todos nosotros, en Brasil y en el exterior, jamás dejó de tener el sentido último que nos hizo elegir una profesión singular, que nos moviliza constantemente por los paisajes del mundo -contribuir, por la mejor articulación del País con su región y el mundo, para engrandecer a la Nación, para hacer que Brasil real sea cada vez más parecido al país soñado por nosotros.

Somos herederos orgullosos de aquellos que ayudaron a fundar nuestra soberanía, a consolidar nuestra Independencia, a definir nuestro territorio y a proyectar cada vez más nuestra presencia en el mundo. Nos enorgullecemos de ser los instrumentos de la acción internacional de un gran país que enfrenta al mundo y a sus socios con una visión de cooperación, de ayuda recíproca, de compromiso con el desarrollo social y humano y, por lo tanto, de compromiso con el perfeccionamiento de las instituciones de la gobernanza global y regional en el mejor interés de los pueblos.

Señoras y Señores, colegas míos,

En su discurso de asunción ante el Congreso Nacional, ayer, la Señora Presidenta trazó las líneas generales de la política exterior que desea ver ejecutada en su segundo mandato. Más que eso, la Presidenta trazó las líneas generales de las políticas públicas que pretende desarrollar, dejando claro para la diplomacia brasileña qué papel deberá desempeñar para coadyuvar los esfuerzos del Gobierno en el plano interno, para hacer de las relaciones internacionales de Brasil un instrumento de apoyo e impulso a esas políticas, empezando por la política macroeconómica.

Es un discurso que valoriza la agenda internacional de Brasil y la enfrenta con sentido de pragmatismo y de proyecto nacional. Ése será nuestro plan de trabajo, a partir del cual consolidaremos o alteraremos estrategias de actuación a fin de actuar en plena sintonía con los objetivos del Gobierno.

Esa agenda impone hoy al Brasil grandes desafíos. Debemos enfrentarlos con determinación, con creatividad y, sobre todo, con la conciencia plena de nuestra identidad de nación-continente y de país sudamericano, con una historia de dedicación por la paz y el desarrollo económico y social en todo el mundo -una historia de la cual nos podemos enorgullecer cada vez más y de la que el Itamaraty se siente guardián.

Los Gobiernos del Presidente Lula y de la Presidenta Dilma Rousseff han sido fundamentales en la reafirmación de esa identidad y del propio Brasil, de esa aspiración de ser grandes, respetados, influyentes, sin perder de vista jamás la visión del otro, única forma de actuar con equilibrio y sabiduría frente a los desafíos.

Las relaciones exteriores constituyen un campo fundamental para alcanzar el desarrollo nacional entendido en el sentido más amplio, el sentido que le da la Presidenta Dilma Rousseff, un concepto donde se conjuga el crecimiento económico, la justicia social, el respeto a los derechos humanos, el acceso a la educación y a los servicios básicos, el derecho al trabajo digno, en definitiva: la participación de todos los brasileños en la tarea de construir esta Nación y en los frutos de esa tarea común.

La interrelación entre los asuntos internos y los internacionales es cada vez mayor. El mundo globalizado diluyó las fronteras entre la política exterior en su concepción clásica y las otras esferas de la acción del estado, creando una interconexión entre las dimensiones doméstica e internacional. En cada gran tema de la política exterior, administrar esa interconexión no depende sólo del Itamaraty. Pero cabe fundamentalmente al Itamaraty operar en sintonía con las diferentes áreas del Gobierno, generando las sinergias que reforzarán la acción y la posición negociadora de Brasil en el mundo.

El Itamaraty posee roles definidos muy claramente en el ámbito del Gobierno y ante la sociedad brasileña. Como todas las diplomacias en el mundo, somos la primera línea de representación y de negociación del país en el extranjero. Tenemos también una vocación especial para ayudar a la sociedad y a los agentes económicos y sociales brasileños a comprender mejor el mundo, nuestros intereses y la propia agenda diplomática brasileña. Son, sin duda, tareas extremadamente complejas. A ellas esta Casa se ha dedicad históricamente, adaptándose a los nuevos desafíos cuando fue necesario. Así continuaremos operando.

El apelo por una sociedad mundial más justa y coherente, menos jerárquica, corresponde a la lucha de Brasil y de tantas naciones en el sentido de crear, dentro de sus propias fronteras, una sociedad democrática y participativa. Ese siempre fue y seguirá siendo el sentido del compromiso de Brasil para ayudar en la búsqueda de una fórmula que haga viable la reforma del Consejo de Seguridad, a fin de volverlo más representativo y legítimo y, por lo tanto, más eficiente.

De hecho, las victorias que Brasil ha obtenido, internamente, en los campos de la igualdad y de la inclusión social, nos habilitan aún más a abogar por esos mismos valores en el plano internacional. La consolidación de esos avances fortalece el poder suave de Brasil, que se manifiesta crecientemente por medio de la cooperación con países amigos. La cooperación internacional constituye un instrumento único que nos permite, al mismo tiempo, compartir experiencias innovadoras e incorporar y divulgar el desarrollo técnico y tecnológico de los sectores productivo y científico brasileños. Fortalecer el área de la cooperación internacional como instrumento de la política exterior brasileña y, por lo tanto, del desarrollo tecnológico y económico del país constituye una tarea central, que exigirá del Itamaraty un compromiso pleno.

La agenda que nos espera en 2015 y en los próximos años es amplia y prometedora, como indicó la Señora Presidenta en su discurso de asunción. De acuerdo con nuestra tradicional línea de acción, al mismo tiempo regional y universalista, trataremos de consolidar a Sudamérica como un espacio de integración en todos los ámbitos y ampliar esfuerzos en el mismo sentido con el resto de la región; los vínculos con el mundo desarrollado -Estados Unidos, Unión Europea y Japón; las relaciones con el BRICS e con los países emergentes; con nuestros hermanos de África y Medio Oriente, en especial con los países de lengua portuguesa; con todos los miembros de la comunidad internacional. Seguiremos actuando con gran compromiso en las Naciones Unidas, en la OMC, en el G-20, en las negociaciones sobre el Clima y la gobernanza de Internet, entre tantos otros frentes.

Actuaremos serenamente en todos los frentes nuevos y tradicionales de la diplomacia brasileña. Seguiremos un principio básico: el de que nuestros intereses son geográfica y temáticamente universales y, por lo tanto, no presentan contradicciones entre sí, ni aceptan exclusivismos.

No existen, para Brasil, dicotomías ni contradicciones de intereses en nuestras relaciones con los países desarrollados, emergentes o en desarrollo, como tampoco hay contradicciones ni dicotomías en que debemos perseguir una amplia agenda económica, social, humanitaria y de derechos humanos en los planos multilateral y regional.

Señoras y Señores, estimados colegas,

Es necesario que la agenda comercial exterior refleje esa realidad. Redoblaremos los esfuerzos en el área de comercio internacional, buscando desarrollar o mejorar las relaciones con los mercados externos -todos los mercados externos. Así, una línea maestra de la actuación del Itamaraty en el segundo mandato de la Presidenta Dilma Rousseff será colaborar intensamente para abrir, ampliar o consolidar el mayor acceso posible de Brasil a todos los mercados del mundo, promoviendo y defendiendo el sector productivo brasileño y coadyuvando sus iniciativas y ayudando, donde sea posible, a captar inversiones.

Al mirar hacia el mundo, el Itamaraty ve ante todo a ciudadanos brasileños. Cabe a él velar por el bienestar de nuestros nacionales que están en el extranjero, en carácter permanente o temporario. Voy a empeñarme para que la política consular brasileña reciba recursos humanos y materiales para responder adecuadamente a la creciente demanda por servicios y asistencia, resultante del aumento significativo del número de brasileños que viven en el exterior o allí se encuentran por turismo, trabajo, estudio y tantas otras razones. Mi objetivo es trabajar intensamente para que el Gobierno brasileño ofrezca un servicio consular de calidad cada vez mejor para sus ciudadanos en el exterior.

Al igual que en el escenario comercial y en el área consular y de brasileños en el exterior, tendremos proyectos y propuestas constructivas en todas las demás áreas de actuación de la diplomacia.

Brasil seguirá ejerciendo su papel de actor global, ya que ese papel corresponde a su realidad y a las aspiraciones profundas de su pueblo. Y el Itamaraty seguirá contribuyendo para articular los múltiples vectores de nuestra inserción internacional que se encuentran bajo su responsabilidad. Haremos eso en coordinación con todos los organismos de Gobierno y en consulta con el Congreso, la sociedad civil y los agentes económicos. Y siempre sabremos informar de nuestra acción y rendir cuentas de lo que hacemos.

Estimados colegas, Señoras y Señores,

Para ejercer bien su vocación y mantenerse habilitado a operar en un mundo en veloz transformación, el Itamaraty necesita constantemente adaptar su organización interna. Quiero afirmar aquí mi compromiso con el perfeccionamiento y modernización de los métodos de trabajo del Itamaraty, con el fortalecimiento y el perfeccionamiento de la Carrera Diplomática y de las demás carreras del Servicio Exterior.

Juntos, buscaremos soluciones prácticas para los problemas que son específicos del Servicio Exterior en virtud de su carácter único dentro del Servicio Público. Las cuestiones centrales de selección, formación, progresión funcional, remuneración, circulación entre puestos y perfeccionamiento profesional a lo largo de la carrera, necesitan ser enfrentadas, a la luz de los objetivos y del alcance de la política exterior, con el propósito de preservar y valorizar el extraordinario capital humano del Ministerio y extraer de él el mejor rendimiento para el conjunto de la sociedad.

En esa tarea, siempre en consulta con la Casa, contaremos también con las ideas que fueron reunidas en amplia consulta promovida por el Ministro Figueiredo. Daré especial atención a los anhelos de los colegas más jóvenes, cuya dedicación entusiasmada siempre fue uno de los pilares fundamentales del Itamaraty y sin el cual no tendríamos la fuerza de trabajo y el espíritu de renovación que nos distingue.

Renovar la institución es fortalecerla. Y no hay renovación posible sin el aporte creativo de las nuevas generaciones, que suplen, con su entusiasmo y dedicación, lo que el aprendizaje de la experiencia aún no les haya enseñado.

Quiero transmitir una palabra especial a los colegas del Servicio Exterior que se encuentran en todo el mundo, en las trincheras de nuestra diplomacia, muchas veces bajo la presión de inmensas dificultades y sintiéndose distantes.

Buscaré apoyarlos en todo lo que esté a mi alcance para que puedan enfrentar los permanentes desafíos materiales que viven los Puestos en el exterior.

Nuestra red, como todos saben, se expandió de manera sin precedentes, y constituye un extraordinario instrumento de promoción de los intereses nacionales que necesitamos gestionar. Estaremos atentos a las necesidades de cada puesto, a sus prioridades de actuación, a las instrucciones que deben recibir, al papel irremplazable de cada Embajada, Misión o Consulado en la estrategia exterior que Brasil debe seguir.

Tendré siempre en mente que no basta estar presentes en el mundo, es necesario que actuemos. El valioso simbolismo de la presencia no puede substituir una diplomacia de resultados, y resultados, que se miden con números, se obtienen con conciencia de la misión, con acción, con compromiso, con medios, en fin.

Los desafíos que la Institución enfrenta en su funcionamiento no son nuevos, y no son, en Brasil o en el mundo, exclusivos del Itamaraty. Son comunes a muchas de las grandes cancillerías, que como la nuestra buscan adaptarse a las grandes transformaciones en curso y servir de forma pragmática a los intereses nacionales. Para enfrentar esos cambios, contamos con recursos que son finitos. Necesitamos, por los tanto, concentrar nuestros recursos, nuestra fuerza de trabajo, donde es más necesaria en cada momento, y para tanto necesitamos flexibilidad, agilidad y versatilidad.

Tengo la seguridad de que nuestro recurso más valioso, el empeño y dedicación de todos los funcionarios, no faltará. Trabajaré para que ese patrimonio humano irremplazable sea en todos los momentos valorizado e incentivado, en todos los niveles funcionales, en todas las unidades, en todos los Puestos.

Trabajaré de forma incesante, bajo la orientación de la Señora Presidenta de la República, para dotar el Ministerio de Relaciones Exteriores, tanto la Secretaría de Estado como los Puestos en el Exterior, de los medios necesarios para su misión. Para que nuestra presencia en el mundo, hoy universal, se haga más actuante, produciendo más resultados concretos para el País.

Al aceptar su honrada invitación, recibí de la Presidenta Dilma Rousseff, personalmente, la garantía de su total apoyo. Ese compromiso de la Jefe de Estado debe tranquilizarnos y ayudarnos a encarar con determinación las tareas que nos esperan.

También convoqué para esta tarea, en la condición de mi Secretario General, al Embajador Sergio França Danese, actual Subsecretario General de las Comunidades Brasileñas en el Exterior. El Embajador Danese, amigo de muchos años, fue mi colega en cuatro diferentes puestos en el exterior y en Brasil, y conoce bien mi pensamiento y mi forma de actuar. Estoy seguro que la Casa lo acogerá en esa función con plena comprensión del significado de mi elección.

Estimados colegas, Señoras y Señores,

Es para mi una inmensa responsabilidad y un honrado privilegio asumir hoy la dirección de esta gran institución, a la que ya dediqué dos tercios de mi vida. Para estar a la altura de ese desafío, cuento con todos y con cada uno de los funcionarios de esta Casa, cuyo espíritu público y dedicación al Brasil se ha comprobado a lo largo de la Historia. Y, para que podamos seguir trabajando todos en armonía y con pleno sentido de realización personal y profesional, quiero que cuenten conmigo, siempre.

Muchas gracias.

 

 

 

 

 

 


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