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Foto: AIG/MRE

 

Senhor Ministro de Estado

Senhor Ministro de Estado da Cultura, nosso colega Marcelo Calero,,

Senhores Embaixadores e Chefes de Missão acreditados junto ao Governo brasileiro,

Senhor Secretário-Geral,

Embaixador Mauro Vieira, querido amigo e ex-chefe,

Nossos queridos ex-Secretários-Gerais, Embaixadores Paulo Tarso Flecha de Lima e Ruy Nogueira

Senhora Subsecretária-Geral do Serviço Exterior,

Senhores Subsecretários-Gerais, Diretores de Departamentos, Chefes de Divisão e outras unidades da Secretaria de Estado,

Queridos colegas e amigos do Serviço Exterior Brasileiro,

Senhora Embaixatriz Dona Sônia Galvão,

Minha mulher Angela, meus filhos Marcos e Lucas,

Caros amigos,

Marcos,

Nada me dá mais alegria, orgulho, tranquilidade e segurança do que passar o cargo de Secretário-Geral a você, Marcos, amigo de 35 anos, diplomata de impecáveis credenciais, ser humano superior, padrinho do meu filho mais velho, que leva o mesmo nome em sua homenagem.

Fomos simultaneamente, ao longo destes 35 anos de amizade, discípulos do mesmo mestre da diplomacia que é o Embaixador Rubens Ricupero. Com ele vivemos momentos inesquecíveis de ação, no Itamaraty e fora dele, que nos marcaram profundamente. Temos uma identidade intensa, sólida. Ao deixar-lhe o lugar de Secretário-Geral, é como se uma parte importante de mim ali ficasse. Desejo-lhe, e à Ana, toda a felicidade do mundo e todo o êxito. Você os merece e sabe conquistá-los.

A Casa que me recebeu tão bem como Secretário-Geral, que me apoiou e incentivou tanto, que cerrou fileiras atrás do Ministro Mauro e de mim para juntos enfrentarmos, nestes 14 meses, um dos maiores conjuntos de desafios do Itamaraty nas últimas décadas, combinados o interno e o externo, o administrativo e o diplomático – esta Casa, à qual tudo devo, receberá o novo Secretário-Geral, como fez comigo, estou certo, com o mesmo entusiasmo, lealdade, compromisso e sentido do dever, visão de Estado sobre o País, experiência e sensibilidade política para os desafios da diplomacia e da Instituição, especialmente nesta etapa em que a História brasileira se faz com intensidade há tempos não vista.

Ao Secretário-Geral, o diplomata mais graduado da Casa, caberá, sob a condução e orientação do Ministro de Estado, prosseguir e ampliar muito a tarefa árdua em que nos engajamos, o Ministro Mauro e eu, para trazer o Itamaraty de volta à centralidade da coordenação e execução da política externa brasileira, para torna-lo mais ágil e para ter os meios adequados para desempenhar essas funções, no Brasil e no exterior. Terão ambos melhores condições de fazê-lo agora, não tenho dúvidas.

No meu discurso de fim de ano enumerei o que foram nossas primeiras realizações e chamei a atenção para os muitos desafios que teríamos pela frente. Muitos daqueles assuntos estão encaminhados, para que a nova administração possa avançar nesses e em outros projetos.

Deixo ao Secretário-Geral um diagnóstico completo, para o presente e para o futuro mais imediato, da nossa questão orçamentária; uma sugestão de reforma administrativa que contemple as nossas reais necessidades e as especificidades únicas do Serviço Exterior Brasileiro; um anteprojeto de lei que procura atualizar e consolidar a legislação esparsa e antiquada do Serviço Exterior, de forma a melhorar o instrumento precioso dos recursos humanos do Ministério e enfrentar desafios como o congestionamento da carreira em certos níveis, o impacto da extensão a 75 anos da idade de aposentadoria compulsória e as dificuldades de lotação de postos importantes, entre muitos outros. Também deixo-lhe encaminhadas as questões do auxílio moradia e do abate-teto no exterior, pontos cruciais da nossa política de pessoal e que geram justificada inquietação nos nossos funcionários lotados no exterior. Muitos outros projetos estão em elaboração ou quase prontos para serem lançados.

Está em curso um enorme esforço, com novas iniciativas já delineadas, de racionalização e otimização de gastos e aperfeiçoamento de práticas e métodos, de forma a permitir que o Ministério desempenhe adequadamente as suas atividades finalísticas – representar, informar, negociar, cooperar, promover o comércio e os investimentos, difundir a cultura brasileira, projetar o perfil tecnológico e produtivo do Brasil, dar ajuda humanitária, fazer, enfim, com recursos minimamente adequados, o que toda boa Chancelaria no mundo faz: defender e promover os interesses do País lá fora com eficiência, zelo e dignidade. Há muito a fazer, mas estamos no bom caminho. Fico tranquilo ao saber do compromisso do Ministro José Serra com a questão orçamentária e de ver como ele já se engajou plenamente nessa luta que é de todos nós.

O Ministro Mauro e eu também procuramos deixar um legado de cuidadosa modulação da política externa, que perseguimos com tenacidade e alguns bons resultados, dentro dos nossos limites. Caberá ao Secretário-Geral, na condição de principal conselheiro diplomático do Ministro de Estado, e em sintonia com as suas diretrizes, conduzir um Itamaraty robustecido em competências e com mais recursos para executar a política traçada pelo Governo. Contará, para isso, com a extraordinária equipe de profissionais da diplomacia que o Itamaraty, veneranda instituição de 200 anos, cultiva em seu celeiro e que já vêm trazendo o seu aporte ao novo Ministro.

Onde quer que esteja, tudo farei para ajudá-los, como estou seguro de que tudo farão para ajudá-los os funcionários desta Casa. Somente o êxito da Instituição garante o sucesso individual de cada um de nós.

Queria ainda fazer os muitos agradecimentos que transbordam do meu coração ao despedir-me da função de Secretário-Geral.

Começo pela Angela, o Marcos e o Lucas, minha pequena e adorada família, que me apoiou incondicionalmente quando lhes disse, em janeiro de 2015, que ficaríamos em Brasília, depois de quase seis anos e com a perspectiva de um posto iminente, para que eu pudesse aceitar o convite irrecusável do Ministro Mauro para secundá-lo em sua gestão. Com o seu infinito amor, eles me recordaram a cada momento o que de fato é importante na vida e ajudaram a fazer de mim um Secretário-Geral feliz e plenamente realizado.

Agradeço uma vez mais aos meus pais, que de longe me apoiaram sempre com as suas preces e com aquele espírito de honradez, consideração pelos outros e sentido do dever, que sempre me incutiram e de mim exigiram.

Ao Ministro Mauro, querido amigo de tantos anos e postos, pela honra inexcedível que me deu com seu convite e por este período, o mais rico da minha vida profissional, o mais intenso, mas também o mais agradável, como Secretário-Geral, o mais elevado posto a que um diplomata de carreira pode aspirar.

Ao Ministro de Estado, José Serra, que me honrou com a sua confiança e a sua atenção nestes primeiros dias decisivos da sua gestão, pela indicação do meu nome para a Embaixada em Buenos Aires, para mim o mais importante posto da carreira. Obrigado, Ministro, por esta confiança, que tudo farei para honrar, se aprovado pelo Senado Federal.

À minha esplêndida equipe da Secretaria-Geral, chefiada pela querida e competente amiga, Embaixadora Cláudia Buzzi. Sem essa equipe, eu não teria dado um único passo como Secretário-Geral. Nunca esquecerei o nosso trabalho conjunto, nossas discussões abertas dos despachos coletivos, e, sim, o bom humor, os risos, a camaradagem com que juntos cuidamos dos mais variados temas e problemas. Sentirei dessa equipe coesa e unida uma imensa falta.

Ao Embaixador Julio Bitelli e a toda a equipe do Gabinete do Ministro de Estado, entre muitas outras razões, pela perfeita sintonia e espírito de equipe com que os dois lados do Palácio puderam trabalhar, em uma experiência de integração talvez única na história do Itamaraty e que espero continue e seja fortalecida em benefício da eficiência da Casa.

Aos Subsecretários-Gerais, ao Diretor do Instituto Rio Branco, ao Chefe da SPD, aos Chefes do Cerimonial, da Assessoria Parlamentar e da Assessoria de Imprensa, à Consultoria Jurídica, ao Cerimonial da Presidência da República, agradeço pelo apoio constante, pelo conselho sempre ponderado e fundamentado, pela forma eficiente com que aceitam a necessária descentralização de tarefas e a delegação de competências e pela maneira impecável como cumprem suas instruções e conduzem suas eficientes equipes.

Não podendo falar de todos, queria fazer duas menções exemplificativas do que sinto por cada um dos Chefes e Chefas da Casa. A primeira, à Embaixadora Maria-Theresa Lázaro, Subsecretária-Geral do Serviço Exterior, e sua equipe pela forma competente, serena e firme com que atuaram ou me secundaram no enfrentamento dos infindáveis desafios administrativos, orçamentário-financeiros e todo tipo de problemas inerentes a um Ministério que se espalha por 140 países. A segunda, ao Embaixador Carlos Alberto Simas Magalhães e sua equipe, pela eficiência com que conduziram, ao longo deste período, a Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, que chefiei com orgulho e que é a vitrina pública por excelência do Itamaraty, porque lida diretamente com o cidadão. Sob o olhar atento e exigente de um Secretário-Geral cioso da sua passagem pela SGEB, o Embaixador Simas, sua equipe e os postos consulares no exterior foram impecáveis continuadores e propositores de políticas exitosas para fazer realidade efetiva o discurso da prioridade aos temas consulares. Espero que a nova administração continue a dar-lhes intenso e engajado apoio.

A todos os funcionários, diplomatas, oficiais de chancelaria, assistentes de chancelaria, membros das demais carreiras que servem no Itamaraty, aos que se encontram no exterior, do quadro ou locais, muitas vezes enfrentando dificuldades e pressões inimagináveis, aos funcionários terceirizados da Secretaria de Estado, a todos, enfim, com quem interagi neste período intenso, obrigado pela sua presença constante, pela sua dedicação, pelo seu aporte a este trabalho diário de construção, em que todos, absolutamente todos, não importa onde estejam e o que façam, são importantes. Queria abraçar cada um; faço-o na pessoa do nosso decano, o Embaixador e querido amigo João Carlos de Souza Gomes, o mais antigo entre nós aqui na Secretaria de Estado.

A todos, peço que cerrem fileiras atrás do Secretário-Geral, como fizeram comigo, e o ajudem na complexa missão que ele tem pela frente.

Mas não só de agradecimentos se faz uma despedida. Queria, por fim, também pedir desculpas, e o faço com humildade e sentido do dever.

Pelos erros cometidos, sempre com a melhor das intenções, mas erros, enfim. Pelo muito que devo ter deixado entrever e não pude realizar, por iniciativas que ficaram apenas na boa intenção ou no esboço, pelo muito que involuntariamente estou deixando, inconcluso, para o meu sucessor.

Gostaria de ter satisfeito cada um que me trouxe diretamente, e não por intermediários de fora da Casa, o seu pleito individual ou da unidade em que atua, a sua expectativa, a sua aspiração, o seu pedido de apoio ou ajuda, todos legítimos, e que eu não pude atender ou que diferi no tempo, à espera de condições para melhor tratá-los.

Mas sempre fui transparente. Nunca prometi o que não pudesse cumprir, nem tentei iludir os que buscaram meu apoio ou conselho. Transmitirei esses pleitos ao meu sucessor, com a palavra amiga, mas angustiada, de quem quis resolver muito, sabendo que não podia resolver tudo.

Ao partir, queria dizer a todos que o faço com a boa sensação do dever cumprido, na medida em que o permite a complexidade dos assuntos com que lida a Secretaria-Geral. E sou grato a todos por isso.

O Itamaraty é uma grande instituição. Estou certo de que, sob a condução do novo Ministro de Estado e com a direção do novo Secretário-Geral, a Casa terá a partir de agora condições de avançar muito mais na recuperação da sua centralidade como um dos Ministérios de Estado no Brasil e uma das mais respeitadas e eficientes chancelarias do mundo.

Quem parte é página virada e deve deixar as linhas que estão por escrever-se ao sucessor, desejando-lhe inspiração e sucesso.

Desejo-lhe, Marcos, toda a felicidade e êxito na sua gestão. À nossa Casa, desejo tudo de bom que a sábia nomeação deste novo Secretário-Geral augura e deixa entrever. Muito obrigado.


Discurso do embaixador Marcos Galvão por ocasião da cerimônia em que tomou posse como secretário-geral das Relações Exteriores – Brasília, 25 de maio de 2016

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